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Gangstar: Miami Vindication

“Gangstar: West Coast Hustle” estava longe de ser um jogo original. Praticamente uma cópia carbono de GTA (mais precisamente de GTA III, pelas limitações), ele ao menos mostrou uma boa coisa: a possibilidade de se fazer um jogo com uma cidade enorme e grande liberdade no iPhone, e tudo em 3D. Foi, na época, um dos projetos mais ambiciosos disponíveis na App Store.

Um ano depois, a Gameloft traz “Miami Vindication”, uma sequência tratada do modo que deve ser – ou seja, superior ao anterior em todos os quesitos. Ainda assim, será que ela vale o seu dinheiro?

Sem tempo para praia

Você assume o papel de Johnny Gainesville, que sai da Flórida e vai para a ensolarada Miami afim de resgatar seu irmão menor, que foi raptado por uma gangue. Para descobrir onde ele está e quem fez isso, será necessário se envolver com diversos criminosos e realizar missões para conseguir informações.

O roteiro é assinado por Rafael Alvarez, que trabalhou na série “The Wire”. Por conta disso, é fácil perceber a evolução tanto no script quando no desenvolvimento (ainda que pobre) dos personagens, principalmente quando comparamos com os terríveis e forçados diálogos de “West Coast Hustle”. Mesmo que esteja longe de render um oscar, ao menos agora é um pouco agradável acompanhar as cenas.

O mapa é muito maior desta vez. Miami está dividida em 2 grandes partes, com uma boa variedade de locais – praias, subúrbios, prédios e casas de luxo. O esquema de missões é aquele já conhecido – vá até as casas apontadas no mapa, cumpra a missão e vá para a próxima. Cada uma delas rende dinheiro, que pode ser gasto de diversas formas – é possível comprar carros, armas e consertar os bólidos. Nada fora do arroz-com-feijão, algo que a Gameloft poderia ter incrementado.

A variedade de veículos também cresceu, contando agora com motos, lanchas e até helicóptero, expandindo as possibilidades de exploração. O helicóptero, em especial, é mais complicado de controlar, tendo que regular altitude e direção lateral, além do uso do acelerômetro para acelerar e freiar. Fora isso, a jogabilidade carece de novidades, apresentando o mesmo joystick virtual já famoso em outros jogos da produtora. Vale lembrar também que o personagem agora pode nadar.

Visualmente, é notável a evolução nos detalhes, principalmente em relação a texturas, graças à otimização para o iPhone 4. A paisagem também ajuda, resultando em algumas lindas fotos. As animações, contudo, deixam a desejar, com mudanças bruscas de posição, e algumas vezes isso fica grotescamente evidente. A provável limitação de hardware também resulta em construções de cenários e elementos em movimento somem rapidamente – muitas vezes, uma simples mudança de ângulo de câmera faz todos os carros que passaram do seu lado sumirem.

O alto nível de produção segue na parte sonora, com algumas rádios variadas e dublagens para todos os diálogos. E caso a música não lhe agrade, você pode tocar suas playlists do iPod.

Apesar de ser um título recente, a Gameloft optou por ignorar, ao menos por hora, o Game Center. Desta forma, as conquistas seguem compatíveis apenas com o Gameloft Live!, a rede social para os jogos da produtora. Somos apresentados a uma nova versão do sistema, com uma aparência mais social, mostrando feeds dos seus últimos feitos, ranking global e maior facilidade para ver os jogos disponíveis, já que a versão anterior era bem limitada.

Não há muitos extras ou missões paralelas em “Miami Vindication”. A aventura se limita a alguns itens secretos e objetivos como pegar passageiros de taxi ou levar pacientes aos hospitais mais próximos. Mas isso nós já vimos há anos atrás.

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