Beleza, senta que lá vem história — e sim, eu sei que devo ser uma das poucas almas vivas que realmente se importa com Marathon. Tudo bem. Eu aceito esse fardo. Alguém precisa lembrar que esse nome existia antes de virar buzzword de extraction shooter moderno.
Marathon volta em março — e eu já jogava isso quando Mac parecia micro-ondas
A Bungie anunciou oficialmente que Marathon chega no dia 5 de março, com pré-venda já liberada por R$ 164,90 na edição padrão e R$ 244,90 na Deluxe, para PC, PS5 e Xbox Series. E antes que alguém pergunte: sim, eu vou jogar. Sim, eu vou reclamar. E sim, eu vou gostar.
Porque diferente de metade da internet gamer, eu joguei Marathon lá atrás, nos anos 90, num Mac velho emprestado, daqueles que faziam mais barulho que um PS4 jogando The Last of Us Part II. Tela pequena, mouse duro, teclado esquisito… e ainda assim, aquilo era ficção científica de respeito.
Enquanto o resto do mundo só descobriu a Bungie no Halo, Marathon já estava lá, contando história por terminal, fazendo lore em texto, tratando o jogador como alguém que sabia ler — algo cada vez mais raro.
O que é Marathon em 2026 (pra quem não viveu os anos 90)
Agora, claro, não é mais aquele Marathon. Não adianta fingir. Em 2026, a Bungie resolveu transformar o nome em um PvPvE de extração, com aquela vibe meio Escape from Tarkov encontra Destiny depois de passar no RH.
Você controla Corredores biocibernéticos, explorando a colônia abandonada de Tau Ceti IV, tentando sair vivo, rico e inteiro — o que geralmente não acontece. Tem inimigo controlado por IA, tem outros jogadores querendo sua cabeça e tem aquele clima clássico da Bungie: design limpo, tiro gostoso e lore escondido em cada canto.
É extraction shooter? É.
É moda? Também.
Mas pelo menos é um extraction shooter com pedigree, não um “vamos copiar Tarkov porque deu dinheiro”.
Jogabilidade: Bungie sendo Bungie (isso é elogio)
Pelo que o trailer mostra — e pelo histórico da Bungie — o gunplay deve ser absurdamente redondo. Eles erram em monetização, erram em comunicação, erram em promessas… mas erram muito pouco quando o assunto é atirar.
As armações de Corredor funcionam como classes, cada uma com foco diferente:
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Destruição
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Assassino
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Rapina
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Vandalismo
Tudo com habilidades próprias, progressão e aquele toque de “isso aqui foi testado por alguém que realmente joga videogame”.
E sim, antes que alguém pergunte: vai ter cross-play e progressão cruzada, porque se não tivesse em 2026, já podia fechar o estúdio.
Preço e edições: Bungie sendo Bungie (agora é crítica)
Vamos falar do elefante na sala: R$ 164,90 num jogo que vai viver de passe de recompensas, cosmético e eventos sazonais. Não é barato, mas também não é aquele tapa na cara nível “edição básica por 350”.
A edição padrão já inclui todas as atualizações de gameplay futuras, o que é o mínimo aceitável. A Deluxe… bem, a Deluxe é aquele pacote clássico pra quem gosta de skin escura com nome dramático tipo DETERIORAÇÃO NOTURNA.
Nada de errado — só não finjam que isso não vai virar uma loja cheia de coisa neon em seis meses. Vai. A Bungie sempre chega lá.
Destiny 2 no meio porque… Bungie
Claro que Destiny 2 não podia ficar de fora. Quem já joga Destiny vai ganhar recompensas cosméticas, ornamentos, nave, pardal, gesto… aquela troca de favores clássica entre jogos da mesma empresa.
Não é obrigatório, não quebra o jogo, mas é aquele empurrãozinho básico pra manter o ecossistema Bungie girando. Nada novo sob o sol.
O controle DualSense: bonito, caro e vai sumir rápido
E sim, anunciaram um controle DualSense edição limitada de Marathon. Visual futurista, design estiloso, preço padrão de controle especial e estoque que vai evaporar antes de chegar oficialmente no Brasil.
A pré-venda começa em 29 de janeiro lá fora, lançamento junto com o jogo. No Brasil? A gente já sabe: silêncio, depois anúncio atrasado, depois “quantidades limitadas”, depois Mercado Livre cobrando o dobro.

Eu sei: quase ninguém liga pra Marathon (e tudo bem)
Vamos ser honestos: Marathon não está no hype de GTA VI, não está no hype de Monster Hunter, não está no hype de nada. E talvez isso seja até bom.
Porque quando todo mundo ignora, sobra espaço pra quem realmente quer jogar. Sobra menos influencer fingindo que ama. Sobra menos vídeo de “isso vai matar o gênero”. Sobra jogo.
E pra mim, pessoalmente? É quase emocional. Ver a Bungie resgatar esse nome, esse universo, essa vibe… me lembra de quando jogo de tiro ainda vinha com história estranha, terminal pra ler e sensação de isolamento.
Veredito pré-lançamento do tiozão
Marathon não vai agradar todo mundo. Vai ter gente reclamando do preço, do gênero, da monetização, da comparação com Tarkov, da comparação com Destiny, da comparação com a própria sombra.
Mas se você:
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gosta de gunplay bom
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curte ficção científica estranha
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aceita extraction shooter
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e não tem alergia a jogos que exigem atenção
…tem tudo pra ser uma experiência bem mais interessante do que muita coisa hypada por aí.
E se der errado? Pelo menos eu vou poder dizer:
“Eu joguei Marathon antes de virar moda. Nos anos 90. Num Mac emprestado.”
E isso, meu amigo, ninguém me tira.