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– Mais um jogo fantástico de Hideo Kojima para a franquia MGS –

Apesar de Metal Gear Solid: Peace Walker ser para o portátil da Sony PSP, ele pode ser considerado o maior jogo da série MGS. O game pode ser terminado em mais ou menos 15 horas, mas ele apresenta tantos conteúdos extras que essas horas podem ser multiplicadas por 3, ou até mais horas. E você que possui um PSP, aproveite bem o título, pois ele pode ser o último a ter um “Snake” como protagonista, já que seu dublador oficial americano disse não ter sido chamado para o novo game da série, MGS: Rising, que tem como protagonista o personagem Raiden.

A história de Peace Walker se passa em 1974 em meio à Guerra Fria, 10 anos após os eventos de MGS3 e quatro anos após MGS: Portable Ops. A ambientação permance na América do Sul, focando novamente no lendário soldado “Naked Snake” (agora conhecido como Big Boss). Após matar a sua mentora “traidora” The Boss em MGS3, encontramos um Snake desiludido que vai embora dos Estados Unidos e cria uma milícia mercenária chamada Militaires Sans Frontieres (MSF – o exército que eventualmente se tornará Outer Heaven que Solid Snake terá que destruir no MGS original), soldados que tem como causa ajudar aqueles que precisam de sua ajuda. É quando um professor e uma estudante chamada Paz Ortega Andrade aparecem implorando por auxílio. Parece que um grupo militar desconhecido invadiu a Costa Rica, e como o país não possui uma força militar, o professor pede ajuda da MSF para acertar as coisas. Snake de início se recusa a ajudar, mas quando o professor mostra uma fita que mostra que aparentemente The Boss ainda está viva, ele muda de ideia.

Assim começa a narrativa de Peace Walker, que está muito bem elaborada e certamente é uma das melhores histórias já criadas por Hideo Kojima para a série. Peace Walker tem a vantagem de não enveredar para histórias complexas e confusas, que normalmente ocorreu em outros games. A missão de Snake é clara e objetiva: descobrir se The Boss está viva e o que a levou a trabalhar com os soviéticos. E nós vamos ver um Snake visivelmente abalado por causa dos eventos de MGS3, com muitas questões e dúvidas não respondidas. Um homem cansado, magoado e muito irritado. Se você nunca jogou um game da série MGS, provavelmente ficará bem perdido na quantidade de informações e referências que o game mostra durante o jogo, mas para aqueles que acompanham de perto as aventuras da franquia, certamente irão se deliciar com isso.

Claro de que além de seus motivos pessoais para encontrar The Boss, Snake terá que impedir que um Metal Gear lançe uma arma nuclear e mate milhões de pessoas, mas isso já faz parte do trabalho de Snake.

A jogabilidade segue a tradicional visão em terceira pessoa em cenários como selvas e margens de rios, enfrentando vários soldados com dardos tranquilizantes ou a base de balas mesmo. Você pode andar agachado furtivamente para encontrar o seu caminho, evitando os caras maus ou discretamente eliminando-os do caminho, sem ser visto ou ouvido, já no tradicional estilo stealth que fez a série famosa. Se os guardas virem você, irão soar o alarme e será aquela festa para cima de você.

Além disso Snake possui sua lista de movimentos de combate, que estão ainda mais facéis e utéis de se usar do que nunca, com um novo e atualizado sistema de ação CQC (close quarters combat), como agarrar e asfixiar o inimigo, ou atirá-lo ao chão. Mas novidade no CQC é que agora você pode atacar múltiplos inimigos ao mesmo tempo. Você também pode capturar inimigos e resgatar prisioneiros, que poderão ser usados em divisões do seu exército, seja no combate, investigação, pesquisa, desenvolvimento e assim por diante, baseado nas estatísticas que cada personagem possui. Esse elemento adiciona muitos extras para o jogo, tornando-o bem mais interessante. Por exemplo, se você pegar caras na divisão de combate, poderá usá-los no lugar de Snake em algumas missões, ou ainda destravar missões especiais. Se capturar pessoas da pesquisa e desenvolvimento, poderá ganhar novas armas, itens e upgrades. Quantas mais pessoas você recrutar para o seu exército, mais extras você poderá acumular para o seu jogo. E pode acreditar, você vai gastar muitas horas procurando e recrutando novos soldados para a sua tropa para poder ganhar todos os upgrades possíveis.

