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Sempre chegamos nesta etapa da geração de games e consoles: aquela fase na qual as produtoras já estão amplamente estabelecidas, mas parece que os desenvolvedores começam a ter dificuldades para manter o equilíbrio entre evolução técnica e novidades tecnológicas para os seus consumidores.

Claro, com a ascensão de novos modelos, presentes no PlayStation 4 Pro e no poderoso Xbox One X, a tênue linha mencionada anteriormente foi levemente “borrada”; contudo, o que sobra de poder gráfico (GPU) nas versões aprimoradas dos videogames lançados originalmente em 2013, falta em processamento geral.

Os processadores sempre foram o calcanhar de Aquiles dos aparelhos desta geração. Desde o início, diferentemente da Sony com o seu poderoso (além de caro e complexo para programar) “Cell” na era anterior, as empresas utilizaram processadores AMD Jaguar com 8 núcleos, mas com perfil para equipamentos de baixo consumo energético – e, consequentemente, com menos ênfase em desempenho “extraordinário e bruto”.

Isso causou um efeito colateral, também, no ascendente mercado de jogos para PC: enquanto você precisa de uma placa de vídeo relativamente “violenta” para rodar os jogos modernos com todos os seus efeitos e resolução alta, na parte de CPU até era viável, em boa parte dos casos, fazer certa economia sem afetar tanto o resultado final.

Claro, existem jogos que, justificadamente, utilizam de forma otimizada o poder de novos processadores… mas, era possível, paralelamente, utilizar uma placa de vídeo poderosa com um processador mais antigo, como o transcendental Core i5 2500k.

Obviamente, você teria algumas desvantagens se comparado com o seu amigo portador do melhor oferecido pelo mundo do processamento computacional, porém… ainda poderíamos extrair uma experiência relativamente equilibrada e satisfatória em boa parte dos jogos multiplataformas. A situação era viabilizada pelo fato dos games, muitas vezes, serem estruturados visando tanto o PlayStation 4 quanto o Xbox One, e ambos possuem características similares quando se trata de processador.

Com o lançamento de suas versões “fortificadas”, pouco mudou no cenário apontado. O poder gráfico foi expandido entre 4 e 6 vezes se comparados com seus “irmãos mais velhos”; todavia, o salto na área de processamento, por motivos estruturais, limitações de investimento ($$$) e compatibilidade, foi extremamente mais conservador. Sendo assim, podemos notar alguns saltos massivos na quantidade de pixels e até em alguns efeitos estéticos mais complexos, mas o framerate acaba sendo limitado, assim como outras evoluções ligadas aos cálculos executados pelas centrais de processamento.

Como chegamos em uma situação confortável na área de GPU, é apenas natural imaginar que o salto na próxima década pode, e deve, ser mais centralizado para CPU’s.  Como os consoles atuais já possuem arquitetura x86, similar aos computadores, facilitará a vida da Sony – caso queira implementar a retrocompatibilidade em seu possível PlayStation 5.

Como já foi citado, graças ao seu poderoso e complexo “Cell”, na era do PS3, era muito difícil e custoso implementar o popular recurso de maneira nativa no PS4. A Microsoft, por sua vez, aproveitando a construção similar do lendário Xbox 360, aproveitou a limitação da sua concorrente e utilizou a sua extensa biblioteca de jogos retrocompatíveis de forma nativa.

Se a empresa japonesa não implementar a desejada função no seu futuro console, oferecerá uma vantagem enorme para seus desafiantes desde o início. Com as facilidades possíveis graças ao sistema mais amigável do PlayStation 4, seria coerente a inserção da funcionalidade no seu “ainda gestante” irmão mais novo.

Rumores apontam o pontapé inicial da próxima linha de videogames entre o fim de 2020 e o primeiro trimestre de 2021. As datas seriam consistentes ao ciclo usual de 7 anos entre uma fase de consoles e a próxima. As empresas responsáveis ainda não anunciaram diretamente algo relacionado; contudo, já sabemos que a família Xbox pretende ser expandida futuramente, assim como o segmento PlayStation.

Com o advento de novas tecnologias de streaming, como o “Project Stream“, financiado pelo Google – assim como pode ser observado em alguns investimentos das responsáveis atuais pelos consoles de mesa -, é possível uma ênfase maior, em uma próxima geração, em ferramentas de transmissão remota.

Até o presente momento, ainda não possuímos informações sólidas para afirmar sobre o caminho traçado no mundo dos games.

Até a situação de fato se concretizar, aproveitemos então a atual fase extremamente frutífera de jogos para todas as plataformas. Desde versões reconstruídas de clássicos, como “Resident Evil 2”, indo para continuações aguardadas há uma década, como “Devil May Cry 5”. Estamos vivenciando um dos melhores momentos de acessibilidade e disponibilidade da geração.

Quando chegar o momento certo, aí sim poderemos analisar de maneira definitiva os próximos passos de um mercado de entretenimento bilionário e em constante evolução.