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O presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), João Rezende, criou polêmica ao criticar em uma coletiva dada à imprensa na última terça-feira (19), as pessoas que jogam games online, justificando o fim de internet ilimitada.

Tem gente que adora, fica jogando o tempo inteiro e isso gasta um volume de banda muito grande“, criticou o empresário, que afirmou também que o “usuário comum“, aquele que não joga, acaba sendo prejudicado por pagar a mesma quantia e não aproveitar a conexão da mesma forma.

É evidente que algum tipo de equilíbrio há de se ter porque, senão, nós teremos o consumidor que consome menos pagando por aqueles que estão consumindo mais. É essa questão da propaganda, do ilimitado e do infinito que é um negócio que acabou desacostumando o usuário“, comentou.

Em pleno momento em que passamos por uma revolução na vida online no Brasil, com o crescimento, principalmente, de ferramentas de streaming como o YouTube, Netflix, Spotify, Twitch, entre outros, chega a Anatel querendo fazer um retrocesso no progresso digital. É claro que qualquer um com bom senso não reagiu bem a essa disparidade da companhia – tem até uma petição contra o limite de internet, com mais de 1,6 milhão de assinaturas.

Pessoas que usam todas essas ferramentas citadas (eu por exemplo, por conta do meu trabalho e também pelo lazer), serão os mais prejudicados por essa implementação de franquias. Como sempre, aqui no Brasil, ao invés de melhorar a infraestrutura das operadoras (e gastar muito $$$) para atender esses clientes, é mais fácil (e econômico) puni-los, limitando o uso da internet e aumentando os seus custos.

Rezende mirou sua arma especificamente para os gamers, demonstrando preconceito, segregação e desinformação (como declarou a Abragames) sobre a realidade da vida digital atual, ao emendar que isso afeta o “usuário comum“. Os serviços de streaming, principalmente a Netflix, atualmente faz parte do cotidiano do “usuário comum” – algumas operadoras de TV, inclusive, estão se adaptando para esse mercado, como o serviço NOW da NET, que oferece filmes, séries, desenhos e outros via streaming – serviços esses que gastam muito mais internet do que os jogos online.

A própria realidade dos gamers está mudando. Há pouco tempo atrás muitos só compravam mídias físicas, mas graças à promoções digitais, e a praticidade de se “poupar espaço na prateleira“, muitos migraram para os jogos digitais (novamente, eu sou um desses), e como sabemos, jogos atuais possuem grande tamanhos de downloads, em cerca de 30/50 GB.

Mesmo para quem optar continuando comprando as mídias físicas, também vai ter que gastar da sua “franquia de internet” para baixar arquivos de atualização, muitos disponibilizados no dia de lançamento do jogo, com alguns que chegar a pesar até 5 GB – Street Fighter V, por exemplo, possui um patch essencial de 6.6 GB.

Mas, voltando à questão da criação de franquias de consumo, será mesmo que os games são os grandes vilões que consomem muita internet online, como alega a Anatel? Em um levantamento feito pelo Gamehall, utilizando o programa GlassWire, que monitora o consumo de rede em um computador, testamos vários jogos com foco em partidas online para mostrar se realmente eles consomem tanta internet. Lembrando que não estamos considerando aqui o download do jogo e suas eventuais atualizações.

League of Legends

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Um dos MOBAs mais populares da atualidade, uma partida de 1 hora no LoL consumiu cerca de 30 MB, um gasto extremamente baixo.

DOTA 2

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Já uma partida de 1 hora de DOTA 2 consumiu um pouco mais, cerca de 40 MB, um valor ainda considerado baixo.

FIFA 16

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Para quem gosta de partidas de futebol, 1 hora de FIFA 16 consumiu míseros 13 MB.

Overwatch

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O novo jogo de ação da Blizzard também foi testado, consumindo 34 MB em uma partida de 1 hora.

Hearthstone

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Já o jogo de cartas Hearthstone mostrou-se extremamente econômico, consumindo apenas 910 KB em 1 hora.

Heroes of the Storm

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HotS teve um consumo um pouco maior, de 46 MB por hora.

CS: GO

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Entre os jogos testados, o Counter-Strike: Global Offensive foi o que mais consumiu quantidade de banda, com cerca de 80 MB em 1 hora de jogo.

Para efeitos de comparação, 1 hora de Netflix gasta cerca de 1 GB, uma quantidade muito maior do que se gasta jogando no mesmo período de tempo. Já uma hora ouvindo música no Spotify gasta cerca de 100 MB, um valor consideravelmente maior do que muitos games testados.

Portanto, após vários testes com jogos online populares, o Gamehall conclui que, diferente do que afirmou João Rezende (o que valeu uma petição para sua retirada da Anatel, com mais de 73 mil assinaturas até o momento), o ato de jogar online consome pouca banda da internet, especialmente quando comparado com outros serviços de streaming online, como o Netflix e Spotify – mesmo que um gamer passe um dia inteiro jogando, o consumo total não chegaria nem perto daquele consumido de quem assistiu ou ouviu músicas online durante 24 horas.

Felizmente, nesta última sexta-feira (23), a Anatel decidiu que as operadoras ficarão proibidas de limitar o acesso à internet de banda larga fixapor tempo indeterminado“, certamente por causa da onda de críticas dos últimos dias. Então, ao menos por enquanto, os usuários podem ficar tranquilos, pois até que empresa tome uma decisão, as operadoras “continuarão proibidas de reduzir a velocidade, suspender o serviço ou cobrar pelo tráfego excedente nos casos em que os consumidores utilizarem toda a franquia contratada, ainda que tais ações estejam previstas em contrato“, diz o órgão.

Mas lembre-se, o caso ainda está longe de acabar, a Anatel está apenas esperando a “poeira baixar” para voltar ao assunto em um futuro próximo. Mantenha-se informado acompanhando nossas notícias e matérias, e aproveite e deixe sua opinião sobre o caso nos comentários abaixo.