cutscenes bacanas estilizadas

O jogo se concentra nas missões individuais e “quebradas” que você pode selecionar, em uma agradável mudança de ritmo da série, não apresentando missões lineares uma após a outra. O único problema é não ser possível salvar durante as missões principais (algumas bem longas e difíceis), o que por vezes pode se tornar um empecilho quando você morre e tem que fazer tudo de volta. Você poderá desbloquear algumas roupas de camuflagem especiais para Snake, para serem usadas em situações específicas. Dependendo de qual você usar, poderá carregar um diferente número de itens e armas, e algumas possueam habilidades únicas, como se mover mais rápido sem fazer barulho. Depois de completar uma missão você recebe uma tela de estatísticas de sua performance, e você retorna à sua base “Mother Base” onde terá pilhas de novas informações para você avaliar, dando uma profundidade e interação maior ao jogo. O sistema de mira foi melhorado, apontando diretamente para as partes vitais do inimigos, tornando mais fácil o uso das teclas para abate-lo.

Somando a tudo isso nós temos uma grande ênfase numa jogabilidade co-operativa com dois jogadores em missões principais (e as mais de 100 missões extras) e até quatro jogadores contra os chefes. O modo co-op está disponível apenas via AD-HOC, ou seja, conexão sem a necessidade de cabos, via WI-FI. Infelizmente esse enfoque no sistema multiplayer pode ser um problema, especialmente nas batalhas contra os chefes (que lembram os jogos da série Monster Hunter da Capcom), que podem se tornar bem angustiantes em modo single-player e que necessitam de mais um jogador para derrotá-los. A Solução? Jogar diversas vezes até ganhar novas armas e itens e conseguir derrotar o chefão.

momento “Monster Hunter”

Além das missões principais, você pode destravar as Extra Ops, que são mais de 100 missões curtas e jogáveis como Snake ou por algum de seus soldados. Caso você não tenha um companheiro para lhe ajudar contras as batalhas com os chefes, as Extra Ops serão essenciais para se melhorar o seu personagem.

Em termos gráficos Peace Walker impressiona bastante na telinha do PSP, fazendo por vezes você esquecer que está jogando o portátil da Sony. Os cenários e ambientes são muito bonitos, apesar de não serem muito variados. Kojima usou alguns truques interessantes para quebrar um pouco o visual que pode se tornar monótono, como um arco-íris em uma cachoeira nebulosa, uma borboleta voando e outros pequenos detalhes. Mas nem tudo está bem construído, alguns cenários apresentam texturas borradas e não tão bonitas, mas as partes mais importantes do jogo estão muito bem representadas visualmente, certamente um dos melhores games nesse aspecto para o PSP. As personagens são muito bem detalhadas e ação ocorre sem quebras e slowdowns incovinientes. As cutscenes são apresentadas num estilo graphic novel de HQs, com um ar bastante elegante e único. Ilustrado de maneira simples, mas bastante expressivo, em certos pontos elas podem receber interações por parte do jogador, como mover a câmera, e fazer aproximar ou distanciar o zoom (inclusive com uma visão de raio-x). O verdadeiro espetáculo se apresenta durante as batalhas contra os chefes principais. Visuais inspirados e lutas dramáticas e desafiadoras, aliadas a uma excelente trilha sonora, com temas normalmente empolgantes. O tema melodramático “Heavens Divide” possui um destaque inesquecível durante o jogo, em uma batalha contra um helicóptero de ataque. Os efeitos sonoros também estão muito bons, com sons do ambiente como pássaros e outros bichos da selva.  As dublagens estão excelentes, com a participação de David Hayter como Naked Snake, brilhante como sempre.

Para finalizar, Peace Walker também apresenta um multiplayer competitivo via UMD onde você pode jogar com cinco colegas jogos de deathmatch, team deathmatch, capture e base defense.