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Principal franquia da Arc System Works, Guilty Gear sempre esteve no topo da cadeia alimentar dos fighting games, em especial se considerarmos a específica categoria do gênero em que ele se encontra, a de anime fighting game.

Com o lançamento de Guilty Gear Xrd SIGN a franquia não somente manteve tudo o que os fãs de Guilty Gear aprenderam a amar, como trouxe uma inovação visual muito bem-vinda. Lançado no ano de 2014, Xrd SIGN foi sucesso de crítica.

Seguindo a tradição não muito bem vista da Arc System Works, não muito depois do lançamento de Xrd SIGN foi anunciado sua continuação / atualização, jogo esse que é o foco da atual análise: Guilty Gear Xrd Revelator.

A primeira vista é fácil imaginar que Xrd Revelator é mais um upgrade “caça níquel” de um game de luta, que está sendo vendido como produto separado apenas para tirar mais uma casquinha da carteira do gamer. Infelizmente isso é uma prática comum no gênero.

Felizmente o conteúdo extra de Xrd Revelator faz valer uma nova compra.

Além da repaginada dos menus e do reequilíbrio de lutadores e mecânicas de jogo, Xrd Revelator traz consigo novos modos de jogo, um sistema de lobbys online totalmente diferente, mais personagens para escolha e a oficial continuação da história contada em Xrd SIGN.

O maior destaque dentre os novos conteúdos fica por conta do modo Tutorial, sem sombra de dúvidas o mais completo e competente que já experimentei em um fighting game.

O tutorial de um jogo serve para ensinar ao jogador suas principais mecânicas e maneiras mais gerais de utilização. Em vários gêneros de games tutoriais são recorrentes e cumprem muito bem o seu papel.

Infelizmente jogos de luta não possuem um histórico de se preocuparem com isso, o que é estranho considerando a alta complexidade de jogos desse gênero, em especial para os não iniciados a ele.

Poucos fighting games se importam em possuir um dedicado tutorial e menos ainda são os que o fazem com relativa competência.

O tutorial de Guilty Gear Xrd Revelator é um exemplo a ser seguido. Ele apresenta ao jogador, de maneira intuitiva e dinâmica, tudo o que é necessário saber inicialmente para se aventurar nas batalhas do game.

Para não correr o risco de se tornar algo maçante e que acabe afastando o jogador, o tutorial foi criado em um formato de mini games. Cada tópico do tutorial é destinado ao ensinamento de específicos tipos de mecânicas, partindo da básica movimentação de chão, passando pelos aerial dashes e culminando nos fundamentos do Roman Cancel e composição básica de combos mais complexos.

Cada lição pode ser repetida quantas vezes forem necessárias, garantindo que jogadores que possam demorar um pouco mais para compreender cada um dos ensinamentos possam assimilá-los a seu próprio tempo.

Não somente o tutorial mostra o cuidado da produtora para com seu público. O training é extremamente completo, não se limitando a trials de combos de personagens. É possível verdadeiramente customizar suas seções de treinamento graças a uma variedade de opções disponibilizadas.

Não satisfeita, a Arc System Works teve a sensibilidade de inserir dicas importantes e funcionais acerca de questões extremamente específicas. Se está com problemas para enfrentar um certo personagem, reagir a algum setup, se defender de algum golpe em específico, entre outros, o jogo possui dicas que podem lhe auxiliar nessas questões.

Guilty Gear Xrd Revelator mostra um enorme esforço para fazê-lo ser o mais acessível o possível a todo o tipo de jogador. Esse preocupação é muito válida, uma vez que se há algo que a franquia nunca foi, é acessível.

Desde sua concepção Guilty Gear é uma franquia de fighting game extremamente complexa. São muitas mecânicas a se compreender e muitas situações específicas para agir e/ou reagir em frações de segundos se o jogador quiser jogar a contento. Some isso a um cast extremamente diverso, não somente em design mas em gameplay, e você possui ai um game de difícil entrada.

