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Metal Gear Solid

Clássico, sucesso comercial, sucesso de críticas e amado por milhares. A obra-prima concebida pela parceria entre Hideo Kojima e Konami persiste na memória de muitos, encantando e emocionando seus fãs fervorosos até hoje.

Um jogo cinematográfico ou um filme interativo?

Um dos pontos que Metal Gear Solid inovou em sua época (1998), era em suas longas cutscenes e nos diálogos pelo Codec, que apareciam com frequência e com durações generosas. Isso era um marco para época e junto de Half-Life (1998), revolucionou o modo de como as histórias são contadas em um jogo eletrônico.

Não há necessidade de dar resumos sobre o enredo de Metal Gear Solid, basta dizer que é uma das melhores tramas já feita para um jogo, encantando e surpreendendo quem estiver disposto a acompanha-la de perto. As longas cutscenes (feitas com a própria engine do jogo), sempre apresentam elementos importantes para a história e seus ângulos cinematográficos ajudam a dar o clima e tensão necessária, que consegue cativar e manifestar vários sentimentos diferentes nos jogadores seja eles de ódio e amor, alegria e tristeza, angustia entre muitos outros.

Os “atores” de Metal Gear Solid são os responsáveis diretos por causar tantos sentimentos controversos, devido ao carisma, personalidades e capacidade de cativar e encantar. É fácil simpatizar até mesmo com os inimigos de Snake e em muitos casos ficar triste por suas mortes, mesmo que as mesmas tenham sido causadas pelo próprio jogador. Cada personagem teve tratamento especial, suas motivações, personalidade, histórias, tudo foi trabalho de uma forma impecável ultrapassando a barreira do 3D, a sensação é de estar lidando com seres humanos reais, que acabam tendo que lidar com as mesmas dificuldades que passamos em nossas vidas.

Juntando os atores a uma história impecável, o que temos é um jogo eletrônico que oferece uma experiência cinematográfica única, com uma trama espetacular e envolvente, capaz de tocar seus telespectadores tanto quanto em um filme, com a vantagem de podermos nos divertir jogando enquanto assistimos essa maravilhosa história. Aqueles que nunca tiveram contato com MGS, não se intimidem, comprem o jogo e aproveitem tudo que essa obra-prima tem a oferecer, sem apelar para spoilers na internet; a trama é complexa e pesada, algumas vezes difícil de dirigir, mas altamente gratificante.

Mecânicas surpreendentes

Metal Gear Solid foi um jogo importantíssimo para um estilo de jogo que continua fazendo muito sucesso entre os jogadores, que é o gênero Stealth. Snake é um soldado especialista em infiltração e sabotagem e tem como uma de suas melhores características a furtividade, sempre tentando esgueirar-se pelos inimigos e evitar o confronto direto ou até mesmo executando mortes de forma silenciosa e discreta, e é exatamente dessa forma que os jogadores devem encarar a aventura de MGS.

Entrar em confrontos com os inimigos deve ser a última opção dos jogadores, pois ao ser avistado por um deles um alerta é disparado e reforços são enviados ao local. A melhor opção nesses casos é correr e se esconder, pois não é possível usar o radar nessas situações. Escapar consiste em três passos, quando o jogador é avistado o radar apresenta um contador vermelho que alguns chamam de “Modo de Alerta”, que é quando os inimigos estão cientes de sua presença. Caso o jogador consiga perde-los de vista, entra o “Modo de Evasão” onde os inimigos ainda estão à procura de nosso espião e finalmente os inimigos são enviados a seus postos novamente quando não conseguem sucesso nas buscas, com o radar voltando ao normal.

Até aqui é onde podemos dizer que a jogabilidade de MGS é igual a qualquer jogo do gênero, com controles práticos de serem usados e vários cantos escuros e lugares para se esconder. Mas, somente até esse ponto, pois as novas mecânicas de jogo presentes na obra de Hideo Kojima são muito mais complexas e surpreendentes para época.

