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Bem-vindos a mais uma análise de um jogo clássico, e desta vez trazemos para os nossos leitores o fantástico “Flashback: The Quest for Identity“, lançado originalmente para o computador Amiga em 1992, e ganhando versões em vários outros consoles, sendo os mais famosos as versões para Mega Drive, Super Nintendo e Sega CD e posteriormente ganhou um remake HD.

Foi desenvolvido pela produtora francesa (já falida) Delphine Software, a mesma que lançou um ano antes o também ótimo “Out of This World“. O jogo foi concebido pelo designer Paul Cuisset , e está listado no Guinness Book com o recorde de “o jogo francês mais vendido de todos os tempos”. Título esse mais do que merecedor, como veremos a seguir.

“Flashback” marcou uma geração de jogadores ao apresentar um estilo bem inovador para a época, o cinematic plataformer, gênero esse que também se enquadra “Out of This World” e “Prince of Persia”. Esse gênero usava uma técnica para dar mais realismo e fluidez aos movimentos e ações dos personagens, sendo que o jogador precisa, o tempo todo, calcular distância dos pulos, saber a hora certa de atirar ou correr, etc.

Flashback se destaca pela suas animações fluídas

Além disso, contava com várias cutscenes com gráficos poligonais, o que para a época era bastante inovador (a cena da mão do personagem pegando objetos é inesquecível). Outro ponto de destaque é o seu enredo, muito bem construído e amarrado, instigando a curiosidade do jogador com mistérios e reviravoltas na trama (e bem distante dos clichês “salve a princesa” dos games da época). Com uma história scifi cyberpunk, lembra bastante filmes clássicos do gênero como “Blade Runner”, “O Sobrevivente” e “O Vingador do Futuro”, com uma abordagem cinemática de primeira qualidade.

As três versões são bem parecidas, porém a do SNES é bem mais lenta que a do Mega Drive (especialmente quando há muitos inimigos na tela), o que pode ser bem irritante/frustrante em algumas partes (e a Nintendo cortou algumas músicas e censurou alguns nomes, como a Death Tower, que virou Cyber Tower). Já a versão de Sega CD conta com alguns quadros de animação a mais, teve as cutscenes refeitas em animações FMV pré-renderizadas (particularmente acho as animações dos cartuchos melhores), diálogos dublados e uma excelente trilha sonora exclusiva, com qualidade de CD. Mas chega de enrolação e confira mais sobre o game abaixo.

veja introdução do game abaixo

A história

A história se passa no ano de 2142 e gira em torno de Conrad B. Hart, um agente da Galáxia Bureau, que descobriu uma conspiração de alienígenas infiltrados na nossa sociedade para dominar a Terra. A introdução do game mostra Conrad fugindo em uma moto espacial, perseguido por uma nave que o derruba numa selva (na lua de Júpiter, Titã). Ao acordar, ele percebe que perdeu a sua memória, mas graças a uma gravação de si mesmo num holocube, ele sabe que deve ir para Nova Washington (também em Titã) encontrar o seu amigo Ian para restaurar sua memória, e assim salvar o mundo. Contar mais que isso seria estragar a surpresa daqueles que nunca jogaram, mas saiba que este é apenas o início de uma trama envolvente, recheada de ação, suspense e espionagem. E uma curiosidade, a versão para PC conta com algumas cenas extras na introdução.

 

as animações cutscenes são um dos grandes destaques no game, junto com o enredo

Uma obra de arte

“Flashback” conta com um visual que impressiona, bem adulto (nada de nuvenzinhas sorridentes e bichinhos fofos) e detalhado, com cenários e áreas realmente caprichadas e belas (a primeira fase, na floresta, é uma das mais bonitas), especialmente por ser tratar de sistemas 16 Bits. As animações e cores foram bem trabalhadas, tudo projetado com extremo bom gosto e pensado em criar a melhor atmosfera para a imersão do jogador, com temas estilizados e com personalidade. As animações de Conrad são realísticas e fluídas, e as animações cutscenes agregam ainda mais valor visualmente (e eram incríveis para a época).

A versão cart do game não conta com uma trilha sonora, mas sim com temas curtos que aparecem apenas em momentos chave e de grande clímax. A maior parte do tempo, ouve-se apenas sons dos ambientes e outros efeitos sonoros como tiros e explosões, o que cria uma atmosfera de tensão e mistério maior para o jogador. Já a versão para Sega CD possui composições que tocam durante a ação, todos temas impecáveis que se encaixam muito bem com o estilo do jogo, bem envolventes e cinematográficas.

 

os cenários exigem habilidade e raciocínio do jogador

“Flashback” é um jogo que requer muita paciência por parte do jogador, pois sua ação se desenvolve de maneira lenta e calculada. Aqui não adianta sair correndo que nem louco, para passar de fase (e até mesmo por uma única tela), leva-se tempo apenas para andar, correr, pular, rolar, etc. A jogabilidade, num primeiro momento, parece ser meio “travada”, mas com o tempo é fácil de se acostumar. As fases (sete no total) são estáticas, ou seja, o personagem saí de uma tela para outra, o que geralmente pode acabar em morte por um penhasco ou um inimigo atirando na tela seguinte. Todo cuidado é pouco.

O design dos cenários são muito bem bolados, que exigem do jogador “timing” para pegar itens, pular plataformas, escapar de armadilhas, etc. Há vários quebra-cabeças (os famosos puzzles) para resolver em cada tela, que exigem um pouco de raciocínio e habilidade para alcançar certos locais ou para pegar itens. E falando neles, há muitos itens que podem ser utilizados, como chaves para abrir portas, dinheiro, cartões de segurança, pedras para distrair inimigos e ativar sensores, teleportes, um escudo de defesa, um cinto anti-gravidade, entre vários outros. Conrad usa apenas uma pistola como arma durante todo o jogo, sendo que alguns inimigos é possível matar apenas atirando neles, enquanto outros é necessário alguma estratégia (como rolar atrás deles ou fazer que atirem um contra o outro).

 

A dificuldade é bastante elevada e não se iluda, você IRÁ MORRER muitas vezes, seja acidentalmente ou por estar numa parte mais difícil, e possivelmente levará mais de cinco horas para terminá-lo (isso para jogadores experientes). O jogo possui alguns save points e passwords para cada fase, o que facilita um pouco as coisas. Algo bem interessante é a presença de NPCs, que interagem com Conrad, dando dicas e pedindo ajuda em troca de algum item importante.

“Flashback” contou com uma sequência, chamada de “Fade to Black”, lançada para PlayStation em 1995. Mas o seu estilo poligonal 3D não agradou os fãs, além de contar com uma péssima qualidade, e foi um fracasso de vendas. Um terceiro jogo, “Flashback Legends”, foi projetado para o Game Boy Advance, mas com a falência da Delphine em 2002, o jogo foi cancelado.

O manual do game ainda contava com uma história em quadrinhos de 14 páginas produzida pela Marvel Comics, que serve de prelúdio para o game. Se estiver curioso, é possível ler a história clicando neste link.

confira abaixo o tema principal da versão Sega CD