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“F-Zero” sem dúvida foi um marco na história dos videogames. Lembro de ter me impressionado muito mais com ele do que com “Super Mario World”, quando do lançamento do Super Nintendo lá no início dos anos 90. Isso porque ele demonstrava realmente do que o aparelho era capaz de realizar com a sua então revolucionária tecnologia batizada de “Mode 7” (e além disso era mais uma produção do mestre Shigeru Miyamoto).

Junto com o famoso “Top Gear”, é um dos melhores games de corrida no console. E não são corridas qualquer, mas sim disputas espaciais futuristas (um dos primeiros a apresentar essa novidade para o gênero). Os “carros” aqui são os hovercars, veículos que se elevam a alguma distância do chão através da tecnologia de repulsão (e que você já deve ter visto em alguns filmes de ficção científica por aí).

F-Zero inaugurava o gênero de corridas futuristas

“F-Zero” tinha um visual espetacular e era o seu principal atrativo para os consumidores. Nenhum jogo de corrida da época se igualava ao jogo futurista da Nintendo: ele apresentava carros voadores, pistas que simulavam efeitos 3D e cenários coloridos em vários planetas. Apesar do visual arrebatador do Mode 7, “F-Zero” tinha gráficos simples, mas bastante agradáveis (afinal, era um título de primeira geração para o SNES).

O jogador pode escolher entre quatro corredores, cada qual com o seu hovercar. São 15 pistas divididas em três ligas, e o objetivo, como em qualquer outro game de corrida, é deixar os adversários para trás e cruzar a linha de chegada, evitando áreas de risco como zonas de deslizamento e imãs que puxam o veículo para fora de pista. Cada hovercar possui uma barra de energia, que diminui quando se colide com outros carros, pistas ou minas espalhadas pelo chão. Essa energia pode ser recarregada nos pit stops, geralmente localizadas perto da linha de chegada.

O efeito Mode 7 garantia pistas pseudo 3D

Cada corrida é constituída por cinco voltas na pista, e cada volta deve ser completada num determinado ranking para evitar a desclassificação. A cada volta, o jogador ganha um “turbo”, que faz o seu hovercar chegar até incríveis 500 Km/h. Esses turbos são excelentes para serem usados em rampas, localizadas em pontos estratégicos que fazem o carro voar e cortar um bom trecho da pista. Um belo de um atalho.

Além do visual do Mode 7, outro fator que garantia a diversão do game era a sua jogabilidade, bastante precisa e suave. Os carros são bem detalhados e possuem design futuristas bacanas, mas são pequenos na tela, o que dá um ar de grandeza para as pistas, que são largas e espaçosas. Sim, há trechos com corredores estreitos e tal, mas de uma forma geral, as pistas se apresentam em grandes tamanhos. A sensação de velocidade é muito boa, fazendo com que o jogador fique com os olhos grudados na tela para ultrapassar adversários (aquele amarelinho chato principalmente) e fazer curvas mais complicadas. Os carros variam de velocidade, normalmente eles chegam a 300/400 Km/h, mas com o nitro ultrapassam os 500 Km/h frouxo. Não há slowdowns, mesmo com vários carros na tela, e as corridas são intensas, frenéticas e perfeitamente fluídas.

A trilha sonora não usa toda a capacidade sonora do console, mas apresenta alguns temas bem originais e extravagantes, que casam bem com a ação do jogo. As minhas preferidas são as das pistas Mute City e Big Blue, que você pode ouvir abaixo (e são muito boas mesmo!):

Infelizmente foi o único título a aparecer no 16 Bits da Nintendo, mas ele teve sequências em outros consoles, mas nenhum deles conseguiu resgatar o feeling mágico que só o original possuía. O N64 ganhou uma versão horrível e o GameCube ganhou um jogo produzido pela Sega, o “F-Zero GX”, que é muito bom, mas não chega a ter o apelo carismático da versão do SNES. O único ponto negativo de “F-Zero” é não ter uma opção para dois jogadores, o que poderia deixar o jogo ainda muito mais divertido. Mas mesmo jogando sozinho (ou alternando com um amigo), o título oferecerá muitas horas de diversão.

There are two kinds of drivers in this raceME and the losers!– Captain Falcon