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Max Payne 2: The Fall of Max Payne

Continuação do clássico jogo da Remedy Entertainment, Max Payne 2 é mais um daqueles jogos com a difícil missão de manter ou superar o sucesso de seus antecessores, algo que nem sempre é alcançado, deixando muitos fãs frustrados mesmo que a continuação em si não seja ruim. Felizmente, The Fall of Max Payne é uma continuação bem sucedida, com ótimo enredo muito bem conduzido, gráficos melhores e mecânica de jogo um pouco mais refinada, ficando apenas abaixo na questão de vendas, bem inferiores ao título anterior, o que é difícil explicar já que o jogo ganhou vários prêmios e foi aclamado pela crítica especializada e por seus fãs.

Sombria, violenta, cheia de mistérios e reviravoltas

Após conseguir sua vingança pela morte de sua família, Max Payne é preso, como visto no primeiro jogo da série. No entanto, assim como o senador Alfred Wooden prometeu, com seu poder e influência consegue transformar o renegado agente do DEA (Força Administrativa de Narcóticos) em um herói. Apesar disso, Max não se sente nada contente por ter se transformado em um “herói” e deixa o DEA, transferindo-se para o NYPD (Departamento de policia de Nova York), assumindo o cargo de detetive, e, nas palavras de nosso amargo e depressivo herói, “de volta as ruas”. Em uma patrulha de rotina, a central comunica pelo rádio um tiroteio em um galpão, sendo que Max se prontifica para verificar o local. Chegando lá, duas surpresas aguardam o herói, uma é o reencontro com Mona Sax, que foi baleada na cabeça no primeiro game e a outra é uma companhia conhecida como “The Cleaners”, que ataca o protagonista e está envolvida em uma série de assassinatos.

Esse é a ponta inicial da história do jogo, porém não é a primeira a ser apresentada, já que a trama começa com um prólogo contando eventos mais avançados da história, para então depois voltar ao início, como em um flashback, algo comum em muitos filmes de Hollywood. Alias, Max Payne 2 é quase como um excelente film noir, com a diferença que permite ao telespectador tomar controle do protagonista nos momentos de ação e com a história sendo contada como se fosse uma revista em quadrinho americano (HQ) nas cenas de corte, contando ainda atores reais contracenando para dar mais charme, assim como acontecia no primeiro jogo; há também uma opção com um breve resumo da história do primeiro game, para quem não conhece ou se esqueceu.

Tudo que se preze em um film noir está presente em Max Payne 2, desde a excelente trama, que é sombria e cheia de mistérios, reviravoltas além de reservar muitas surpresas, pontuada com muitos personagens marcantes, como o clássico e estereotipado chefe de polícia, Jim Bravura, que parece sempre estar bravo com seus comandados ou a enigmática e sensual Mona Sax, que sempre promove muitos momentos quentes e que deixam a cabeça do jogador com mais perguntas que respostas em suas aparições, sem esquecer é claro do nosso protagonista melancólico e autodestrutivo, Max Payne, que vive atormentado por seu passado, além de muitos outros. Todos os personagens têm um propósito e motivação, nada de figuras apenas para encher linguiça ou gastar tempo, todos tem sua importância na história e tudo funciona muito bem, devido ao excelente roteiro, que além de bem conduzido é beneficiado pela dublagem que é nota 10, com todos inimigos, personagens principais e secundários, tendo um trabalho impecável, com diálogos que transmitem emoção e todo o clima apresentado nos quadrinhos durante as cenas de corte ou durante a aventura, no controle de Max. É realmente uma pena que, mesmo com todos esses excelentes ingredientes, a adaptação de Max Payne para os cinemas tenha sido tão ruim, entrando para a lista das fracassadas transições de jogo para cinema e vice-versa.

O bom e velho Max Payne

Sombria, empolgante e marcante, a história do jogo por si só já seria um motivo mais que suficiente para encarar as aventuras de Max, mas quem almeja o topo não pode se contentar com pouco e a Remedy Entertainment pegou tudo que era bom no jogo anterior e melhorou, trazendo uma mecânica de jogo coesa, sem bugs, divertida e com muitos desafios. Max Payne 2 funciona exatamente como no anterior, visão em terceira pessoa e com muitos inimigos na tela para matar, porém os controles sofreram modificações bem vindas, com mais opções para personalizar a gosto do jogador – na versão para PC –, como a opção de mudar estilo da mira ou o refinamento nos controles do bullet-time, que permite somente ativá-lo ou usar os famosos saltos de Max em câmera lenta.