Complexidade e diversidade sempre foram os maiores vedetes da franquia, mas ao mesmo tempo que isso faz com que o game seja uma virtuose dentro do gênero, afasta novos jogadores que com razão se assustam com a quantidade de informação e experiência devem possuir para começar a jogar.

Dito isso, Xrd Revelator, assim como Xrd SIGN, continua sendo um game que demanda treino e dedicação para conhecer a contento suas mecânicas gerais, as particularidades de cada char, os matchs e afins. Ou seja, ainda não é um game de luta exatamente acessível.

Felizmente dessa vez todas as informações do qual o gamer necessite estão a poucos menus de distância. Cabe somente ao jogador querer saber quais são as regras vigentes do jogo, compreendê-las e treinar.

O modo de história continua de onde Xrd SIGN parou, que na verdade é uma sequência de o que os games anteriores já deixaram como lore de storylinne.

Apesar disso é possível aproveitar o modo de história de Xrd Revelator mesmo sem jogar os jogos anteriores, graças a um resumido prólogo que faz um bom papel em ambientar o jogador acerca dos eventos passados mais importantes.

Importante citar que o modo história não possui uma fagulha de gamelay, sendo apenas uma animação criada com a engine do próprio jogo. É como assistir a um grande filme animado.

Se isso não faz a sua praia, o jogo possui o modo arcade que possui um pouco de contexto de enredo para cada um dos personagens do elenco.

No que cerne ao online, Guilty Gear Xrd Revelator possui possivelmente os mais charmosos lobbys que um fighting game pode proporcionar. Nele o jogador controla um personalizável avatar por um ambiente em que várias máquinas de arcade se encontram distribuídas. Para enfrentar um jogador, basta se sentar em uma das máquinas e desafiar o jogador que lá já estava, ou então aguardar ser desafiado.

Nesse mesmo ambiente se encontram locais específicos para as famosas partidas ranqueadas ou para a criação de um lobby particular, em que somente jogadores convidados pelo criador do mesmo terão acesso.

Os modos de jogo online em si não são nada inovadores, mas toda a vibe que esse lobby traz é único e muito bem-vindo.

Para acessar um lobby é preciso escolher de que parte do mundo está jogando e ai temos um problema, pois o jogo não possui servidores para a América Latina. Felizmente, é possível adentrar em algum lobby de outra localidade, criar o seu lobby particular e convidar jogadores brasileiros para dele participar.

O netcode do jogo é muito bom, proporcionando combates sem problemas de lags e altos input delas quando se jogando contra adversários de mesma região. Jogando contra brasileiros experimentei um input delay de no máximo 4 frames, o que é absolutamente aceitável em uma jogatina online.

Tecnicamente o game continua tão belo quanto Xrd SIGN. A tecnologia utilizada que faz com que não somente os polígonos sejam renderizados simulando um desenho animado, mas também elimina o efeito tridimensional da composição visual dos personagens. Isso cria um jogo 3D, mas com verdadeiramente a cara de um jogo 2D.

Unindo o fator técnico com o sempre inspirado design de personagens da franquia, temos um dos games de luta mais belos e visualmente únicos da atual geração.

O elenco que já tinha uma boa variedade, ganha mais cinco personagens, sendo três deles totalmente novos na franquia.

A trilha sonora, um dos pontos mais altos da franquia, mantém suas principais características, sendo composta de rock pesado e de qualidade. O estilo musical é o complemento perfeito para as lutas de Xrd Revelator, sempre frenéticas e tensas.

Como todo bom anime fighting game, Xrd traz vários colecionáveis e modos que deles se utilizem, como o diorama, por exemplo. Não é o tipo de conteúdo que mais seja relevante para o público de jogos do gênero, mas por certo é um incentivador para aumentar o fator replay do jogo para quem se interesse.

Há alguns meses atrás foi anunciado Guilty Gear Xrd Rev.2, para lançamento ainda nesse ano de 2017. É a Ark System sendo ela mesma e abusando dos updates de seus jogos, entretanto as melhorias não serão tão significativas e será possível adquiri-lo via DLC como complemento a Xrd Reveator.