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Após dez anos de espera desde o lançamento de “Mega Man 10”, a Capcom finalmente resolveu trazer o seu carismático robozinho azul em uma aventura inédita, e não mais em uma coletânea.

Continuando a série original, criada em 1987, “Mega Man 11” já se encontra disponível para PC, Nintendo Switch, PlayStation 4 e Xbox One, e tem como destaque um retorno às suas origens, mas com um visual e trilha sonora mais modernizados, diferente do que aconteceu com Mega Man 9 (2008) e 10 (2010), que mantinham a fórmula 8 bits.

Se você é um jogador da antigas (como eu), da época do saudoso nintendinho, certamente vai amar MM11, feito especialmente para jogadores e fãs como você. Mas se é um novato na franquia (afinal, são 10 anos sem um jogo novo), essa é uma boa oportunidade de conhecer a franquia e a fórmula que fez do personagem um grande fenômeno nas décadas de 1980/90.

O jogo, que contou com direção de Koji Oda (Resident Evil 0, Strider de 2014) substituindo o criador original Keiji Inafune – que não conseguiu agradar a galera com o “sucessor espiritual” Mighty No. 9 -, apresenta personagens 3D poligonais e ambientes desenhados à mão, baseados no pixel art dos jogos anteriores, que se apresentam muito bem na tela da TV. O design artístico mantém as características originais sem mudanças radicais, apenas adicionando pequenos detalhes graças ao poder dos gráficos de alta qualidade.

A trilha sonora, elemento que sempre se destacou nas aventuras de Mega Man, também recebeu uma repaginada moderna, mas mantendo os temas eletrônicos eletrizantes que combinam perfeitamente com a ação do game.

Outro ponto que sempre se destacou em um jogo da série foi seu altíssimo nível de desafio, e Mega Man 11 também não decepciona nesse quesito (é possível escolher entre quatro dificuldades). Prepare-se para passar por vários momentos de raiva enquanto tenta chegar ao final de um estágio.

Os cenários são bem extensos e com designs feitos unicamente para complicar a vida do jogador, como inimigos e obstáculos estrategicamente posicionados nos cenários. Mas provavelmente o que vai provocar mais frustração é que os checkpoints durante as fases estão bem distantes um do outro, e é bem comum você morrer em uma parte avançada e ter que retornar lá para o início.

Essa frustração aumenta ainda mais quando se encontra um obstáculo extremamente difícil de se passar, e as inevitáveis mortes ocorrem seguidas vezes. Além da boa e velha habilidade com jogos de plataforma 2D, o jogador também vai precisar saber bom uso do timing, para saber a hora certa para pular em plataformas ou atirar em inimigos.

São oito estágios que podem ter a sua ordem escolhida, assim como nos jogos originais. Cada uma delas possui um robô chefão (sugerimos começar pelo Block Man e então Fuse Man), que fornecem uma nova arma quando vencidos. Enquanto nos jogos antigos pouca coisa mudava de uma arma para outra, aqui realmente cada uma tem sua característica própria, inclusive no visual de Mega Man.

Nosso herói azulão pode executar movimentos clássicos como o Mega Buster (segurar o botão de tiro) e o deslize, e além das armas adquiridas dos inimigos, tem como novidade o Double Gear, sistema que concede ao personagem duas habilidades adicionais: o Speed Gear e o Power Gear.

O Speed Gear aciona uma câmera lenta, permitindo evitar ataques ou dar a oportunidade para se passar em áreas mais complicadas – técnica essencial caso você queira avançar neste jogo! Já o Power Gear, como o nome revela, aumenta o poder de ataque das armas do Mega Man. Ambos só podem ser utilizados por alguns segundos, até estarem disponíveis novamente. Além disso, caso queira alcançar áreas mais distantes, é possível chamar seu fiel cão robô Rush para dar uma ajudinha.

Por fim, o jogo traz vários modos extras, incluindo desafios de tempo e missões, placares globais e uma galeria de arte conceitual.

Como pontos negativos eu destaco a ausência de menus e legendas em português e uma narrativa que poderia ser bem mais elaborada, inclusive contendo animações entre uma fase e outra. O valor de R$ 150 nas versões consoles também deixa um gosto amargo, ainda mais em comparação com a versão PC, que apresenta um preço mais justo de R$ 70.