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O que torna um jogo atemporal? | Opinião

Uma boa ideia vale mais que uma boa produção

Muito se fala na web sobre determinado jogo que “era ótimo na época, mas envelheceu mal”, enquanto outros tantos jogos são chamados de “clássicos atemporais”, em que você pode pegar em qualquer época que ele continuará sendo divertido e transmitindo uma boa experiência. Ou seja, alguns games parecem ter prazo de validade, enquanto outros são iguais a vinhos, pois  mesmo o tempo passando, continuam gostosos de jogar. No entanto, o que será que faz um game atemporal?

Essa é uma pergunta cuja resposta entra em nosso lado subjetivo, já que a diversão que um título proporciona está diretamente relacionada as experiências individuais de um jogador. Por outro lado, há alguns sensos comuns perante os jogos atemporais, já que provavelmente vão dizer que o Castlevania Symphony of The Night do PlayStation 1, o The Legend of Zelda Ocarina of Time para o Nintendo 64, e o Chrono Trigger para o Super Nintendo são atemporais.

Particularmente, creio que um jogo atemporal é aquele que consegue proporcionar uma experiência divertida independente das limitações tecnológicas. É quando uma boa ideia vale mais do que a tecnologia empregada nele.

A história de Final Fantasy IV para o Super Nintendo, por exemplo, é boa independente da época, podendo funcionar bem em outra mídia, e o mesmo vale para as músicas deste game e de qualquer outro Final Fantasy clássico. Os sistemas, mesmo bem datados, e os gráficos, bem simplórios até mesmo para o Super Nintendo, não incomodam quando você imerge naquele universo e naqueles personagens.

O Castlevania Symphony of The Night, além de ter uma jogabilidade fluida, bastante variada e, ao mesmo tempo, simplória, tem visuais lindos em 2D, tanto na animação do protagonista Alucard quanto nos cenários detalhados. É bonito de ver independente da época, e o mesmo vale para a trilha sonora, com músicas muito bonitas. O jogo é tão bom que você pode passar 8 horas jogando-o direto que você “nem sente” o tempo passar de tão imerso que você fica.

Os visuais de Castlevania Symphony of the Night são bonitos de ver, independente da época.

E não precisamos ir tão longe, já que jogos como “The Moon” e “Undertale”, que são feitos por pessoas independentes e são relativamente recentes, proporcionam boas experiências mesmo com recursos escassos.

Isso nos leva a pensar que um jogo atemporal é aquele que é bom independente da tecnologia empregada nele, já que um game muito bem produzido pode ser “lindo” em determinada época, mas se não tem criatividade, inovação, um roteiro inteligente, tem personagens genéricos etc, pode-se ter gasto milhões de dólares que ele não sobreviverá a ação do tempo.  Primeiro vem a boa ideia, depois ela deve ser bem executada, e aí temos o núcleo dos jogos atemporais.

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