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Opinião | O que faz uma boa análise de um game?

O conhecimento é sempre mais forte que o achismo

O jornalismo gamer volta e meia é criticado de modo “feroz” porque os profissionais da área fazem uma análise que muitas vezes não se baseia na real qualidade do título, ou “açucarando demais” suas virtudes, ou dependendo da série, colocando um “peso desproporcional” nos defeitos. Some isso ao fato de que na internet há muitos haters e fanboys de determinada franquia, e as críticas perante esses profissionais parece inevitável.

Isso poderia ser reduzido pelos mais leigos como “é apenas a opinião de quem escreve”, mas as coisas não são tão simples assim. A opinião muitas vezes é condicionada a uma linha editorial de determinado veículo de comunicação, além de que muitos jornalistas escrevem o que dará maior audiência para o canal. Não é incomum que muitos nem joguem o game de fato, apenas reescrevendo com as próprias palavras textos de outros canais.

Mas aí vem a pergunta que dá o título desta matéria: “O que faz uma boa análise de um game?” e, na opinião deste que vos escreve, é a quantidade de informações concretas e não uma simples percepção do que acontece. Assim como a Gabriela Prioli virou meme dizendo ao Monark durante o Flow Podcast que precisamos dos dados baseados na realidade para emitirmos um juízo de valor, uma boa análise de um game também passa pela quantidade de informações temos perante aquela obra.

Quanto mais informações você tem perante aquele objeto analisado (os games), mais sólida será sua opinião perante ele, e mais convincente será sua mensagem na hora de transmitir.

Evidente que no mundo de hoje às vezes não temos tanto tempo para zerar o jogo inteiro, além de que pesquisar sobre o desenvolvimento, as motivações da equipe de produção para tomarem determinada decisão etc pode ser uma tarefa impossível em que temos que ser cada vez mais ágeis na hora de entregar um texto no prazo determinado.

Em muitos casos, uma análise é feita baseada mais em nossa percepção mesmo, só que este não é o ideal, já que entramos no “achismo”. A informação é sempre mais forte que a opinião, e é importante utilizá-la para estruturar sua análise. Nossa percepção pode estar contaminada com opiniões de terceiros ou às vezes estamos em um mal dia e simplesmente não gostamos do que vemos.

Um caso particular envolve uma videoanálise que fiz há alguns anos para o Planeta Sonic falando sobre o Sonic 2006, considerado um dos mais polêmicos da série e que, de fato, é o game mais fraco da saga principal, de modo indiscutível.

Escrever o roteiro dele foi especialmente desafiador, pois muitos ultra-jovens e adolescentes hoje em dia gostam desse jogo e possuem algum tipo de vínculo afetivo mesmo com todos os defeitos que o game possa ter, e outros tantos detestam ele de modo que qualquer elogio, mesmo a trilha sonora que é boa, já é motivo de ter “sangue nos olhos”. No entanto, sabia que tinha feito um trabalho bem feito quando haters e fanboys deste game foram praticamente unânimes em dizer que a análise era de qualidade.

O review sempre passará pelo nosso lado subjetivo e pela nossa percepção, já que é impossível sermos isentos de opiniões. No entanto, é importante reforçar mais uma vez que quanto mais você conhece o jogo, mais forte será sua opinião perante ele.

Então quer fazer uma análise sensacional? Zere 100% os games, pesquisar sobre o desenvolvimento, procure conhecer todos os detalhes, estude bastante as curiosidades, quais são os defeitos, compare com outros games da mesma série e também outros semelhantes, e depois de toda essa carga de informação, você ajuíza um valor se aquela experiência é positiva ou negativa.

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