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O novo capítulo da série Dragon Quest chega para quebrar várias tradições estabelecidas pelos títulos anteriores, ao mesmo tempo em que mantém elementos conhecidos dos antigos jogadores em uma tentativa de mudar um pouco o lugar que ocupa no mundo dos jogos. Enquanto a estrutura básica da aventura é mantida, este é o primeiro capítulo feito exclusivamente para um sistema portátil, além de passar o foco do jogo solo para uma experiência em que até quatro jogadores podem explorar o mesmo mundo de forma simultânea.

O foco no multiplayer faz com que o título tenha características bastante diferentes dos episódios anteriores em que o desenvolvimento dos personagens era essencial para o prosseguimento da trama. Em vez de personalidades bem definidas e históricos que justificam suas ações, o grupo controlado durante a aventura é totalmente definido pelo próprio jogador, que logo cedo tem à sua disposição quatro personagens para explorar os diversos labirintos e desvendar os desafios do jogo.

A transição para o hardware mais limitado do DS significou perdas gráficas ao jogo, que nem por isso se torna exatamente feio – porém, compará-lo com o belo oitavo capítulo da série chega até a ser covardia. Porém, o que o jogo perdeu em detalhamento e efeitos gráficos ganhou em personalização: toda peça de equipamento adicionada possui um visual próprio, dando uma cara única a cada personagem e se tornando responsável por alguns momentos engraçados, em que se deve decidir entre usar as armaduras mais poderosas ou aquelas que deixam os personagens com uma cara mais divertida.

Uma história tradicional

Em Sentinels of the Starry Skies o jogador assume o papel de uma espécie de anjo da guarda que tem como principal missão ajudar as pessoas e aumentar sua felicidade – em troca, recebem gratidão em forma sólida que serve como alimento para a árvore Yggdrasil. O objetivo é conseguir gratidão o suficiente para que a árvore dê frutos e finalmente se abra o caminho que vai permitir que a raça celestial possa voltar a se unir com o criador do mundo.

Porém, assim que Yggdrasil dá frutos, algo terrível acontece e o protagonista se vê jogado no mundo sem sua auréola e asas. Agora, cabe a descobrir a força maligna que está por trás desse acontecimento e no caminho fazer boas ações para conseguir voltar ao seu lugar de origem e descobrir o que aconteceu com seus companheiros.

Como todos os personagens são criados pelo jogador, o desenvolvimento da trama se torna responsabilidade das diversas figuras encontradas pelo caminho, sejam elas um poderoso rei desconfiado das boas intenções alheias ou uma filha de pescadores que perdeu seu pai durante um terremoto. Embora esses personagens não supram a falta da uma personalidade maior para o grupo de aventureiros, funcionam bem para levar a narrativa em frente e possibilitar a caracterização do jogo como uma experiência voltada para vários jogadores, sem comprometer o resultado final.

Centenas de horas de jogo

Enquanto a falta de uma história forte que serve como foco principal para o jogo signifique um passo atrás em relação a outros capítulos da série, abre uma série de possibilidades novas que prolongam a aventura. Além de contar com um sistema de Quests em que o jogador pode cumprir uma série de missões não relacionadas com a aventura principal, o próprio sistema de equipamentos incentiva a coleta de itens e a exploração dos labirintos extras, que trazem alguns dos inimigos mais difíceis do jogo.

Embora as partidas com outros jogadores estejam limitadas somente a pessoas próximas do jogador, Dragon Quest IX conta com um eficiente serviço online que oferece uma loja exclusiva para obter alguns itens raros, além de um sistema que baixa novos labirintos para o jogo. Assim, mesmo depois de completar a aventura principal o título se renova constantemente, adicionando novos desafios nos quais o jogador pode testar sua habilidade.

O jogo também conta com um sistema de classes que, embora simples, garante mais longevidade ao título. Embora nem todas elas compartilhem habilidades em comum, nada impede a criação de um personagem super poderoso capaz de manejar com habilidade tanto espadas quanto perigosas garras assassinas – isso só para citar um exemplo. Toda vez que uma nova classe é iniciada, o personagem escolhido volta ao primeiro level – porém, mantém alguns das melhorias de status adquiridas, podendo retornar à classe inicial a qualquer momento com todas as melhorias que já possuía. O sistema garante mais variedade ao jogo, além de garantir várias horas extras para quem pretende desbravar todos os segredos que permitem a criação de classes especiais.

Mantendo a tradição

Embora esteja recheado de novidades, o nono capítulo da série Dragon Quest é um jogo que, em essência, mantém todas as características típicas de um jogo que carrega esse nome. As batalhas ainda acontecem em turnos, com a ordem de ação determinada pela característica de cada personagem. Além disso, os inimigos continuam aparecendo em uma visão de primeira pessoa – embora os personagens sejam mostrados em ação durante a batalha.

Em geral, quem já pode conferir algum capítulo anterior da série irá se sentir em casa com os elementos apresentados aqui, incluindo a exploração das cidades (com direito à quebra de vasos e armários recheados de itens secretos), labirintos cada vez mais complexos e a busca pelas misteriosas Mini-Medals espalhadas pelos cenários.

Talvez a principal mudança fique por conta das batalhas, que agora não ocorrem mais de maneira aleatória, permitindo ao jogador visualizar os inimigos nos mapas. Além de facilitar o ganho de níveis, esse sistema aprimora a busca por itens raros e permite uma navegação mais rápida entre as diferentes cidades. Porém, se engana quem acha que isso significa uma aventura mais fácil – caso o jogador tenha um level muito baixo, logo várias criaturas irão correndo em sua direção, isso sem contar com os perigosos chefes que aparecem em pontos-chave da trama.