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Nioh 3 é o Soulslike mais completo da Team Ninja até hoje

Combate Samurai e Ninja, áreas semiabertas e liberdade de builds elevam a franquia a um novo patamar

A maturidade brutal de um Soulslike que finalmente se encontrou!

Desde 2017, a série Nioh ocupa um lugar curioso no gênero Soulslike. Ela nunca tentou ser exatamente Dark Souls, nem quis esconder suas inspirações. Pelo contrário: sempre foi uma espécie de Dark Souls com DNA de loot RPG, mais próxima de Diablo do que muitos puristas gostariam de admitir. Com Nioh 3, a Team Ninja não apenas refina essa identidade — ela a empurra até o limite lógico.

Vamos começar pelo básico: Nioh 3 não é um jogo gentil. Ele não quer saber se você trabalhou o dia inteiro, se está cansado ou se só queria “relaxar um pouco”. Nioh 3 olha pra você, cruza os braços e diz:

“Relaxa depois. Agora aprende.”

E o pior (ou melhor): a gente aprende mesmo.

Depois de seis anos desde Nioh 2, a Team Ninja voltou com aquele ar de quem passou tempo demais observando a concorrência e decidiu: “ok, agora é minha vez de humilhar geral”. O resultado é um dos Soulslikes mais completos, mais inteligentes e mais viciantes já feitos — e sim, isso inclui o elefante gigante chamado Elden Ring.

⚔️ Samurai ou Ninja? Sim.

A grande sacada de Nioh 3 é simples de explicar e deliciosa de executar:

👉 você não escolhe um estilo. Você usa os dois.

Com um botão, você alterna entre Samurai e Ninja em tempo real, no meio da pancadaria, no exato segundo em que o inimigo decide te transformar em pó.

  • Samurai é aquele estilo clássico:
    pesado, técnico, calculado, com posturas, gestão de ki (estamina) e aquele ritual sagrado chamado ki pulse. Errar aqui dói. Mas acertar… ah, acertar é poesia violenta.

  • Ninja é o modo “tio ficou rápido”:
    esquiva pra todo lado, ataques velozes, bombas, shurikens, armadilhas e clones ilusórios. É menos dano bruto, mais mobilidade e muita malandragem.

O pulo do gato é que o jogo incentiva você a trocar de estilo no meio do combate, inclusive para quebrar ataques especiais inimigos. Quando isso encaixa, a sensação é de ter feito um perfect parry em jogo de luta — só que com um demônio gigante tentando arrancar sua cabeça.

🧠 Difícil? Sim. Injusto? Quase nunca.

Nioh 3 começa com aquele clássico tapa na cara: primeiros chefes te matam em 3 ou 4 golpes, fazem você questionar suas decisões de vida e te lembram que cura é recurso, não direito humano.

Mas aí acontece algo mágico.

O jogo abre o mundo.

Ao invés da estrutura rígida dos jogos anteriores, Nioh 3 apresenta grandes áreas semiabertas, divididas em zonas, caminhos alternativos, desafios opcionais e atividades que realmente fortalecem o personagem.

Não é só XP.
Não é só loot.
É bônus permanente de atributos.

Ou seja: se um boss está impossível, o jogo não diz “se vira”. Ele diz:

“Vai dar uma volta. Volta mais forte.”

Isso muda tudo.

🗺️ Explorar não é turismo, é sobrevivência

Explorar em Nioh 3 é praticamente uma estratégia de guerra. Cada região tem níveis de conclusão que recompensam força, resistência, sorte e outros atributos.

Você:

  • caça criaturas específicas

  • limpa bases inimigas

  • resolve eventos estranhos

  • derrota mestres opcionais

  • encontra segredos que o jogo faz questão de esconder maliciosamente

E quando você volta para o boss que antes parecia impossível…
ele ainda é difícil, mas agora você tem chance.

Esse simples detalhe transforma frustração em motivação. E isso é ouro em um gênero conhecido por afastar jogadores menos pacientes.

🎒 Loot: Dark Souls encontrou Diablo e teve um filho acumulador

Vamos falar do elefante no inventário.

Nioh 3 continua sendo Dark Souls via Diablo. Loot cai em tudo quanto é lugar. Armas, armaduras, acessórios, tudo com:

  • bônus específicos

  • escalonamento por atributos

  • sinergias com habilidades

  • efeitos que mudam completamente uma build

Agora dobre isso, porque Samurai e Ninja têm equipamentos próprios.

Sim, o inventário vira bagunça.
Sim, dá trabalho gerenciar.
Sim, você vai passar mais tempo desmontando item do que gostaria.

