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Assisti recentemente aos cinco primeiros episódios de “Saint Seiya: Soul of Gold“, o novo anime da nossa querida franquia Cavaleiros do Zodíaco. Esperei esse tempo justamente para conferir mais episódios de uma só vez, para ter uma opinião mais bem formada do que podemos esperar dessa série, que você pode conferir abaixo. O texto contém spoilers dos cinco primeiros episódios.

Para quem não sabe, “Soul of Gold” (SoG) foi lançado em abril de 2015 e tem episódios quinzenais, lançados nos serviços de streaming Daisuki e Crunchyroll (até o momento foram lançados cinco, o sexto estreia dia 19/06). O enredo é focado nos Cavaleiros de Ouro, especialmente Aioria de Leão, e se passa DURANTE a saga de Hades, logo após os 12 dourados sacrificarem suas vidas para destruir o Muro das Lamentações, para ajudar Seiya e os outros a entrarem nos Campos Elísios. O anime tem uma temporada confirmada com 13 episódios.

Aioria e sua armadura de ouro divina

Muitos fãs antigos da série ficaram com um gosto amargo na boca após o lançamento dos medíocres “Saint Seiya: Omega” e “Os Cavaleiros do Zodíaco: A Lenda do Santuário“, esse último exibido nos cinemas no ano passado. Essas duas produções foram claramente feitas para agradar uma nova geração de fãs, mas SoG percorre trajetória contrária, ao apresentar uma narrativa fortemente amarrada nas sagas Asgard e Hades, tentando ao máximo se aproximar da animação clássica dos anos 80. Os fãs antigos agradecem!

Aldebaran e Dohko tomam biritas e lutam juntos

E já no primeiro episódio “Reviva, Lenda Dourada!“, vemos que a Toei não se preocupou nem um pouco em dar explicações, fazer apresentações ou mostrar um mínimo de contexto. Inúmeras referências são jogadas nos primeiros minutos e apenas quem acompanha a série desde o seu início conseguirá compreender todas, o que é excelente, diga-se de passagem. Aqui separamos os verdadeiros fãs dos posers que surgiram recentemente.

Odin e a Yggdrasil

Assim, acompanhamos logo no início um Aioria acordando em Asgard, perguntando-se porque ele não está morto e quem o trouxe de volta. É jogada na narrativa que o deus nórdico Odin pode estar envolvido no reaparecimento dos Cavaleiros de Ouro, mas o episódio segue envolto de mistérios e poucas respostas.

O coração bate mais forte quando antigas referências como Hilda de Polaris e sua irmã Freya, ignoradas no mangá e pouco exploradas nas sagas seguintes na animação, aparecem na tela. Hilda está com um misteriosa doença, assim um novo governante para Asgard surge.

Hilda está mal

O anime também explora melhor a mitologia nórdica, como a colossal árvore Yggdrasil e os Einherjar (guerreiros mortos de Odin), pouco aproveitados na saga clássica. Ponto positivo para a nova produção, que não ficou apenas naquilo que já foi mostrado, mas que se preocupou em expandir esse universo de Asgard (muito rico por sinal) dentro de CDZ.

Assim vemos nos cinco episódios o reaparecimento de outros dourados, como Mu de Áries, Dohko de Libra (com uma personalidade diferente da original, que era mais sério e agora está mais debochado e descontraído), Aldebaran de Touro (aguentando trolladas do mestre de Shiryu), Máscara da Morte (que está sendo melhor explorado aqui, apesar de ser bizarro ver um cara mau como ele apaixonadinho por uma garota, mas que claramente está em um caminho de redenção), Afrodite espalhando sua beleza (e também melhor aproveitado), entre outros.

Câncer e Peixes têm os seus bons momentos (apesar de considerados pelos inimigos como os dourados mais fracos)

Certamente o melhor episódio até o momento é o terceiro, “Cavaleiro de Ouro contra Cavaleiro de Ouro“, pois como já revela o título, temos um confronto entre os dourados, combates esses sempre muito apreciados pelos fãs (como esquecer daquela luta de Shaka versus Saga, Kamus e Shura em Hades?). O episódio é muito bem estruturado, mostrando um Camus de Aquário ajudando um antigo amigo, Surtur, que agora é um Guerreiro Deus (um interessante gancho com o passado do dourado “traidor” e Asgard), contra Milo de Escorpião, que está louco para descer o cacete nos Guerreiros Deuses. Destaque também no episódio para a treta entre o Máscara da Morte e Aioria, que não chegam a duelar mas criam um clima intenso (e com direito a uma tirada espetacular de Câncer no final).

