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Fairgames: cancelado, adiado ou só mais uma piada de mau gosto da indústria?

Entre rumores de cancelamento, Jade Raymond pulando fora e a Sony fingindo que nada aconteceu, Fairgames parece mais um assalto à paciência dos jogadores do que um jogo de assalto de verdade.

Lembra quando anunciaram Fairgames lá em 2023, todo estiloso no palco do PlayStation Showcase, com aquele trailer cheio de neon, hackers genéricos e uma vibe “Assalto do Carrefour Simulator”? Pois é, parece que o futuro glorioso desse multiplayer de “roubos estratégicos” virou piada de boteco.

O analista Michael Pachter — o tiozão do mercado que vive errando previsão mas continua dando opinião porque gamer adora acreditar em boato — soltou no podcast dele que a Jade Raymond, diretora do jogo e fundadora da Haven Studios, caiu fora do rolê. E, segundo ele, com isso o jogo teria ido pro cemitério dos promissores que nunca foram. Tipo aquele amigo que promete parar de beber no Ano Novo e, no dia 2 de janeiro, já tá com a latinha na mão.

Só que, calma lá, nem a própria Sony confirmou o cancelamento. Até agora, o que rola oficialmente é que o jogo foi adiado de 2025 pra primavera de 2026. Isso se não virar outono de 2030, né, porque “adiamento” hoje em dia é só eufemismo pra “ninguém sabe o que tá fazendo nesse projeto, mas a gente finge que tá”.

O jogo que já nasceu com cheiro de cancelamento

Vamos ser sinceros: Fairgames nunca enganou ninguém. O trailer já parecia uma mistura estranha de Watch Dogs com Fortnite, mas sem o carisma de nenhum dos dois. Era tipo aquele hambúrguer gourmet que custa 60 conto, vem com pão seco e uma folha de alface triste, mas o restaurante jura que é “experiência única”.

PvP cooperativo de assalto em mundo aberto? Beleza, na teoria parece legal. Mas na prática, a gente sabe que ia virar o quê? Um festival de randômicos correndo que nem barata tonta, cada um puxando loot pra si, enquanto o sistema de progressão ia te obrigar a grindar 400 horas pra comprar uma luvinha nova pro seu avatar poser de hacker wannabe.

E olha que o estúdio da Jade Raymond já tem tradição em prometer mais do que entrega. Ela saiu da Ubisoft, passou pelo Stadia (aquele desastre que nem a Google conseguiu sustentar) e foi parar na Haven. E agora, pelo visto, até ela viu que esse barco tava afundando mais rápido que servidor de Helldivers 2 em dia de patch.

Pachter, o Nostradamus de araque

Claro que quando o Michael Pachter abre a boca, a galera entra em pânico. O cara já errou previsão de lançamento de console, já disse que a Nintendo ia largar os portáteis (spoiler: o Switch virou fenômeno) e agora vem com esse papo de cancelamento. O problema é que, mesmo sendo um chute, ele planta a semente da dúvida. E gamer adora um rumor — vive disso mais do que de jogo lançado, inclusive.

Então, bastou ele falar no minuto 3:47 do podcast que “ah, Jade Raymond saiu, então o jogo deve ter sido cancelado” pra internet já decretar: Fairgames RIP 2023-2025. Nem precisa confirmação oficial.

O silêncio da Sony

E onde tá a Sony no meio dessa palhaçada? Fingindo que não é com ela. Tá ocupada empurrando Helldivers 2 até a última gota, lançando skins de 20 dólares e rindo da galera que ainda paga por serviço online. Enquanto isso, Fairgames segue na gaveta, esperando o dia em que alguém vai lembrar que o jogo existe.

Na real, a Sony devia soltar logo um comunicado:

  • “Pessoal, Fairgames não foi cancelado, só tá em coma induzido.”

  • Ou então: “Cancelamos mesmo, vai todo mundo jogar GTA VI que é melhor.”

Mas não. Eles preferem manter essa aura de mistério, porque nada dá mais hype do que não falar nada. É a famosa “estratégia Nintendo Direct”: deixa a galera especular até o fim dos tempos, enquanto você vende mais um bundle de PS5 com The Last of Us.

Multiplayer genérico que ninguém pediu

Vamos ser realistas: a chance de Fairgames dar certo já era pequena desde o anúncio. O mercado tá entupido de jogo multiplayer com estética neon, máscara de palhaço e lootbox camuflada de “cosmético opcional”. Payday 2 já fez o que precisava no gênero, Payday 3 já mostrou como estragar tudo, e agora vem a Sony querendo reinventar o roubo.

Só que no fim, o maior assalto ia ser no seu tempo e na sua paciência. Aposto que teria passe de temporada, moeda premium chamada “FairCoins” e skin de coelho neon por 15 dólares.

O que resta agora?

Se o jogo realmente foi cancelado, não dá nem pra fingir surpresa. Se não foi, também não muda nada, porque tá todo mundo ocupado esperando GTA VI, Elder Scrolls VI e até Skyrim rodando em geladeira nova.

A verdade é simples: Fairgames é mais um daqueles projetos que parecem sair direto da prancheta do “executivo visionário”, mas que nunca entenderam o que o jogador realmente quer. Quer PvP? Vai de Call of Duty. Quer assalto? Vai de Payday. Quer cooperativo divertido? Vai de Helldivers 2.

Fairgames é o típico exemplo de como a indústria AAA adora vender fumaça. Te mostra um trailer cheio de frases de impacto, chama a diretora famosa pra dar credibilidade, e depois larga o projeto num limbo de adiamentos e fofocas de bastidores.

Se cancelaram, ótimo, menos um clone de Payday pra encher a estante digital. Se não cancelaram, prepara o coração: vai ser só mais um multiplayer genérico tentando te convencer a gastar 60 dólares em DLCs.

E sabe de uma coisa? O verdadeiro “Fair Game” aqui é a paciência do jogador, que continua acreditando em promessas furadas.

Zeca "RumbleTech" Rabelo

Zeca é o cara que joga tudo, reclama de quase tudo, mas só porque ama demais. Analisa jogos com um olho clínico de quem viveu a ascensão do 16-bits, sobreviveu aos gráficos do PS1 e agora exige 60 FPS até pra abrir o menu. Sarcástico, nostálgico e PC Master Race até a alma.
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