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Originária do Playstation 2, a série Ratchet & Clank sempre foi sinônimo de diversão para toda a família. Quando o primeiro game foi lançado, nas idas de 2002, o game trouxe um sólido e belo jogo de plataforma, com uma história simples e bem-humorada e com personagens carismáticos que agradavam crianças e adultos. Assim a série seguiu, sempre mantendo o clima bem-humorado e familiar, mesmo que em games de qualidades variáveis, mas nunca ruins, deixo claro.

Com os anúncios de um novo jogo da série a ser lançado para Playstation 3 e um longa-metragem baseado na série, os fãs da série entraram em reboliço, assim como os fãs de games de plataforma possuidores de um Playstation 3, órfãos de um bom jogo do gênero e traídos pela decepção que foi Knack.

O filme, com lançamento próximo a data em que esse texto está sendo lançado, contará basicamente a história do primeiro game da franquia. Ele foi todo produzido em CGI e está lindo de morrer. Quanto ao game, esse foi lançado essa semana. Dito isso, vamos a análise de Ratchet & Clank.

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Remake do primeiro game da série, Ratchet & Clank conta novamente a história da primeira grande aventura dos protagonistas. Em resumo, o antagonista Drek deseja literalmente roubar pedaços de planetas da galáxia de Solana para construir um novo planeta para sua raça, os Blarg. Esse planeta foi consumido pelos próprios Blargs, não sendo mais habitável devido a, entre outros, utilização e todos os recursos naturais do planeta e poluição.

Os protagonistas Ratchet e Clank, que se conhecem por uma obra do destino, unem forças para combater as ambições do antagonista, viajando de planeta a planeta ao redor da galáxia e enfrentando Drek e sua horda. Esse encontro dá início a aventura, com o robozinho Clank, que sabia dos planos de Drek, sendo encontrado por Ratchet, um lombax que sonha em fazer parte da Patrulha Estrelar. Ratchet vê em combater os planos de Drek uma boa maneira de provar o seu valor e conseguir a sua já anteriormente fracassada chance em ser aceito pela a Patrulha.

Também possui importante papel na história o Capitão Qwark, considerado o maior herói da galáxia Solana, ídolo do protagonista Ratchet, capitão da Patrulha Estrelar e um verdadeiro fanfarrão covarde.

Capitão Qwark esse que, ao contrário do jogo original, dá o tom da narrativa nesse game. Esse fato dá uma nova perspectiva a uma história já conhecida e o script brinca muito bem com essa liberdade criativa. Em muitos momentos ao longo de sua narrativa, o capitão exagera fatos, confunde fatos, é contraditório, entre outros. Tudo sempre com um humor bem pastelão.

Apesar de a história ser bem simplista, sem grandes surpresas ao longo de seu decorrer, a narrativa e o carisma dos personagens são os grandes charmes. Esses dois fatores fazem com que o jogador “compre”, com grande satisfação, a simplista história.

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Absolutamente todos os personagens que o game apresenta são carismáticos, cada qual a seu modo, mesmo os antagonistas. Ratchet e Clank possuem uma interação apaixonante, mas quem rouba a cena sempre que nela se encontra é mesmo o capitão Qwark e suas “patetísses”.

Apesar de simplista e de ser basicamente a mesma história do original, Ratchet & Clank resolve melhor algumas questões de desenvolvimento de situações e de personagens, o que faz do storytelling do game atual algo bem mais orgânico que outrora.

Se aproveitando do poder do console de atual geração da Sony, a Insomniac Games deu um tratamento de luxo no visual do game. Todos os cenários são extremamente variados, detalhados, coloridos e vivos. Cada planeta visitado pela dupla de protagonistas tem suas particularidades bem acentuadas e todos são muito inspirados.

A modelagem e movimentação dos personagens impressiona. Todos, personagens principais ou não, são construídos com muita inspiração e muitos detalhes. Os produtores se aproveitaram também do fato de o game se passar em diversos planetas e trouxeram uma grande variedade de espécies.

A direção de arte é lindíssima, atualizando de maneira muito competente tudo o já visto no game de 2002.

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Se tratando do remake de um jogo de 14 anos de idade e de duas gerações anteriores, o atual Ratchet & Clank estar muito mais belo é algo consequencial. O mais importante aqui por certo seria atualizar o gameplay de outrora para os padrões atuais, fazendo-o relevante e mantendo-o fiel as experiências que o game original proporcionou. Isso pode parecer simples, mas inúmeros games ao longo dos anos falharam miseravelmente nessa tentativa.

Felizmente, Ratchet & Clank não somente atualiza, mas melhora o gameplay do original em todos os sentidos.

O sistema de upgrade das armas, assim como as armas em si, merecem destaque. Além do retorno das armas do original, algumas novas foram adicionadas ao arsenal dos protagonistas. Uma arma em específico chama atenção, a pistola que pixeliza os inimigos e os explode enchendo a tela de pixels. Mas ela não é a única interessante e criativa, ora, Ratchet & Clank possui uma arma que faz os inimigos entrarem em uma dança frenética e hipnótica, fazendo deles fáceis alvos.

Cada arma gera um impacto visual diferente, o que ajuda a compor a beleza geral do game.

O sistema de upgrades possui duas vertentes. As armas se fortificam com o uso das mesmas, mas também possuem um sistema de customização que dá a elas características diferenciadas. A união dessas duas mecânicas incentivam o jogador a usar todas as armas para maximizar seus potenciais, bem como realizar o upgrade em todas, o que por si só aumenta o fator replay de Ratchet & Clank.

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Apesar de ser um game focado em plataforma e em secções de tiros em terceira pessoa, o game possui momentos de gameplay diversificados, como os objetivos em que se deve usar a nave de Ratchet contra frotas de Drek e de momentos em que o jogador controla diretamente Clank em cenários que se focam na resolução de criativos puzzels.

Isso dá diversificação ao gameplay de Ratchet & Clank, o que faz com que jogá-lo sempre proporcione experiências variadas e recompensadoras.

É possível voltar livremente a planetas já visitados para explorá-los ao máximo a procura de itens secretos, novos objetivos e afins. Apesar de ser um conceito interessante, em especial para um game de plataforma, muitos desses backtrakings possuem poucos inimigos a enfrentar e pouquíssimos desafios a atravessar, fazendo dessas explorações experiências mais vazias do que o ideal.

A dublagem brasileira é muito boa e dá a cada um dos personagens a necessária interpretação para a manutenção de todo o charme e carisma de cada um deles. É muito bom notar que a dublagem de games no Brasil começa a ser tratada com mais profissionalismo e games como os atuais Quantum Break e Ratchet & Clank são provas cabais disso.

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A trilha sonora e os efeitos sonoros completam o pacote audiovisual de Ratchet & Clank de maneira primorosa. Cada arma e cada gadget possui sua própria e distinta representação auditiva. As músicas do game são animadas, variadas e complementam o clima da história e carisma dos personagens.

Em um período em que tanto no cinema, quanto nos games, todos aparentemente clamam por um clima mais realista, mais sombrio e violento, Ratchet & Clank prova que sempre haverá espaço para um game mais leve, colorido e divertido, basta empenho da equipe de produção.

Combo Bônus: O game está baratinho na PSN Store (pelo menos para os padrões dos valores de games para PS4). Por certo você já pagou muito mais por um game que não era metade do que Ratchet & Clank o é.