Camus e Milo protagonizam o melhor episódio até o momento

Sobre os novos Guerreiros Deuses e seu líder Andreas, os antagonistas da série, estão bem aquém do esperado, especialmente quando comparados com Hilda e seus asseclas, que foram muito bem explorados na saga clássica. Os novos rivais são desprovidos de qualquer carisma, mesmo porque suas personalidades foram pouco exploradas até agora. Suas lutas e golpes são fracas e sem qualquer emoção. Os únicos que se destacaram mais até o momento foram Surtur, amigo de Camus (e com poderes de fogo) que teve parte do passado revelado e que dá uma tirada do colega Frodi, Guerreiro Deus que “fugiu” de Aioria que usava uma armadura de ouro divina. Essa rivalidade entre os vilões já existia na saga Asgard e é bacana ver que resgataram isso nesta nova série. O outro Guerreiro Deus que tem potencial é Sigmund, citado como irmão de Siegfried da animação clássica e que nutre um grande ódio pelos cavaleiros de Atena.

o Guerreiro Deus Sigmund usa uma espada, assim como Alberich na saga Asgard

Já o chefão Andreas não foi muito bem explorado ainda e está envolto em mistérios. Quem é ele? Da onde veio? Quais são os seus planos? Ele é adorado pelo povo de Asgard, por parecer ser um homem gentil e bondoso, mas já foram mostrados indícios que ele possui interesses escusos por eles. Além disso, vale notar sua notável semelhança com Shun quando controlado por Hades (será Andreas outra vítima do senhor do inferno?).

Andreas, o líder dos sete novos Guerreiros Deuses

De uma maneira geral, SoG tem um roteiro de altos e baixos, sendo que os pontos altos são exatamente as referências ao passado, que despertam a nostalgia de qualquer fã antigo. Elementos inéditos também foram adicionados, alguns bem interessantes, como a antiga amizade de Camus com um Guerreiro Deus, a melhor exploração de personagens como Máscara da Morte e Afrodite (ignorados por seu criador no original, mas que não chegam aos pés de Manigoldo e Albafica de Lost Canvas nesta nova versão, só para ressaltar) ou a existência de um irmão amargurado de Siegfried, o mais poderoso cavaleiro de Hilda.

a misteriosa Lyfia, que acompanha Aioria

Porém, outros pontos novos deixam a desejar, como o melodrama chato do passado de Aioria e Shura, mostrado no quinto episódio, antagonistas sem inspiração (um Guerreiro Deus nórdico chamado “Hércules”, sério?) e principalmente, na minha opinião, o maior ponto fraco de SoG: uma animação de baixa qualidade, que apesar de se esforçar em manter os traços do desenho clássico, não se arriscou em apostar em algo mais moderno, especialmente durante os combates. Sem dúvida os confrontos dos Cavaleiros de Ouro são os mais belos de serem assistidos, infelizmente em SoG temos provavelmente as mais fracas animações já vistas em CDZ, sendo tudo muito estático e sem criatividade ao mostrar novos estilos para os dourados, o que fica evidente no combate entre Milo e Camus no terceiro episódio.

os marketeiros fazem a festa

Apesar de eu não ser um grande fã dessa história de Armaduras de Ouro Divinas (claramente uma jogada de marketing para vender novos bonecos), eles criaram uma história consistente para a sua aparição, que deve dar bons frutos futuramente, se não usadas exaustivamente, como vem sendo feito até agora (só eu acho essas armaduras divinas feias pracaraleo?).

Em termos de roteiro, SoG tem um grande potencial, especialmente em respeitar referências clássicas e cronologias da saga Asgard, que vai agradar em cheio os fãs antigos. Por outro lado, perde um pouco do brilho com animações fracas e que poderiam ser as mais espetaculares já vistas em CDZ até hoje. Lembrando que essa é apenas a MINHA opinião, de um fã de longa data de CDZ, que muitos podem concordar ou discordar (mas sem perder a elegância, por favor).

Deixe o seu comentário e nos diga o que está achando de SoG e quais são as suas expectativas para os episódios futuros. E aguarde no dia 19 a nossa análise do sexto episódio! Até lá!

Confira abertura do anime com a canção Soldier Dream