Mas… quando cai aquele item perfeito, que fecha sua build, reduz custo de ki, aumenta dano elemental e ainda combina com seu estilo… meu amigo, o cérebro libera dopamina.

E o jogo ainda te deixa resetar tudo gratuitamente, incentivando testes, erros e experimentação sem punição. Coisa rara e linda.

👹 Chefes, yokais e trauma controlado

Os inimigos misturam drama histórico japonês com folclore yokai, criando criaturas bizarras, assustadoras e às vezes até engraçadas (depois que você para de morrer pra elas).

Os chefes são o ponto alto:

  • padrões claros

  • ataques letais

  • janelas pequenas

  • punição severa

Mas quase nunca parecem injustos. Quando você morre, normalmente sabe o motivo. Quando vence, sabe que mereceu.

E aquela vitória no fio da navalha, sem cura, sem ki, com 1 pixel de vida? Isso aqui vende o jogo sozinho.

Nioh 3 realmente esfrega na sua cara que você não é especial, e um lugar beeeeem comum é nos chefes. Aqui não tem luta decorativa nem inimigo que morre só porque a trilha ficou épica.

Cada confronto é um duelo de paciência, leitura e humildade, onde um passo errado te manda direto pra tela de carregamento antes mesmo do cérebro processar o erro.

Os primeiros chefes são quase cruéis de propósito: batem forte, punem ganância e têm ataques difíceis de ler, daqueles que parecem injustos… até você entender o padrão e perceber que o jogo estava certo o tempo todo.

Conforme a campanha avança, os embates viram verdadeiros quebra-cabeças violentos, exigindo domínio de ki, troca inteligente entre Samurai e Ninja, uso consciente de ninjutsu, magia e até do cenário. Tem boss gigantesco que te pressiona pelo tamanho, outros que te enganam com velocidade absurda, e alguns que voltam mais tarde… só pra você ter o prazer quase terapêutico de devolver cada morte sofrida com juros.

É aquele tipo de confronto que termina com você suando, sem cura, sem stamina e pensando: “não acredito que isso funcionou”. E quando funciona… rapaz, poucos jogos hoje entregam uma sensação de vitória tão pura quanto Nioh 3.

🎶 Apresentação e clima

Visualmente, Nioh 3 é bonito, sombrio e consistente. As áreas compartilham paletas semelhantes, o que pode cansar um pouco, mas o design dos inimigos, efeitos e animações compensam.

Os Espíritos Guardiões retornam, adicionando mais camadas de progressão, habilidades e invocações, reforçando o lado sobrenatural da experiência.

Tudo trabalha junto para criar aquela sensação de jornada épica e sofrida, do jeito que fã de Soulslike gosta.

Prós:

  • Sistema dual de combate Samurai/Ninja brilhante, que adiciona profundidade tática real
  • Combate extremamente técnico e responsivo, recompensando aprendizado
  • Estrutura de áreas semiabertas muito bem pensada, oferecendo liberdade
  • Exploração com recompensas significativas, incluindo bônus permanentes de atributos
  • Progressão flexível, permitindo respecc completo e incentivo à experimentação de builds
  • Sistema de loot profundo e variado, com inúmeras possibilidades de personalização
  • Chefes memoráveis e bem balanceados, desafiadores sem parecerem injustos
  • Excelente tradução da fórmula Soulslike, mantendo identidade própria e personalidade

Contras:

  • Gerenciamento de inventário pode se tornar cansativo
  • Paletas visuais das grandes áreas são um pouco semelhantes
  • Curva inicial muito agressiva, especialmente para jogadores menos experientes no gênero
  • Alguns caminhos e armadilhas ambientais pouco sinalizados
  • Sistema de crafting caro e pouco intuitivo no início, sendo interessante apenas no endgame

Nota Final: 9/10

Nioh 3 não tenta agradar todo mundo. Ele tenta agradar quem gosta de aprender jogando, de errar, de ajustar, de dominar sistemas complexos e de vencer desafios de verdade. Ele pega tudo que a franquia fez bem, corrige o que travava jogadores, adiciona liberdade, respeita o tempo do player e entrega o Nioh mais maduro já feito. Não é perfeito. Inventário é caótico, o começo assusta e o jogo exige atenção total. Mas quando engrena… vira vício controlado. E o RumbleTech encerra com aquela verdade universal: “Se morrer fosse ruim, a gente não voltava.” 🕹️🔥

Zeca "RumbleTech" Rabelo

Zeca é o cara que joga tudo, reclama de quase tudo, mas só porque ama demais. Analisa jogos com um olho clínico de quem viveu a ascensão do 16-bits, sobreviveu aos gráficos do PS1 e agora exige 60 FPS até pra abrir o menu. Sarcástico, nostálgico e PC Master Race até a alma.
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