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O brinquedo preferido de 9 entre 10 crianças dos anos 80/90, as pecinhas dinamarquesas de encaixar LEGO permitia qualquer combinação e a imaginação de quem as usassem. Ganhou o mundo virtual dos videogames há alguns anos com vários títulos inspirados em blockbusters dos cinemas e quadrinhos, e agora finalmente chegou a vez dos super-heróis da Marvel Comics se transformarem nas icônicas peças coloridas em “LEGO Marvel Super Heroes” (LMSH), lançado no final de 2013 para quase todos os consoles e portáteis no mercado, incluindo os novos PS4 e Xbox One.

Após usarem a força em “Lego Star Wars“, de destruir o anel em “Lego The Lord of the Rings” e detonar os vilões da DC Comics em “DC Super Heroes“, será que a produtora britânica TT Games conseguiu trazer algo novo, e divertido, com os cultuados heróis da editora norte-americana? A resposta é “sim, ela conseguiu” fazer de LMSH um jogo excepcional, que usa toda a sua maturidade e experiência nos games anteriores aplicados aqui, junto com uma história totalmente inédita que consegue juntar uma vasta galeria de heróis e vilões – que normalmente não se encontrariam nos quadrinhos ou cinema – num universo harmonioso e super divertido, que vai agradar a qualquer fã de super-heróis! Agarre sua teia ou armadura de ferro e nos acompanhe na análise desse belo jogo!

Galeria de heróis e vilões invejável!

Quem acompanha quadrinhos sabe que uma de suas maiores alegrias é conferir seus heróis preferidos em outras mídias, e nada melhor do que poder jogar com eles nos videogames. E certamente LMSH é o jogo em que você vai encontrar o maior número de super-heróis controláveis já feito num console. São cerca de 150 personagens disponíveis (alguns desbloqueáveis, escondidos ou apenas via pacote DLC), cada qual com seus poderes e habilidades únicas.

Claro que os mais famosos são os que mais aparecem, como os Vingadores, o Homem-Aranha, os X-Men, o Quarteto Fantástico, assim como personagens de segundo escalão da editora, como o Demolidor, Deadpool, Dr Estranho, Elektra e até pessoas “normais”, como a Tia May, Gwen Stacy, Pepper Potts, Mary Jane e J. Jonah Jameson. Inclusive, o Agente Phil Coulson também está disponível como jogável, assim como Stan Lee, o criador da maioria dos super-heróis Marvel. E ambos os personagens são dublados por suas contra-partes reais, o ator Clark Gregg e o próprio Stan Lee.

A galeria de vilões também não fica atrás, com nomes grandiosos como Doutor Destino, Thanos, Loki, Magneto, Venon, Duende Verde, Fanático, entre vários outros, e o “maior” de todos: Galactus, o Devorador de Mundos.

Para crianças e adultos

A história é totalmente inédita, pegando emprestado alguns pedaços de sagas famosas dos quadrinhos, num gigantesco e inteligente crossover de super-heróis. A S.H.I.E.L.D. está tentando impedir que o Dr. Destino, aliado com o Loki e um exército de vilões, junte os pedaços da Cosmic Bricks (pedaços da prancha cósmica do Surfista Prateado) espalhados pela Terra, com o objetivo de construir uma arma super poderosa.

A história é simples, mas bastante atraente e consegue fazer ligações entre todos os heróis e vilões existentes. Crianças vão adorar, assim como os adultos, de acompanhar a narrativa que se desenvolve agradavelmente. O jogo começa com o Homem-Areia e o Abominável destruindo o centro de Nova York à procura de uma Cosmic Brick, o que chama a atenção do Homem de Ferro e Hulk. Aqui temos nosso primeiro contato com os heróis e sua mecânica de jogo. Os diferentes comandos são mostrados na tela, e apesar de serem facilmente aplicados, vai exigir um certo tempo e dedicação para dominar todas as habilidades e super-poderes.

Todos os personagens estão bem caracterizados e cada um tem seu papel de destaque durante o jogo, coisa que não acontecia nos outros jogos Lego da TT Games, como “The Lord of the Rings”. Apesar de vários heróis terem habilidades semelhantes, o nível de variedade e combinação é extenso para cada um, sendo que cada personagem é útil à sua maneira.

A história principal não possui grandes desafios, e claramente foi feita para agradar as crianças ou jogadores casuais, com uma estrutura repetitiva que segue os moldes de enfrentar inimigos, resolver enigmas simples, mais inimigos e derrotar o chefão. Mas LMSH não esqueceu dos gamers adultos e hardcore, e nos oferece uma Nova York em mundo aberto para ser explorada (incluindo o Helicarrier de Nick Fury), ao melhor estilo GTA de ser.

É possível escolher várias missões paralelas nas ruas da cidade mais famosa do mundo e assim conseguir dinheiro, itens secretos, desbloquear personagens, escolher veículos clássicos dos heróis (tem até a moto do Motoqueiro Fantasma e o infame Aranhamóvel), repetir missões com personagens diferentes e acessar novas áreas, entrar nos prédios (como o QG do Quarteto Fantástico ou a prisão para super-vilões Raft), pilotar qualquer carro da cidade (que são gentilmente cedidos pelos motoristas para “assuntos de super-herói”) ou simplesmente pegar o Hulk e sair destruindo tudo que encontrar pela frente.

Visuais quadrados e dublagem heroica

Apesar do visual “quadrado“, tudo em LMSH é muito bem feito e harmonioso e está longe de ser considerado “feio“, com cores vibrantes e bom uso de efeitos de iluminação e sombras.  Os cenários são totalmente compostos por peças Lego e possuem designs inspirados e agradáveis à vista, especialmente nas explosões e destruições, em que voam pecinhas para todos os lados.

Outro destaque é a excelente dublagem usada no jogo, com diálogos descontraídos que captam bem a essência de cada personagem, usando frases de efeito ou piadinhas. A maioria dos dubladores já emprestaram suas vozes para os personagens em outros games ou desenhos animados, o que explica o bom desempenho. Além disso, o jogo possui legendas em português, caso o seu inglês esteja meio enferrujado. A trilha sonora contém excelentes temas orquestrados heroicos/épico que vão embalar bem as suas aventuras.

Mas nem tudo é perfeito, o título apresenta alguns defeitos, como bugs e falhas gráficas que cortam paredes, que faz personagens desaparecerem ou pior, que podem travar a tela. Temos também longas tela de carregamento e umas travadinhas em algumas cutscenes, além dos já habituais estranhos ângulos de câmera, que as vezes mais atrapalham do que ajudam. A IA também não é muito eficiente, e o nível de dificuldade é bem baixo, sendo que os pontos mais interessantes são as batalhas contra os chefões de fase, em que o jogador vai precisar usar diferentes estratégias para atingi-los.

Algo importante: LMSH é muito mais divertido quando jogado com um amigo, já que o forte da franquia sempre foi o modo cooperativo.