Análises

Lost Planet 3

E quem diria que o primeiro “Lost Planet: Extreme Condition“, lançado lá no longínquo ano de 2006, iria permanecer no cenário gamístico sete anos depois. Tá certo que o jogo chamou a atenção pelo seu visual caprichado, mas deixava a desejar no resto. Ainda assim ganhou uma sequência em 2010, também com qualidade duvidosa, mas que agradou aos gamers menos exigentes e fãs de jogos de tiro sem profundidade alguma. E assim chegamos ao “Lost Planet 3“, que segue as mesmas características dos dois anteriores, ou seja, jogo de tiro em terceira pessoa e no mesmo planeta E.D.N. III. A novidade é que ao invés de ser uma sequência, ele é um prequel, seus eventos ocorrem antes dos dois primeiros jogos. E quanto à qualidade, os caras acertaram na terceira vez? Infelizmente a resposta é NÃO, não foi desta vez que LP sairá do limbo da mediocridade.

Mas calma lá, antes de detonar o bicho, vamos por partes. Os títulos anteriores foram desenvolvidos internamente pela Capcom, enquanto que LP3 foi feito pela Spark Unlimited, produtora americana novata que já fez alguns jogos de tiros por aí. Ok, mudanças as vezes são boas, especialmente em algo que não vem dando certo, então sai os japas e entram os americanos. E numa coisa finalmente acertaram: o enredo. O jogo pode ser considerado um novo início para a série, e se os dois anteriores pecavam por não ter uma boa narrativa e personagens, LP3 pelo menos possui um enredo mais sólido.

Esqueçam os cenários tropicais do segundo game, aqui o planeta E.D.N. III é um ambiente repleto de neve e gelo. O protagonista é Jim Peyton, um dos primeiros colonos do gélido planeta e um simples peão de obra, que trabalha como piloto dos enormes mechas Mecanotriz para a companhia Neo-Venus Construction (NEVEC, futura antagonista da série), enviando minerais para a Terra e em busca de Energia Térmica, a preciosa fonte de energia natural do planeta. Em meio a problemas familiares (Jim é casado e tem um filhinho), intrigas com a NEVEC vão surgindo, além das surpresas que o misterioso planeta reserva. A narrativa é boa, é interessante acompanhar o desempenho de pessoas normais em um planeta inóspito e totalmente ameaçador. Há um grau de suspense e uma atmosfera de apreensão que pode até nos fazer lembrar do clássico “Alien: O Oitavo Passageiro”, ou para citar um game mais recente, “Dead Space 3”.

Hora de malhar o jogo agora. Um dos aspectos mais interessantes da série é o de poder controlar os Mechas bípedes para combater os alienígenas Akrids gigantes, e por um momento, é realmente muito bacana, pois a visão muda para primeira pessoa e a ação ganha novas proporções. Como os Mechas foram projetados para trabalhos de escavação, eles não possuem armas de destruição militar. Com a garra esquerda é possível segurar, enquanto a direita é usada para perfurar. Então nada de soltar bombas ou mísseis nos bichos crustáceos, aqui é tudo na base da porrada, no melhor estilo “Círculo de Fogo“. Comandá-los gera uma grande satisfação e uma sensação de poder imenso, você se sente indestrutível ao ver as minúsculas criaturas no chão ou abrindo passagem em cavernas. Infelizmente, depois de um tempo, esse tipo de combate acaba cansando, e acaba tudo se resumindo aos Quick Time Event (ações em que se deve apertar determinados botões em determinado tempo).

O uso dos Mechas são intercalados com as ações no solo em terceira pessoa, e aqui temos apenas o mais do mesmo, seguindo o que já foi mostrado nos trilhões de jogos do mesmo gênero, ou seja: ande, atire, colete armas e munições, complete missões como consertar plataformas, reativar reatores, abrir uma porta aqui, peguar um fusível ali, entre outras coisas que geram dinheiro para Jim fazer upgrades e comprar novas armas/equipamentos, inclusive é possível “turbinar” o seu Megazord também. Ao menos as missões não são lineares como os anteriores, há uma liberdade e variedade bastante grande, dando a impressão de ser um jogo em um “mundo aberto“. Mas novamente, sem novidades interessantes, e com o tempo acaba ficando tudo repetitivo.

Graficamente está longe de impressionar, algumas texturas estão bem mal feitas, o design dos personagens as vezes parecem marionetes desengonçadas. Além disso, o jogo apresenta vários tipos de bugs que podem quebrar o clima legal, como monstros cortados, o personagem ficar preso em paredes, queda na taxa de quadros, slowdowns, etc. Alguns cenários colossais, com apelo scifi futurista, até se apresentam bonitos na tela, mas ainda estão longe do patamar de qualidade para um título de final de geração. Entretanto, o design artístico dos Akrids e dos Mechas estão bem feitos, apesar da pouca variedade, mas algumas lutas entre os dois gigantes podem gerar um show visual bem satisfatório.

Algo que gostei bastante foi da trilha sonora, composta por Jack Wall, mais conhecido por aqui como um dos idealizadores do concerto Video Games Live. As legendas em português, por incrível que pareça, receberam excelentes traduções, com termos e gírias como “Caraca” e “A patroa vai gostar disso” que nos fazem pensar que estamos falando com alguém do nosso cotidiano, aquele teu brother de jogatinas.

Já as modalidades multiplayer, que foram um diferencial notável nos jogos anteriores, aqui se apresenta sem grandes brilhos, sendo ele bem genérico e sem nenhuma inovação, com modos que podem ser disputados em até 10 jogadores (5×5).

Márcio Pacheco

Márcio Alexsandro Pacheco - Jornalista de games, cultura pop e nerdices em geral. Me add nas redes sociais (links abaixo):

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