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Sete anos depois que o primeiro Nier foi lançado originalmente como um jogo exclusivo para o Xbox 360 no Japão, o aguardado “Nier: Automata” acaba de chegar ao mercado ocidental para o PlayStation 4 e PC, após aterrizar em terras nipônicas em fevereiro.

No antigo lugar da desenvolvedora Cavia, entra em cena a Platinum Games, mais conhecida pelos games “Vanquish”, “Bayonetta” e “Metal Gear Rising: Revengeance”, que criou Automata sob a supervisão da Square Enix e dos game designers originais como Yoko Taro e Yosuke Saito.

O resultado dessa parceria gerou um título que se destaca principalmente pela variedade visual e uma jogabilidade dinâmica, bastante simples e eficaz, elementos esses que devem agradar em cheio aos jogadores que procuram por um título recheado de ação e altas doses de diversão.

Sem revelar muito da narrativa que é bem instigante, ela é ambientada em um futuro pós-apocalíptico, milhares de anos após o primeiro game, em meio a uma guerra entre máquinas criadas por invasores alienígenas e o que restou da humanidade, que foi quase aniquilada. Para lutar por eles, os humanos sobreviventes utilizam androides de combate, sendo a protagonista o modelo feminino batizada de “2B“, que é controlada pelo jogador.

A aventura começa com um curioso, e muito bem feito, prólogo que nos remete diretamente aos clássicos e saudosos games de navinha, que por um momento nos faz pensar se estamos jogando o título correto mesmo.

Mas após cerca de cinco minutos, somos literalmente jogados dentro do campo de batalha, onde a protagonista inicia uma intensa batalha contra uma grande e poderosa máquina de destruição, revelando já em seus primeiros minutos o que o jogador pode esperar daqui para a frente.

O ponto alto do game certamente é a sua jogabilidade intensa e fluída. A Platinum Games, calejada em jogos de ação, soube utilizar muito bem os 60 fps disponíveis, com combates e movimentação da heroína realmente velozes – as vezes até parece que estamos jogando um jogo de Sonic.

O design dos cenários ajudam nessa ênfase da velocidade, geralmente bem amplos e extensos, oferecendo à 2B uma grande área para se movimentar e explorar.

Junte a isso uma mecânica e comandos simples e acessíveis, perfeitamente ajustados no DualShock 4 e temos um jogo que consegue te prender facilmente por várias horas. Além da personagem principal, temos um Pod voador que a acompanha e outro androide com o seu próprio Pod, que oferecem um bom suporte automático nas lutas.

Mas não só de ação que “Nier: Automata” sobrevive. Temos vários elementos de RPG, como sistema de níveis, skills, itens e customização de armas, que ficam mais fortes com upgrades. Há vários NPCs pelo caminho, que além de ajudar na contextualização da história, oferecem missões paralelas e venda de itens/equipamentos.

Visualmente o jogo se revela na média, não havendo nenhum impacto visual que impressione, seja no design artístico dos personagens ou da construção dos cenários, que são até bem variados, mas não chega aos pés de jogos como “The Witcher 3” ou “Horizon Zero Dawn”.

Porém, o que falta em riqueza de gráficos, sobra em variedade de ângulos de câmera, por vezes se apresentando no tradicional 3D em terceira pessoa no mapa aberto, outras no clássico 2D, ou ainda com visões aéreas e isométricas, o que é excelente para dar uma variada e não cansar o jogador visualmente.

A lista de inimigos que aparecem durante a jornada de 2B, infelizmente não é muito grande, mas o destaque fica mesmo para as grandiosas lutas contra os chefões, máquinas robustas mais elaboradas que mudam de forma e habilidades, exigindo do jogador uma elaboração de estratégia à parte para vencê-los.

A trilha sonora é outro ponto super positivo, composta por Keiichi Okabe, o mesmo do Nier original, que apresenta composições empolgantes e melancólicas que embalam bem a aventura – algumas músicas inclusive contam com vocais, o que deixa a experiência ainda mais imersiva e memorável.