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O preconceito contra os gamers ainda existe e precisa ser combatido

Entrei na psicóloga para curar traumas e saí mais traumatizado ainda

Nos anos 90 e início da década de 2000, era muito forte o preconceito contra uma pessoa que gostasse de videogames ser logo caracterizada como “nerd” (em um sentido pejorativo), antissocial, ou alguém que vive “enfurnado no quarto sem fazer nada”, sendo alguém que não arruma uma pessoa para namorar e diversas outras conotações negativas. Fora isso, também tinha aqueles clássicos argumentos de “jogos violentos para um público infantil” ou “alguém que joga videogames depois de certa idade é porque não teve amadurecimento”.

Com o avançar da tecnologia, a acessibilidade dos games em tudo que é canto, além de que as crianças dos anos 80/90/2000 cresceram e hoje são adultos, este preconceito diminuiu consideravelmente. No entanto, nós vivemos em uma “bolha gamer” dentro deste mundo de internet e redes sociais, e o autor deste artigo teve um choque de realidade quando pagou uma psicóloga, que não era uma pessoa idosa, para tratar alguns problemas emocionais, e ela disse em uma sessão depois de alguns meses:

“Mas…trabalhar com games é algo que pessoas com seus…15 anos fazem? Você já está com quase 30 anos”, disse a psicóloga

“Não, essa lógica não existe. Eu trabalho há anos para o mundo dos games, ganho dinheiro com isso e durante muito tempo me sustentava, mesmo que de modo simples, falando de games”, respondi a ela.

“Entendi… mas…concordamos que o público-alvo dos games são as crianças, não é verdade?”,  ela respondeu

E depois de algumas sessões tentando convencê-la de que não tinha problema nenhum em eu ser gamer e trabalhar com isso, e que mesmo que eu trabalhasse diretamente com crianças isso não significava nada, decidi que o melhor era investir aquele dinheiro em outro psicólogo mais bem preparado e munido de menos preconceitos.

No entanto, essa psicóloga é apenas uma representante do pensamento que ainda permeia muitas pessoas, com uma visão retrógrada e preconceituosa quanto aos games, não levando nem mesmo a sério uma pessoa que trabalha e ganha dinheiro com isso. Provavelmente, uma pessoa que apenas usa os games em momentos de descontração para se divertir seria alvo de um preconceito ainda maior.

E a arma contra isso é qual? A velha máxima chamada informação. Os videogames são uma ferramenta de entretenimento como outra qualquer, como livros ou filmes, e falar “videogames” como uma coisa só é vago, pois é o jogo que vai determinar se ele é feito para crianças ou adultos. Além disso, mesmo que um jogo seja destinado às crianças, ele pode entreter um adulto, assim como um filme da Disney também leva muitas pessoas as salas de cinema. Quantos adultos você conhece que jogam Super Mario ou Sonic?

A melhor arma contra qualquer preconceito é a informação.

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