A começar, por exemplo, pela inteligência artificial dos inimigos que é impressionante para época. Os inimigos têm comportamentos quase humanos, pois os mesmos sentem frio quando patrulham em locais abertos, espirram e investigam locais quando desconfiam que algo não está certo. Era realmente surpreendente ver os inimigos seguirem as pegadas de Snake deixadas na neve, investigarem ruídos decorrentes de pisar em uma poça d’água ou enganá-los fazendo Snake dar uma batidinha na parede para instigar os inimigos a deixarem seus postos.

Também era bem cômico usar uma caixa de papelão para Snake esconder-se, vendo as reações de surpresa dos soldados inimigos. Vale citar que nem sempre as mesmas estratégias funcionarão com o mesmo inimigo. Usar a caixa de papelão duas vezes com o mesmo soldado não funciona e na segunda vez ele levanta a caixa deixando nosso herói vulnerável. As batidinhas na parede, se usadas de forma recorrente com o mesmo inimigo também é perigosa, já que se ele ouvir o barulho similar novamente irá correr para investigar, ao invés de simplesmente andar até o local.

Isso pode parecer algo fútil hoje em dia, mas ao mesmo tempo não é, pois para sua época era uma revolução sem precedentes e muitos jogos atuais têm dificuldades para apresentar inimigos inteligentes e com comportamentos humanos.

As funcionalidades não param e surpreendem também durante as missões, obrigando o jogador a usar artifícios inovadores para época. Em um dos momentos do jogo, por exemplo, é preciso literalmente fumar um cigarro para que a fumaça do mesmo revele pequenos lasers infravermelhos, invisíveis a olhos nus e que se bloqueados disparam alarmes e sistemas de armadilhas; cuidado, fumar faz mal a saúde e Snake não é excessão.

Como esquecer também o cartão que precisava estar em diferentes temperaturas para poder ser usado nos computadores e destravar o caminho para Snake? Também podemos citar o clássico momento que Snake é preso e precisa escapar da prisão, tendo quatro (4) meios distintos para fugir da mesma, cada uma com suas peculiaridades; não citarei os meios para não estragar a surpresa de quem nunca jogou MGS.

Esses elementos são incríveis se paramos para pensar que se trata de um jogo de 1998 em uma plataforma limitada (Playstation). Os controles também eram impressionantes e era possível, por exemplo, correr e atirar ao mesmo tempo, algo que Resident Evil demorou anos para conseguir desempenhar. O arsenal e itens de Snake é vasto e criativo, como os já mencionados cigarro e a caixa de papelão, há armas de combate e granadas, cartões para abrir portas, binóculo infravermelho e muito mais. Jogar Metal Gear Solid, era, é e ainda será uma experiência única no mundo dos games e deve ser aproveita ao máximo.

Chefes e curiosidades

Outro ponto alto do game da Konami são os chefes, distinto entre si em uma quantidade generosa e cada um deles requer abordagens distintas. Esses momentos são únicos e especiais, tanto pelas estratégias diferentes que são necessárias para enfrentar cada um deles quanto por suas presenças, que como dito anteriormente, cativam e marcam a vida de qualquer gamer, graças ao carisma e aprofundamento em cada um deles.

A aventura em si também é cativante e marcante, podendo ser diferente para cada jogador e mais proveitosa a aqueles que se atentam aos detalhes e gostam de explorar cada canto do cenário. Aos curiosos, existem várias recompensas, como itens e cenas únicas, sejam elas cômicas ou com um apelo sensual, como as vezes que Snake flagra Meryl somente de calcinha. Em uma das cenas, é possível ficar encarando Meryl até deixa-la encabulada e sem graça, algo que fica visível em seu rosto que começa a ficar vermelho; vale citar que essas cenas, apesar do toque sensual, nunca soam forçadas ou apelativas.

