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Dentre os anúncios dos exclusivos de primeira geração para o Xbox One, um deles me chamou especial atenção. Um game com aparente ação “over the top”, lindíssimo, ambientado na antiga Roma e com batalhas cheias de sangue e vísceras. Esse game foi Ryse: Son of Rome.

Apesar de enojar tudo o que estava sendo divulgado relacionado as políticas de serviço que a Microsoft queria impor ao gamer com o Xbox One, esse game sempre fazia meus olhos brilharem.

Mesmo os rumores de excesso de QTEs nas batalhas e gameplay possivelmente truncado conseguiam me tiravam a vontade de jogar e me sentir o romano mais foderoso do universo, a cada novo trailer que era liberado.

Sem nenhuma surpresa Ryse: Son of Rome foi o primeiro game do Xbox One que joguei, pois eu simplesmente não tinha olhos para outro game naquele momento. Tão lindo e tão violento…

Maldito hype!

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A primeira grande decepção da nova geração.

Roma, batalhas épicas e sangue. Esses três elementos, aliada a beleza do game, foram os motivadores para que não somente eu, mas um séquito de pessoas se interessassem instantaneamente por Ryse: Son of Rome. Justiça seja feita, o game realmente tem essas características em toneladas.

Por certo Ryse: Son of Rome é o game mais belo da primeira leva de games para Xbox One. A ambientação de Roma é incrível, com cenários belos e / ou caóticos na medida ideal para dar a injeção de ânimo necessária no jogador para batalhas épicas.

Algumas passagens do game, sempre voltadas para a brutal ação romana, são de tirar o fôlego não somente pela beleza, mas também pela estética e movimentação do que está ocorrendo na tela.

Efeitos de iluminação são soberbos, mesmo que o fogo, a meu ver, não seja tão convincente o quanto eu achei que o seria. As texturas em tudo no game são de altíssima qualidade e retratam muitíssimo bem aquilo que necessitam. Isso, junto à bela direção de arte, realmente faz o jogador acreditar que está em Roma.

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Mesmo rodando a somente 900p e aos controversos 30fps, Ryse impressiona muito no setor visual. De acordo com a Crytek, essa escolha foi para maximização de desempenho. Escolha compreensível e que realmente funcionou, pois Ryse roda no Xbox One de maneira muito fluida, absolutamente sem engasgos.

As batalhas, esteticamente falando, em um primeiro momento impressionam muito. Os movimentos de batalha do herói Marius são de uma naturalidade como jamais se viu em outro game do gênero. Não somente o personagem principal, mas todos em campo de batalha cumprem muito bem o seu papel nesse ponto.

As finalizações dos inimigos são sempre seguidas de um QTE em slow motion, o que deixa tudo muito mais dramático. Além disso, essas finalizações proporcionam momentos de puro deleite visual dada a alta dose de violência e sangue inclusos nas mesmas. Na verdade, o game como um todo é muito violento, mas estamos falando da Roma antiga então tem de ser assim.

O áudio do game também faz bonito. Efeitos sonoros pertinentes, uma dublagem levemente canastrona (incluindo a brasileira), mas que não compromete tanto e belas composições musicais fazem do pacote audiovisual de Ryse algo com certeza acima da média e dão a ele uma primeira impressão muito boa. Mas aparências podem enganar.

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Assistir alguém jogando Ryse: Son of Rome é uma experiência sensorial interessantíssima. Jogá-lo, até certo ponto também o é. Infelizmente, seus problemas aparecem muito cedo e não são problemas nada releváveis.

As batalhas, foco central de qualquer game de ação, sofrem pela falta de competência da equipe de produção de realizar algo variado, complexo e verdadeiramente interessante. Infelizmente Ryse é mais um “mash button” sem nenhuma criatividade. É claro que ninguém imaginou que o jogo tivesse a complexidade de um Bayonetta ou um Ninja Gaiden nesse setor, mas o game sofre com uma falta de variedade enorme até mesmo para padrões de games com ação “mashante”.

Aliada a falta de variedade nas batalhas, temos as constantes e não opcionais cenas de finalização de slow motion. Nas primeiras vezes realmente esses momentos nos fazem querer mais e mais disso, mas depois da quinquagésima vez enche o saco. Infelizmente isso irá continuar até o final do game. A coisa satura tanto que até mesmo a violência que essas cenas produzem perdem o impacto após algum tempo.

Por falar nas finalizações com QTEs, acertá-los só lhe garante mais experiência para a desnecessária evolução de seu personagem. Caso o jogador erre o botão a ser pressionado, a animação continuará da mesma forma. Isso somente ajuda a tornar as batalhas poços de monotonia. Aliás, já comentei que as animações possuem pouquíssimas variações?

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Para fechar o pacote de incompetência no setor de batalhas, a movimentação do personagem, apesar de fluída na tela, é truncada enquanto gameplay. Um game de ação que possui uma ação que rapidamente satura o jogador e que ainda é truncada só pode estar fadado ao fracasso.

Mesmo em tentativas de variação do gameplay principal, como nas partes de invasão às torres, em que controlamos um grupo de soldados romanos indo em direção ao alvo para a invasão, são de uma pobreza de mecânica sem igual.

Quanto a história de Ryse, ela é monótona, com uma péssima progressão, “plot twists” dignos de novelas mexicanas e com uma tola justificativa para fazer Marius a suposta máquina de matar Bárbaros romana em que ele se torna.

O modo Multiplayer se foca em arenas para batalhas, ou seja, mais do mesmo terrível gameplay do modo campanha, mas agora batalhando online contra seres humanos de todas as partes do mundo. Absolutamente masoquista se me permite dizer.

Aqui mais mecânicas ruins a escolha. Pior ainda, mercenárias!

Em Ryse, como é previsível, os DLC´s lá estão para auxiliar o jogador a se tornar mais poderoso online, por intermédio da compra de itens valiosos. Infelizmente, nesse game a compra não é do item em si, mas sim do aumento de chances de se dropar um item raro e poderoso. Isso mesmo, você paga para ter mais sorte de um bom drop. Nem a Capcom havia pensado em algo tão mercenário assim até então!

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