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Hoje foi anunciado de forma oficial que a E3 2020 não irá ver a luz do dia. Após um aumento no número de casos do COVID-19, o coronavírus, na região de Los Angeles, onde rola a feira, a ESA, que organiza o evento, tomou a dura decisão.

É a primeira vez desde 1995, quando teve sua primeira edição, que não teremos uma E3. Vale lembrar que o evento já vinha sofrendo baixas nos últimos anos e perdendo relevância. Primeiro a Nintendo deixou de fazer conferências presenciais, depois a Sony abandonou de vez o barco, EA foi outra que seguiu o mesmo caminho.

Mesmo com os percalços, a E3 ainda representa o período mais importante para a indústria de jogos durante o ano. Com o cancelamento, para nós jogadores talvez ocorram algumas mudanças interessantes, enquanto por outro lado, podemos perder mais do que imaginamos.

Lado Bom: Dinheiro e tempo economizado

Os principais estúdios do mundo sempre fizeram apresentações luxuosas e exuberantes na E3. Além disso, eles também alocam espaços enormes no evento para imprensa e público testarem seus jogos. Merchandising, vôos intercontinentais, equipes inteiras mobilizadas em prol de um evento. Não precisa nem dizer que isso custa milhões de dólares.

Outro ponto que sempre pesa é o rigor da data. Fora daquela semana da E3, nada mais importa, o que leva os estúdios a trabalharem muito mais para conseguirem completar uma demo para o evento. Em um eventual mundo sem E3, com transmissões online, os estúdios podem ter o tempo necessário para trabalhar sem comprometer recursos do jogo e os próprios funcionários. Com a apresentação online, o dinheiro gasto é muito menor e mais recursos podem ser utilizados nos produtos ou em um marketing mais incisivo.

Lado Ruim: Menos oportunidades

O lado das conferências e demos abertas ao público é somente uma das faces da E3. O lado que ninguém vê, mas é muito importante, é o dos negócios. Nos pavilhões da feira rolam centenas de encontros entre diversos produtores, publishers e empresas de relações públicas que de outra forma nunca aconteceriam.

Os desenvolvedores indie por exemplo, aproveitam o espaço para mostrar demos para publishers enormes e fazer contatos importantíssimos para o seu futuro. Novos jogos independentes que poderiam chegar na próxima geração podem estar sendo comprometidos nesse momento por conta do cancelamento da E3.

Empresas de localização e relações públicas também fecham muitos contratos na feira. Sem essas oportunidades, mercados emergentes, como o nosso, podem ter empresas mais fracas e sem bons contatos, o que mina muito da boa localização e marketing para o nosso país.

Lado Ruim: Adeus novas conferências

Claro, a gente pode ter conferências online, ou jogos de alguns estúdios nas apresentações da Microsoft, Nintendo ou Sony, mas não é exatamente igual. No último ano, a Square Enix fez a sua conferência na E3 e foi um sucesso. Nunca o estúdio mostrou tantas novidades e tanto gameplay dos seus jogos. Em conferências de terceiros isso é praticamente impossível e nem sempre um estúdio sozinho, especialmente os menores, tem capacidade de marketing suficiente para uma algo desse porte fora de um período cheio de hype como esse da E3.

Com o cancelamento da feira deste ano, parece que já vamos ter uma baixa. A Warner, segundo consta, ia realizar a sua primeira conferência no evento. No catálogo estavam jogos como o Batman da WB Montreal, Harry Potter e o aguardado novo jogo da Rocksteady, que fez a trilogia Batman Arkham. Eles devem fazer algo online ou diluir os anúncios em terceiros, mas nunca saberemos o que tinham na cartola para o palco da E3.

Lado Bom: Espaço para novos eventos e reinvenção

Com o cancelamento da E3, novas portas se abrem para outros eventos que também tem relevância e ideias mais modernas. Entre as feiras mais parecidas com a E3, a GDC e a PAX podem brilhar com mais novidades de jogos de peso. Ambas já tem uma face voltada para os desenvolvedores, o que é bem interessante. As apresentações sobre como os jogos são construídos podem ser um extra chamativo para os gamers.

Entre os eventos com pensamento diferente e que podem tomar esse lugar, um que vem se destacando é o The Game Awards. No último ano ficou tênue a linha que separa os dois eventos. A Microsoft apresentou o Xbox Series X na premiação ao invés de na E3 e vários jogos de peso estão sendo anunciados na apresentação criada por Geoff Keighley e não na feira de Los Angeles. Em um futuro sem E3, o The Game Awards pode se tornar ainda mais importante.

Há ainda o espaço para a renovação da E3. É inegável a importância do evento para a indústria e os bons momentos que ela proporcionou ao longo dos anos. A ESA carece de novas ideias, mas já tinha sinalizado uma mudança para esse ano. Os principais problemas envolvendo a organização e a segurança dos dados dos presentes, ainda parecem coisas que estão longe de serem resolvidas. Com tudo isso no devido lugar, a feira pode voltar a ser gigante e atrair de volta aqueles que se foram, mas para isso precisam trilhar um longo caminho de mudanças.