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Ettrian – The Elf Prince: um RPG com alma da era PlayStation 1 e Saturn

RPG indie da Methink e Matheus Reis Queiroga lembra clássicos do Saturn e PS1 e mostra potencial promissor no Steam

Ettrian – The Elf Prince resgata a alma dos RPGs da era Saturn e PS1.

Há jogos que não tentam reinventar a roda. Eles preferem invocar um espírito antigo, como quem abre um grimório esquecido em uma estante empoeirada. Ettrian – The Elf Prince é exatamente esse tipo de experiência: um RPG que olha para trás com respeito, bebe diretamente da fonte da era Sega Saturn e PlayStation 1, e tenta traduzir esse sentimento para uma linguagem moderna, ainda que simples, usando a plataforma Bakin.

Desenvolvido pela Methink em parceria com Matheus Reis Queiroga, o jogo vem chamando atenção no Steam justamente por essa proposta clara: não competir com grandes produções, mas dialogar com jogadores que cresceram explorando mundos poligonais, mapas segmentados e histórias contadas com mais sugestão do que espetáculo.

E depois de passar um bom tempo com o jogo… e também mergulhar na percepção de outros jogadores, dá para dizer que Ettrian é, no mínimo, promissor.

Uma fantasia clássica, contada sem pressa

A história de Ettrian – The Elf Prince segue uma estrutura bastante tradicional, algo que muitos jogadores elogiam justamente por não tentar ser mais do que precisa. Você assume o papel de um jovem elfo de linhagem nobre, herdeiro de um reino que carrega tensões políticas, ecos de guerras antigas e uma sensação constante de decadência silenciosa.

Nada aqui é jogado na sua cara. Assim como nos RPGs dos anos 90, a narrativa se constrói aos poucos, por meio de diálogos simples, encontros pontuais e pequenos detalhes espalhados pelo mundo. Muitos usuários no Steam destacam que o jogo confia na curiosidade do jogador, evitando longas exposições e deixando que o contexto seja absorvido naturalmente.

É uma abordagem que pode afastar quem espera grandes reviravoltas cinematográficas, mas que agrada profundamente quem sente falta de histórias mais contemplativas, quase melancólicas, como as vistas em RPGs menos conhecidos do Saturn ou nos títulos japoneses de baixo orçamento do PS1.

Jogabilidade que ecoa outra era

No controle, Ettrian deixa clara sua inspiração. O sistema de combate é por turnos, direto e funcional, sem camadas excessivas de complexidade. Ataque, defesa, habilidades e gerenciamento básico de recursos formam o coração das batalhas.

O combate é honesto: ele não tenta surpreender a cada luta, mas exige atenção, especialmente em confrontos mais longos ou contra inimigos que punem decisões precipitadas. Não é um jogo difícil no sentido moderno, mas também não é automático.

A exploração segue o mesmo espírito. Os mapas são relativamente compactos, com transições bem definidas, lembrando muito a estrutura de RPGs da era 32-bit. Há vilas, áreas selvagens, dungeons e caminhos que se destrancam gradualmente, reforçando aquela sensação clássica de progressão.

O uso da plataforma Bakin é visível, tanto nas limitações quanto nas virtudes. Temos animações simples e interações básicas, mas é mantido a coerência visual e o cuidado em manter uma identidade consistente, sem exagerar nos efeitos ou no excesso de partículas.

Visual e atmosfera: charme acima de tecnologia

Graficamente, Ettrian não tenta competir com engines modernas — e nem deveria. O visual remete diretamente à transição do 2D para o 3D dos anos 90, com personagens e cenários simples, mas cheios de intenção.

O que mais surpreende é o charme. Há algo reconfortante na forma como o mundo é apresentado, especialmente para quem tem memória afetiva com jogos do Saturn ou com RPGs japoneses menos conhecidos do primeiro PlayStation.

A trilha sonora, ainda que discreta, cumpre bem seu papel. Ela não tenta roubar a cena, mas sustenta a atmosfera de fantasia clássica, acompanhando a jornada sem se impor. Para muitos jogadores, isso reforça a sensação de estar jogando algo “fora do tempo”, no melhor sentido possível.

Recepção da comunidade e potencial futuro

No Steam, o sentimento geral é de cauteloso entusiasmo. A maioria dos jogadores entende que Ettrian não é um RPG grandioso, mas reconhece o cuidado por trás da proposta. Há elogios à direção artística, à identidade clara e à fidelidade ao estilo retrô, ao mesmo tempo em que surgem sugestões de melhorias — especialmente em interface, variedade de inimigos e polimento geral.

O consenso parece ser que Ettrian – The Elf Prince é uma base sólida, um primeiro passo seguro dentro de uma ideia maior. Muitos jogadores afirmam que querem ver até onde esse universo pode ir, caso os desenvolvedores continuem expandindo e refinando a experiência.

Primeiras impressões do Kazin Mage

Ettrian – The Elf Prince não é um jogo que grita. Ele sussurra, como os RPGs de antigamente faziam. E talvez seja exatamente por isso que ele esteja encontrando seu público.

Para quem sente falta da cadência mais lenta, da exploração sem setas gigantes apontando o caminho e da fantasia construída com simplicidade e intenção, Ettrian merece atenção. Ele ainda tem arestas, ainda pede amadurecimento, mas carrega algo raro: identidade.

Este é um JOGAMOS — uma primeira leitura do mundo, da história e da jogabilidade.
Uma análise completa, mais profunda e detalhada, será publicada em breve, quando tivermos explorado todos os cantos desse reino élfico e compreendido melhor seus mistérios.

Até lá, mantenha o grimório aberto.

André Ernesto "Kazin Mage" Frias

Kazin Mage é o arquimago das palavras do GameHall — um cronista ancestral dos mundos de fantasia, mestre dos RPGs e guardião dos segredos dos pixels encantados. Com sua pena rúnica, escreve análises místicas que misturam sabedoria, nostalgia e encantamentos de pura paixão gamer.
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