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Mortal Kombat Trilogy

Mortal Kombat marcou época no Mega Drive e Arcades ao apresentar um jogo de luta com muita violência e personagens digitalizados, alguns eternizados, como os ninjas Sub-Zero e Scorpion. O game teve várias sequências – não esquecendo a excelente versão para atual geração de consoles – e figurou nas telinhas em várias adaptações para o cinema, contando ainda com uma série em desenho animado. Mortal Kombat Trilogy, é a ultima atualização de Mortal Kombat 3 e trouxe 32 personagens, incluindo um personagem secreto, Chameleon e algumas mudanças na confusa história do game – análise remete a versão para Playstation.

História clichê e confusa

Enquanto os guerreiros travavam uma luta feroz em Outworld – eventos de Mortal Kombat 2 – Shao Khan bota em ação sua última cartada para dominar a Terra, ressuscitar sua esposa Sindel. Mesmo sendo derrotado por Liu Kang no final do torneio, Khan consegue abrir portais, e com ajuda de Quan Chi, busca por sua rainha no deserto, enquanto ordena as tropas de extermínio que invadissem a Terra.

Sindel é então reencarnada, possuída por um espirito maligno e quando a Terra está praticamente imergida em Outworld os guerreiros presumem o que vem a seguir, um combate mortal pelas ruas e calabouços de Outworld sem quaisquer tipos de regras. Raiden desiste de sua imortalidade e se junta a Liu Kang e seus companheiros na luta contra Khan, enquanto que os demais guerreiros ficam livres para buscar por seus objetivos pessoais, como Sonya que vai atrás de Kano, em sua busca por vingança.

A história do jogo é praticamente a mesma de Mortal Kombat 3, com algumas modificações mas não consegue corrigir os erros cometidos nos outros games da série ou dar uma linha de raciocínio para o jogador, jogando tudo goela abaixo sem nenhum tipo de explicação. É verdade que para época, as coisas até funcionavam bem dessa maneira, até pelo pouco espaço nos cartuchos, mas em um game adaptado para Playstation e outras plataformas com bem mais potencial, esperava-se que a Midway tivesse um pouco mais de zelo com a história do game, que apesar de confusa e cheia de clichês é bem complexa e poderia ser explorada de uma forma muito melhor.

Boa e velha mecânica de jogo…

Mortal Kombat Trilogy não muda praticamente nada da consagrada mecânica de jogo da série visto nos games anteriores. Sim, houve pouca ousadia para uma versão final de Mortal Kombat 3, porém alguns pequenos refinamentos e adição de muitos personagens jogáveis compensam esse problema. Além de Chameleon, um ninja que muda a cor da roupa durante a luta, o ninja Noob Saibot aparece já na tela de seleção de personagens, com combos e fatalities próprios. Há também as versões clássicas de Jax, Kung Lao, Kano, e Raiden além de outros três personagens resgatados, Baraka, Johnny Cage, Raiden e os chefes Shao Khan, Motaro, Goro e Kintaro; nem todos os personagens possuem uma história, como é o caso dos chefes e dos personagens clássicos. Com o já extenso plantel de personagens conhecidos da série e mais a adição dos personagens acima, MKT possui um plantel de 32 lutadores, uma quantidade generosa de guerreiros que agrada a todo tipo de fã da série, trazendo praticamente todos personagens que eram conhecidos até 1996. As lutas são as de sempre, dois personagens se enfrentam em dois rounds e no final, é possível executar fatalities e outros movimentos especiais para terminar com seus adversários com grande estilo.

Os combos atendem tantos aos jogadores mais exigentes quanto aos novatos, com combinações fáceis de serem feitas e outras bem mais complexas, que misturam golpes especiais e recompensam pelo grande dano ao adversário. As lutas costumam ser intensas, com muito sangue e a carnificina rolando solta principalmente quando a barra de Aggressor fica no máximo que aumenta o poder dos golpes e combos, porém, é possível tomar uma atitude mais “calma” e cadenciar a luta com golpes de longo alcance e investir no contra-ataque, bloqueando e usando combos poderosos enquanto adversários estiverem indefesos, algo que pode lhe render uma vitória em níveis mais complicados.

