Kentum é Sobrevivência com PhD…
“Acordar depois de 7 mil anos de sono é a desculpa perfeita pra criar uma fábrica de batatas… e talvez salvar a humanidade.” ☕😈
Quando você lê a sinopse de Kentum, da Tlön Industries, pode parecer que está prestes a embarcar numa mistura de Terraria com Factorio, com uma pitada de Hollow Knight e diálogo sarcástico direto de episódio de Rick and Morty. Em outras palavras: um título tão ambicioso que parece ter sido escrito num quadro branco cheio de flechas e post-it. E sabe o que é mais curioso? Em muitos momentos essa maluquice funciona — e funciona bem.
🧠 O que é Kentum — simplificando antes que enlouqueçamos
Kentum te joga no papel de Kent, um cara comum que acorda depois de um cochilo de 7 milênios (isso é quase o tempo que o Chuck Norris passou sem piscar) em um planeta pós-apocalíptico estranho, cheio de biomas variados e recursos — desde flora exótica à rochas que parecem ter saído de sonho ácido.
Seu objetivo? Bem… reconstruir a humanidade. Ou, pelo menos, tentar. Como? Coletando materiais, criando ferramentas, construindo máquinas, automatizando produção e sofrendo bastante pelo caminho. É quase como se Factorio tivesse um filho com Hollow Knight, e esse filho tivesse um irmão mais nerd que queria escrever uma tese sobre “otimização de recursos em mundos pós-apocalípticos”, sabe?
🛠️ Gameplay e mecânica — crafting com PhD em automação
Se você já jogou algum survival moderno, prepare-se: Kentum é aquele jogo que te dá um stick (pau) no começo e te diz:
👉 “Boa sorte, meu chapa.”
Do pau você passa para:
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coletar recursos variados (floresta, fauna, minerais);
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criar ferramentas e máquinas;
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automatizar produção com esteiras e braços mecânicos;
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e posteriormente, construir uma base que seria a inveja do Tony Stark pós-apocalipse.
Essa fusão de survival, crafting, base building e metroidvania dá ao jogo um ciclo de jogo muito robusto:
você coleta → constrói → automatiza → explora → morre → respawna (porque tem clonagem) → repete com menos erros… talvez.
E sim, morrer vai acontecer — muitas vezes — seja por criaturas hostis, clima cruel ou pela sua própria burrice. A boa notícia? Quando você morre, você é clonadx e pode retornar rapidinho ao local da sua desgraça anterior.
🤖 ORB — o amigo sarcástico que teu eu tava certo em prever
Todo bom jogo com um protagonista meio perdido precisa de um alívio cômico. Em Kentum, esse papel é desempenhado por ORB, uma IA flutuante que te acompanha, dá dicas — e faz piadas sarcásticas sobre o fato de você ser um clone de si mesmo. Ele é praticamente a versão robótica do GLaDOS de Portal, só que um pouco menos homicida e um pouco mais cansada da tua incompetência ocasional.
As interações entre Kent e ORB são um dos pontos mais elogiados nas análises — há humor leve, momentos sinceros e aquele tipo de piada que te faz rir e pensar: “quem aqui escreveu isso bebe café forte demais?”
🌍 Exploração que lembra Metroidvania — mas com pegada extra
O termo craftervania que alguns sites usam não é brincadeira. Kentum combina exploração profunda e desbloqueio gradual de áreas, como em Metroidvania, com mecânicas de sobrevivência e crafting.
Conforme você progride, novas ferramentas e habilidades te permitem acessar áreas antes inalcançáveis — tipo Ori and the Blind Forest mas com mais planadores, ganchos e hoverboards — e, claro, mais confusão logística.
Essa mistura funciona bem porque:
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a exploração recompensa curiosidade;
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a automação dá aquele senso de progresso palpável;
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e cada novo bioma tem sua própria personalidade visual e mecânica.
É como se Terraria e Factorio fossem a mesma pessoa… depois de tomar uma xícara de café a mais do que deviam.
🧟 Espíritos cruéis — o mundo e seus desafios (além dos bugs)
O planeta em Kentum não está vazio. Há fauna hostil e flora curiosa que pode te atacar, condições climáticas imprevisíveis e recursos que mudam com as estações — o que adiciona um toque estratégico ao plano de sobrevivência.
Alguns jogadores e reviewers apontam que, mesmo com sistemas ricos, a exploração às vezes fica repetitiva no meio do jogo, especialmente quando os recursos que você mais quer estão no outro lado do mapa e você precisa caminhar ou teletransportar de volta várias vezes.
Mas isso é parte da experiência de sobrevivência: equilíbrio entre “eu quero continuar explorando” e “eu não quero morrer pela décima vez pra um bicho que parece uma planta com dentes”.
🛠️ Comparando com outros jogos famosos — porque referências são vida
🟡 Factorio
Automação em Kentum não é um extra: é o cerne da experiência. E sim, logo você vai se pegar pensando em esteiras como Liga da Justiça do crafting: podendo salvar um dia… ou se enrolar todo.
🟢 Stardew Valley
Como em Stardew, há uma sensação contínua de melhoria e progresso — só que em Kentum a agricultura pode alimentar sua base inteira. Além disso, não espere festas no festival da colheita aqui — espere expoentes tecnológicos e vento ácido.
🔵 Hollow Knight
Não pelo combate, mas pela estrutura de mundo entrelaçado que recompensa exploração. Kentum usa esse estilo como argumento narrativo para te manter curioso.
🔴 Satisfactory
Se você achava a sensação de “construir uma fábrica eficiente” terapia… Kentum é tipo terapia com psicólogo sádico te dizendo: “Mais esteira, jovem padawan.”
Prós:
- Mistura de survival, crafting, automação e metroidvania funciona muito bem, criando um loop viciante.
- Humor sarcástico de ORB e interações com protagonista trazem charme e personalidade.
- Três modos de jogo (Story, Creative, Sandbox) agradam diversos estilos de jogador.
- Visual estilizado e biomas variados tornam exploração interessante.
- A clona immortality (= morte não punitiva demais) mantém o ritmo fluido.
Contras:
- Curva de aprendizado pode assustar jogadores menos pacientes.
A exploração pode ficar repetitiva em longos períodos.
Alguns sistemas podem parecer complexos demais no começo.
Combate simples demais comparado a profundidade da base/automação.
Nota Final: 8/10
Kentum é aquele jogo que eu respeito mais do que amo. Ele é ambicioso, inteligente e cheio de boas ideias, mas também exige do jogador uma paciência quase monástica para aprender sistemas, aceitar a complexidade e lidar com momentos de repetição. Quando tudo encaixa, a sensação de progresso é deliciosa — quando não encaixa, parece que você está montando um motor sem manual. O humor funciona, a proposta é original e o loop de automação + exploração é viciante para quem curte esse tipo de experiência. Mas a curva de aprendizado íngreme e o excesso de sistemas podem afastar quem busca algo mais direto ou intuitivo. É um jogo excelente para quem gosta de pensar, planejar e otimizar, e apenas “ok” para quem quer ação rápida ou recompensas imediatas.