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Divulgação

A sexualização de mulheres nos games é uma tema sensível que volta e meia causa polêmicas na indústria, geralmente dividindo opiniões.

No entanto, de acordo com um novo estudo realizado por pesquisadores das universidades norte-americanas Stetson University e Fairleigh Dickinson University (via Kotaku), jogar com personagens femininas sexualizadas pode não ter um impacto tão grande sobre a satisfação do corpo das mulheres quanto se afirma por aí.

Argumentando que, no mínimo, deve haver jogos mais diversificados e que apresentem personagens femininos mais fortes e menos sexualizados faz sentido“, disse o coautor do estudo, Chris Ferguson, professor de psicologia em Stetson, para o site Kotaku.

Mas sempre que uma plataforma de advocacia se desenvolve não apenas dizendo: ‘Devemos fazer algo porque é a coisa certa a fazer’, mas nos movemos para alegações de danos casuais que não existem, isso enfraquece a defesa de direitos“.

O estudo contou com a participação de cerca de 100 mulheres para jogar dois títulos de Tomb Raider.

Um deles é Tomb Raider Underworld, de 2008, onde as participantes jogaram com uma Lara Croft “sexualizada” usando biquínis e roupas de mergulho coladas, que “enfatizava a cintura, quadris e seios de Lara“.

O outro título foi o Tomb Raider reboot de 2013, onde a heroína está usando calças cargo e blusa, com um visual bem discreto e menos “apelativo”, digamos assim.

As participantes, então, preencheram um estudo de autoavaliação sobre a aparência física e os resultados indicaram que jogar com a Lara “sexualizada” não fazia com que as jogadoras sentissem vergonha do seu corpo ou afetassem sua satisfação corporal.

As participantes identificaram a protagonista sexualizada do jogo como ficcional e, portanto, não uma fonte realista de mensagens sobre o corpo das mulheres“, teorizaram os autores.

Porém, Fergunson alerta que isso não significa que a mídia e cultura com representações únicas ou negativas de mulheres estejam totalmente bem.

Além disso, o pesquisador leu estudos que indicam que a insatisfação corporal das mulheres pode resultar mais diretamente de um ambiente familiar, de colegas ou de disposições hereditárias.

Por fim, vale citar também a opinião do autor em outro tema polêmico, que rejeita a ideia de que games violentos estimulam a violência nos jogadores.

Como pesquisador de violência em videogames e alguém que fez estudos sobre homicídios em massa, deixe-me declarar enfaticamente: Não há boas evidências de que os videogames ou outras mídias contribuam, mesmo que de forma pequena, para homicídios em massa ou qualquer outra violência entre juventude“, escreveu em um artigo de 2012.