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A Blizzard está tendo que lidar com uma das maiores crises de sua história. Ao anunciar na BlizzCon que o novo Diablo será lançado para mobiles, recebeu instantaneamente o hate de parte considerável da comunidade gamer. Dislikes no trailer no YouTube, comentários negativos por toda parte… Mas aí podemos nos perguntar: o que a empresa poderia ter feito de diferente para evitar tamanha repercussão negativa?

Você pode responder “não lançar o próximo Diablo como um jogo para smartphone”, e de fato isso é algo válido. Mas vamos assumir que esta não é uma opção: Diablo Immortal será mobile e ponto final.

Começando pelo ponto mais claro: se uma pessoa assiste ou vai à BlizzCon, ela provavelmente não é uma ávida jogadora mobile. Ela pode até curtir bastante ali seu Hearthstone, mas definitivamente não está no evento porque conheceu a Blizzard pela Google Play ou App Store.

Aí você reúne essa comunidade apaixonada e fiel, sobe num palco na cerimônia de abertura e anuncia para eles a sequência de um dos mais clássicos títulos da história dos games… Mas para uma plataforma que não levou ninguém até ali. Um pouco incoerente, não é mesmo?

Talvez só mostrar um trailer do tipo “Diablo Immortal: coming soon” seria mais prudente, apesar de que o backlash na internet ainda aconteceria quando a comunidade descobrisse do que se trata o projeto. Ou melhor: poderiam colocar um stand para Diablo Immortal no evento e passar propagandas durante a transmissão da BlizzCon. Provavelmente os fãs mais fiéis ainda torceriam o nariz, mas o hate não chegaria nem próximo ao ponto que chegou. Pelo menos pouparia Wyatt Cheng de passar por aqueles desconfortáveis momentos no palco.

A empresa é amada por seus fãs, mas parece que teve um excesso de autoconfiança, achou que a audiência compraria a ideia mesmo que fosse um tanto torta. Parece que esqueceu que fidelizou seus gamers por meio de jogos que são o oposto do que se define por casual. Estamos falando de Starcraft, World of Warcraft, do próprio Diablo, de jogos que fizeram pessoas passarem horas e horas na frente do computador.

Erros acontecem e a Blizzard sabe que errou. Pelo histórico deles, é possível assumir que vão de fato ouvir a comunidade e não cometer um equívoco semelhante no futuro. Tal equívoco, que fique bem claro, não é a existência em si de Diablo Immortal. Não há problema algum em lançar o game mobile, muita gente vai conhecer, jogar e se divertir (ou não, caso o game seja de fato ruim), fora que eles têm todo o direito de fazer tentativas.

O equívoco foi, na verdade, uma questão de comunicação e compreensão do público. Serve como sinal, tanto para a Blizzard quanto para outras empresas, não caírem nesse tipo de armadilha no futuro.