Alias, usar o bullet-time continua sendo MUITO divertido, principalmente com os gráficos refinados que permitem visualizar as balas com melhor nitidez, proporcionando um efeito muito bonito e tiroteios empolgantes, como aqueles vistos nos melhores filmes de Hollywood. A melhora não foi só nos controles, passando também pelo excelente design das fases, que sempre levam o jogador a novas localidades e pelos trajetos mais loucos, como atravessar de um prédio para outro pulando por sacadas e andaimes, tudo ao melhor estilo de Max Payne, ou seja, com muitos inimigos atirando em você e prédios sendo consumidos por fogo e explosivos. O excelente design compensa a linearidade da campanha principal, que oferece praticamente nenhuma rota alternativa para completar as missões.

Se a campanha é linear, por outro lado, as missões tentam variar bastante, passando desde o clássico chegue do ponto A ao B, há escoltas de civis, momentos de plataformas, com prédios em chamas e pouco espaço para erros e algumas bem divertidas, como quando você pega o controle de Mona Sax e deve fornecer cobertura a Max do topo de um prédio utilizando um rifle de precisão; outra novidade do jogo, a possibilidade de controlar Mona e Max durante a campanha. Além das missões que tentam sempre dar novas tarefas ao jogador, a mecânica de Max Payne 2 permite abordar os inimigos de várias maneiras, graças ao bullet-time e o vasto arsenal, que passa das clássicas pistolas Beretta e Desert Eagle a rifles, espingardas e metralhadoras.

Outro ponto de destaque do jogo é a ambientação e cuidado aos detalhes. Tudo é feito para passar ao jogador a sensação de que o mundo envolto do protagonista se comporta de maneira verossímil, como o prédio onde Max mora, que conta com os inconvenientes vizinhos além de algumas figuras bem divertidas, como o divertido mendigo que aparece em vários momentos do game. Em dados momentos, caso você tenha paciência, é possível ver os inimigos batendo aquele papo, fazendo brincadeiras e, até mesmo, mostrando nervosismo com sua presença, inclusive delatando suas próprias armadilhas; não da para não mencionar também a programação que aparece na TV, que mais parece ser uma divertida sátira com a própria história do protagonista. Todos esses momentos, os cuidados nos detalhes, como os pentes e balas que ficam no chão após usar as armas, fazem de Max Payne um jogo imperdível, com uma campanha viciante e satisfatória, que apesar de ser curta e linear presenteia o jogador com momentos intensos, cómicos e dramáticos.

 

Melhorias bem vindas

Max Payne 2 conta também com melhorias visuais, sonoras e de física. O motor de física Havok 2.0 cria colisões bem melhores, permitindo que o ambiente em volta de Max reaja de forma mais realista, sem os problemas de ficar preso no cenário ou de caixas que parecem não obedecer às leis da física. Os gráficos estão bem melhores, com texturas em maiores resolução, tanto dos cenários como dos personagens, que receberam também mais polígonos e animações mais realistas, inclusive nas expressões faciais, que não existiam no primeiro jogo. Os efeitos de fogo, luz e sombra, faíscas, explosões também receberam uma nova cara, sendo bem mais bonitos e ajudam a conferir um ar de superprodução ao jogo, principalmente com o efeito do bullet-time, que está muito mais bonito do que estava em sua estreia, em 2001.

Os efeitos sonoros também receberam melhorias, com dublagens excelentes, tantos dos inimigos como dos personagens principais, que ajudam muito na imersão do jogador. As armas possuem sons mais realistas, assim como as explosões e outros efeitos, como os de passos e o barulho da chuva. A qualidade também está presente na trilha sonora, que apesar de ser incidental, aparecendo em apenas alguns momentos, casam perfeitamente com a história dramática e sombria do depressivo protagonista, alternando algumas vezes com alguns ritmos mais acelerados nos momentos de ação.

 

Fator replay

O jogo ainda tem um alto fator replay, com novos desafios que são liberados conforme você zera o jogo pela primeira vez. É possível encarar a aventura novamente em dificuldades maiores com Hard-Boiled e Dead on Arrival, que possuem inimigos mais espertos e mais resistentes, além do jogador tomar danos maiores e ter um número de saves limitado por missão. Há também a possibilidade de escolher uma missão específica para jogar novamente além do clássico New York Minute, que sofreu uma reestilização e agora é uma modalidade onde você precisa terminar as missões no menor tempo possível. Há uma nova modalidade, o Dead Man Walking, que o coloca em cenários fechados e você deve sobreviver o máximo de tempo possível às hordas de inimigos que aparecem a todo instante.