Os Fatalities presentes estão bem diversificados entre os personagens além de serem um pouco mais fáceis de serem executados do que era visto em Mortal Kombat 2; é bem verdade que alguns são parecidos, mas vale ressaltar que são 32 personagens. Além dos Fatalities, há os Brutalities, que é uma sucessão de golpes no adversário até que ele exploda, Babalities, que transforma seu adversário em um bebê (bem chatinho por sinal), Animalities que transforma seu personagem em um animal para finalizar o adversário de forma brutal e impiedosa e os Friendships, que apelam para o lado cômico fazendo seus personagens tomarem atitudes ridículas, com algumas boas sacadas e outras nem tanto. Além de tudo que foi citado, vale ressaltar as arenas, com bons cenários pré-renderizados e em boa quantidade, além das arenas com diferentes camadas, que após aplicar um gancho joga o inimigo para outro cenário.

… Novos e incômodos problemas!

Da mesma forma que a Midway merece elogios por refinar a mecânica de jogo e trazer novos personagens, merece todas as criticas pelos vários problemas no game. É impossível não começar citando as telas de Loading do game, que são muitas e demoradas. Alias, tudo no jogo parece ser demorado, seja para acessar um menu, escolher um personagem ou até mesmo jogar próximo round da luta, problema que se repete em todas as plataformas, não sendo exclusividade do Playstation. Outro ponto negativo e bem irritante são os gritos de agonia “eternos” dos inimigos, que mesmo após aplicar um fatality e, por exemplo, arrancar a cabeça do personagem fora, o mesmo ainda continuará gritando por um longo período, o que além de ser bisonho é bem irritante, principalmente no caso da Sheeva, com uma voz bem chata de se ouvir. Outro ponto negativo do jogo é aplicar um brutality ou fatality e perceber que a quantidade de ossos não corresponde à quantidade de inimigos que você matou. Com um pouco de atenção e olhos rápidos, é possível ver no mar de ossos pelo menos: quatro ou mais pernas, dois crânios, três caixas torácicas (onde ficam as costelas e parte da coluna vertebral), quatro ou mais braços e muitos outros ossos diversos o que leva a pensar se os designers da Midway chegaram a abrir um livro de anatomia humana durante o desenvolvimento do game. É difícil até engolir a possível desculpa que é algo para causar maior impacto, já que para isso bastasse fazer fatalities mais elaborados ao invés de aumentar a quantidade de ossos dos personagens.

Não acabou ainda, na lista de problemas adicionam-se arenas em que não existe trilha sonora, predominando um som ambiente ou um incomodo silêncio quebrado somente pelos golpes e gritos dos adversários, algo que tira muito da empolgação das lutas; e que piora com os carregamentos lentos. Alias, botar o cd do game no Playstation e esperar o jogo efetivamente começar é outro sacrifício, com uma apresentação de patrocinadores e do game excessivamente longa, não sendo possível pular tal trecho, o que obriga ao jogador a ter muita paciência, até porque nesses momentos já é possível presenciar os carregamentos (loading) demorados. Não sendo bastante, o jogo conta com poucos modos de jogo; além do tradicional modo de combate na torre, há modo versus, outro modo com dois lutadores e um com oito jogadores em uma espécie de mini-torneio, sendo que ao final dele o prêmio são alguns mini-games e extras, como apresentação de fatalities. Por se tratar de uma versão final de Mortal Kombat 3, tais erros são imperdoáveis e uma falha gravíssima por parte da Midway.

Sem melhorias técnicas consideráveis

Como disse anteriormente, o game é praticamente o mesmo de Mortal Kombat 3, com algumas melhorias, o que também se passa nos gráficos e áudio. No geral, os cenários estão um pouco mais polidos sendo que o mesmo pode-se dizer dos personagens, que de notável mesmo somente os efeitos do agressor que estão bacanas e uma quantidade maior de sangue. Se olhar com atenção irá perceber que não existe uma melhoria realmente significativa do que era visto nas versões para Super Nintendo e Mega Drive.

O mesmo aplica-se novamente aos sons, que trazem as boas trilhas sonoras de Mortal Kombat 3, porém com momentos em que a trilha sonora sessa por completo, quebrando a emoção das lutas. Os efeitos sonoros diversos são razoáveis, com alguns deslizes e outros bem incômodos, como os gritos eternosde Sheeva e Liu Kang. Pode-se avaliar o trabalho final feito nessa versão sem muitas cerimônias como medíocre.