Um adeus barulhento, emotivo e muito Plus Ultra (do jeitinho que eu gosto).
Eu não sei você, mas eu sou daquela geração que cresceu discutindo poderzinho no recreio, imaginando “e se eu tivesse um dom?” enquanto assistia anime comendo biscoito recheado. E aí, anos depois, quando My Hero Academia virou esse fenômeno gigantesco, foi impossível não se apegar. All’s Justice chega com esse peso: não é “só mais um jogo de anime”. É o jogo do encerramento, o último abraço antes de apagar a luz da sala. E olha… eu me diverti mais do que esperava. Muito mais. 💛
⚡ Combate de arena do jeitinho certo
Se você já jogou arena fighters em 3D, o primeiro pensamento pode ser: “ok, já vi isso antes”. Só que All’s Justice é mais esperto do que parece. Ele pega a base que a gente conhece (movimentação livre, combos, suporte, golpes especiais) e organiza tudo de forma mais focada, menos caótica do que alguns concorrentes.
No começo, dá pra jogar no modo mais acessível, com combos automáticos. É quase um convite: “entra, se sente confortável, depois a gente conversa”. Mas quando você desliga isso e começa a entender Rising, troca de personagens, timing de defesa, cancelamento de ataques e, claro, os gloriosos Plus Ultra, o jogo abre um sorriso malicioso e fala: agora brinca direito.
E funciona. O combate tem ritmo, tem leitura, tem estratégia. Não é um jogo de luta técnico no nível de um Street Fighter (nem quer ser), mas também não é um botão-mash vazio. É aquele meio-termo gostoso que recompensa quem aprende, sem expulsar quem só quer se sentir poderoso por alguns minutos.
🦸♀️ Um elenco enorme (e cheio de personalidade)
Aqui eu confesso: eu sou fraca pra elenco grande. E All’s Justice entrega isso com gosto. São dezenas e dezenas de personagens jogáveis, cada um com animações próprias, jeitos diferentes de se mover e quirks que realmente mudam a forma de lutar.
Não é só skin diferente, não. Jogar com o Todoroki é uma experiência completamente diferente de jogar com a Froppy, que é diferente de usar o Bakugo, que é diferente de controlar vilões como o Shigaraki. E sim, eu vou defender: a Froppy é maravilhosa, não aceito debates.
Os Plus Ultra são um show à parte. Animações exageradas, câmera dramática, trilha subindo… é aquele momento que você larga o controle por meio segundo só pra pensar “ok, isso ficou muito bonito”. 🎆
📖 Modo história: o peso do fim
O modo história é, sem dúvida, o coração do jogo. Ele adapta o arco final do anime, a famosa Guerra Final, e faz isso de uma forma interessante: não linear. Você acompanha diferentes personagens, em diferentes frentes da batalha, entendendo onde cada um estava enquanto o caos tomava conta.
Isso dá uma sensação muito boa de escala. Não é só “o herói principal salvando tudo”. É um conflito gigante, com várias histórias acontecendo ao mesmo tempo. Para quem acompanhou o anime até o fim, é impossível não sentir aquele aperto no peito. 🥹
Nem tudo é perfeito: algumas cenas são contadas com imagens estáticas e narração, em vez de cutscenes completas. Funciona? Funciona. Mas em um jogo tão caprichado visualmente, dá aquela vontade de ver tudo totalmente animado no motor do jogo.
🗂️ Conteúdo para fãs (muito conteúdo)
Além da campanha principal, o jogo é quase um parque de diversões para fãs:
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Team Up Missions, onde você explora a cidade com seu time, aceita missões e enfrenta desafios variados
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Archive Battles, que recriam lutas clássicas do anime (e algumas são bem difíceis, viu?)
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Missões específicas de personagens, com pequenas histórias e interações extras
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Colecionáveis, cards, músicas, vídeos… aquele pacote que faz a gente ficar falando “só mais uma missão” até perceber que já passou da meia-noite
Nada disso parece jogado ali por obrigação. Dá pra sentir que o jogo quer que você passe mais tempo com esse elenco, como quem não quer se despedir ainda.
🎮 Curva de aprendizado (e um pouquinho de caos)
Aqui entra um ponto bem “Magali sincera”: o combate demora a clicar. No começo, desviar e contra-atacar pode parecer estranho, e os inimigos (especialmente chefes) adoram te punir. Mas depois de algumas horas… tudo flui. Aí você começa a encadear golpes, trocar de personagem no momento certo e usar o Rising como se fosse instinto.
Quando encaixa, é delicioso. 💥
Quando não encaixa, pode ser frustrante. Mas faz parte do processo.
🎨 Visual e som: anime vivo
Visualmente, All’s Justice acerta muito. Os modelos 3D são fiéis ao anime, cheios de expressão, e os efeitos visuais durante as lutas parecem páginas de mangá ganhando vida. Tipografias, impactos, explosões… tudo grita My Hero Academia.
A dublagem, tanto em japonês quanto em inglês, é ótima, embora o lip-sync do inglês às vezes denuncie que tudo foi pensado primeiro no áudio original japonês. Não é um desastre, mas dá pra notar.
A trilha sonora cresce especialmente nas lutas importantes. Em certos chefes, ela simplesmente enlouquece — guitarra, energia, urgência — e você entra no clima sem nem perceber.
Prós:
- Combate acessível, mas com profundidade para quem se dedica
- Elenco enorme e muito bem caracterizado
- Modo história que respeita o peso do arco final
- Conteúdo extra pensado especialmente para fãs
- Visual e efeitos que capturam bem o estilo do anime
Contras:
- Poucos cenários de luta
- Algumas cutscenes usam imagens estáticas
- Curva de aprendizado inicial pode assustar
- Interface exagerada em certos momentos
Nota Final: 8/10
My Hero Academia: All’s Justice não quer reinventar o gênero. E tudo bem. Ele quer fechar um ciclo, respeitar os personagens e dar aos fãs a chance de lutar mais uma vez ao lado (e contra) quem acompanharam por anos. Tem limitações? Tem. Tem escolhas discutíveis? Tem. Mas também tem coração, tem conteúdo, tem respeito pela obra original e entrega um pacote que, sinceramente, acima da média quando falamos de jogos baseados em anime. Eu terminei com aquela sensação estranha de despedida. Como quando você fecha um livro longo, ou acaba uma série que te acompanhou por anos. Não é perfeito, mas é honesto. E isso vale muito.