Há muitas outras situações particulares a essas para encontrar durante a jogatina, como o console da Sony presente no escritório de Otacon e como disse acima, tudo vai depender de quão curioso e interessado você estiver em esmiuçar nos mínimos detalhes a aventura de Snake.

Outro ponto bacana é a questão de ultrapassar a barreira do 3D, conectar o mundo real ao jogo. Isso foi um marco para muita gente – inclusive este que aqui escreve –. Para contatar Meryl pela primeira vez, por exemplo, era preciso olhar a frequência do Codec dela atrás da capinha do game, que demonstrava espanto e questionava Snake para saber como ele conseguiu a frequência de seu rádio.

Também temos a clássica luta contra Psycho Mantis, que para tornar a luta mais igual era preciso trocar o cabo do controle para o slot do segundo jogador. Esse tipo de interação aparece em outros jogos da franquia de Metal Gear e continua cativando muita gente.

Tecnicamente brilhante

Metal Gear Solid também era um avanço tecnológico sem precedentes, o jogo era lindo e surpreendia ao mostrar do que o console da Sony era realmente capaz. O ponto mais impressionante, antes de falar de texturas e modelagem, eram os efeitos como de água, neve, luz e sombra, fogo e fumaça. Eram efeitos produzidos com fidelidade, realismo impressionante para época e lindo aos olhos de todos. Era muito “loco” ver a fumaça saindo do rosto de Snake quando ele respirava em ambientes abertos, devido ao frio, ou ver as pegadas que ficavam na neve, isso enriquecia muito o trabalho final.

As modelagens dos personagens também apresentava uma qualidade descomunal e combinados com as texturas deixavam os inimigos e Snake com uma qualidade visual impressionante, com vestimentas mostrando vários detalhes, armas bem reproduzidas e cenários grandiosos riquíssimos em elementos e objetos. A animação fluída completava o pacote, dando vida e naturalidade aos “atores do game”, e era realmente necessário caprichar nesse quesito, já que como era impossível mudar as expressões faciais dos personagens na época, as cenas de corte usando a engine do jogo dependiam muito da linguagem corporal e dublagem para transmitir os sentimentos dos personagens para os jogadores.

Remake para Game Cube: Metal Gear Solid: The Twin Snakes

Por falar nela, a dublagem de MGS era exemplar e continua sendo, tanto em seu idioma original, japonês, quanto em inglês. Os dubladores realmente entenderam a complexidade da obra e de seus personagens, dando tudo de si em um trabalho impecável. Os efeitos sonoros também são elevados à enésima potência de qualidade e, como dito acima, influenciam diretamente na jogabilidade, fazendo os inimigos “escutarem o ambiente a sua volta”, obrigando ao jogador a ser mais cuidadoso ou usar esses elementos a seu favor, desde as batidinhas na parede ou pisar em poças d’água. A trilha sonora fecha de forma exemplar o pacote, com belíssimas melodias e composições, todas alternando para melhor se encaixarem com o que é apresentado na telinha.

Conteúdo extra e diferentes versões

Metal Gear Solid ainda tem um bom fator replay e muito conteúdo para aproveitar. É altamente recomendável experimentar a longa jornada de Snake novamente, pois sempre deixamos passar alguns detalhes, além dos itens bônus destravados quando finalizamos a aventura.

Também há gravações com “entrevistas” de Snake, que complementam a história do game e um modo de treino e desafios, que funciona como uma espécie de tutorial para apresentar as mecânicas do jogo, além de ter várias modalidades distintas, onde é preciso derrotar todos inimigos para avançar a próxima fase ou finalizar em um tempo limite.

Também foram lançadas diferentes versões de Metal Gear Solid, como Metal Gear Solid: Integral, que contava com conteúdo a mais e um remake para Game Cube intitulado como Metal Gear Solid: The Twin Snakes, com gráficos bem superiores. O jogo também está presente em várias coleções, como a Metal Gear Solid: The Essential Collection e o mais recente Metal Gear Solid: Legacy.