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Por que jogos de videogame no Brasil são tão caros?

Sempre foi "coisa de rico", mas ultimamente anda pior

Se existe uma reclamação que une gamers de todas as idades no Brasil, é o preço dos videogames e seus jogos. Desde os anos 1980, quando o Atari e o Master System começaram a ganhar espaço por aqui, os consoles e cartuchos sempre custaram muito mais do que em países como Estados Unidos ou Japão, sendo muito caros. E, mesmo com o avanço da tecnologia e a chegada das lojas digitais, essa diferença continua gritante. Mas afinal, por que jogar no Brasil custa tão caro?

Nos primórdios da indústria brasileira, o país não tinha representação oficial de grandes fabricantes como Nintendo ou Sega. O mercado era dominado por importadores e fabricantes locais que criavam clones de consoles (como o famoso Phantom System, clone do NES) para driblar as barreiras de importação e os altíssimos impostos.

A política de reserva de mercado para a informática dos anos de 1980 impedia a importação de produtos eletrônicos, o que impossibilitava trazer consoles originais legalmente. Quando a abertura econômica começou, o impacto foi imediato: o público pôde finalmente comprar videogames oficiais — mas os preços eram altíssimos, devido à carga tributária e ao custo logístico.

Atualmente, o principal motivo dos preços elevados continua sendo a alta carga tributária. Um videogame importado paga uma série de impostos em cascata, como:

  • Imposto de Importação (II) — até 20%;
  • IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) — entre 15% e 50%, dependendo da categoria;
  • PIS/Cofins — cerca de 9,65%;
  • ICMS estadual — que pode variar de 17% a 25%.

Somando tudo, o preço de um console pode praticamente dobrar em relação ao valor praticado em países desenvolvidos. De acordo com dados do U.S. International Trade Administration, o Brasil é um dos países com as tarifas de importação mais altas do mundo para produtos de entretenimento eletrônico. Mesmo com reduções pontuais — como as anunciadas entre 2019 e 2022 para consoles e acessórios —, o impacto ainda é pequeno diante da estrutura tributária geral.

Outro fator importante é o valor do dólar. Como a maioria dos jogos e consoles é importada, qualquer oscilação cambial afeta diretamente o preço final. Além disso, o mercado brasileiro enfrenta custos de distribuição que encarecem o produto. Mesmo nas lojas digitais, como PlayStation Store, Nintendo eShop e Xbox Store, os preços seguem atrelados à cotação internacional e à política de cada empresa — que muitas vezes preferem equiparar valores a padrões norte-americanos.

Houve tentativas de aliviar esse cenário. Em 2019, um decreto presidencial reduziu as alíquotas de importação de consoles, partes e acessórios de 50% para 40% e depois para 20%. Em 2022, houve nova redução, com a promessa de baratear os preços para o consumidor. Entretanto, na prática, o impacto foi modesto. O valor do dólar e os custos internos continuaram altos, e o preço médio de jogos AAA físicos e digitais seguiu acima de R$ 300.

A IIPA (International Intellectual Property Alliance) observou, em relatório de 2024, que o Brasil ainda mantém barreiras significativas à competitividade da indústria de entretenimento digital, incluindo processos de importação lentos e tributação em múltiplos níveis.

Mesmo com os preços elevados, o público brasileiro continua sendo um dos mais engajados do mundo. O país está entre os cinco maiores mercados consumidores de games do planeta, segundo dados da Newzoo. A popularização dos jogos digitais, dos serviços de assinatura (como o Game Pass) e a crescente indústria nacional de desenvolvimento independente têm ajudado a democratizar o acesso, mas a sensação de “pagar caro pra jogar” ainda é uma realidade difícil de escapar.

Enquanto o sistema tributário brasileiro não for reformulado de forma estrutural, o sonho de ver consoles e jogos com preços mais justos continuará sendo — ironicamente — um verdadeiro modo hard para o gamer brasileiro.

📚 Fontes

Victor Miller

Jornalista formado pela PUC-Rio e pós-graduado em Planejamento Estratégico de Mídias Sociais pelo SENAC Copacabana. Apaixonado por videogames desde a infância, ganhou destaque na internet com o Planeta Sonic e hoje é reconhecido como o “Rei dos Sonictubers” — título que abraça com gratidão, ainda que se considere apenas um mero mortal.
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