Análises

Shining Force II

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RPG: A saga de um Gênero!

Dragon Quest, Phantasy Star, Final Fantasy, Fire Emblem… Não dá pra contar quantos RPGs surgiram desde a época do Master System e do NES. Mas com certeza podemos mencionar os nomes daqueles que mais se destacaram na sua época. Confira a análise de Shining Force 2, um dos grandes títulos da era de ouro do gênero RPG.

Verdade seja dita: o Sega Mega Drive nunca foi um console conhecido por ter jogos de RPG de grande êxito (não em comparação com seu rival, o saudoso Super Nes). Tudo bem, engana-se quem pensa que o MD não tinha bons jogos do gênero. Aqui vai uma lista de peso: Crusader Of Centy, Landstalker, a série Phantasy Star, Shining Force, Arcus Odyssey, Beyond Oasis (além de alguns outros que só saíram no Japão)… Todos são bons exemplos de primorosos títulos de RPG do console. Mas… convenhamos: eram muito poucos em comparação ao número que se via no console da Nintendo.

Os títulos de maior evidência do gênero no MD eram as consagradas séries Phantasy Star e Shining Force (franquias de sucesso da Sega até hoje, diga-se de passagem). Sim, os títulos de RPG do Mega Drive são poucos, mas estas duas séries fizeram-se sobressair frente a um mercado de RPGs dominado pelo console da Nintendo! Shining Force, que atacava com um sistema de estratégia bem sólido e divertido, e Phantasy Star, que se evidenciava por oferecer um enredo mais denso, distinto e atraente em relação aos demais RPGs da época, foram games que realçaram a imagem do Mega Drive, e tornaram-se um marco na história dos videogames.

No lugar da garotinha bonitinha do Shining Force original, a anfitriã desse jogo é uma bruxa… 

O Shining Force 2, avaliado nesta resenha, ainda hoje é lembrado e considerado objeto de especial afeição entre os jogadores e fãs mais antigos do gênero (sim, eu estou falando de mim também ^^). Este jogo é um dos melhores títulos da Série Shining (uma sucessão de RPGs da Sega de largo prestígio e popularidade). É difícil ser imparcial enquanto escrevo esta resenha, porque eu sou um grande fã da série! Mas não se preocupe, este é um texto sério — pode prosseguir com a leitura ;)

Com essa análise, procuramos relembrar a glória dos saudosos RPGs da era 16-bits, que eram um pouco diferentes do que se vê desde a era playstation: em que algumas produtoras pareciam mais preocupadas em colocar CGs incríveis, gráficos assombrosos, ou fazer uso de técnicas cinematográficas, entupindo dúzias de CDs… Enfim, exaltando muito mais o rótulo e esquecendo-se da essência nativa dos bons jogos. Desde a era 32-bits, o gênero RPG começou a passar por um acelerado processo evolutivo por meio do qual perdeu muito de sua antiga essência.

Já que o objetivo é esse, nada melhor que falar de um dos melhores RPGs tradicionais de todos os tempos.

O Melhor da Estratégia nos 16-bits

Quando se fala em Shining Force, não é estranho que se dê uma evidência especial a seu sistema de batalha estratégico! Este é o atributo mais marcante dos jogos desta linha! Neste jogo, seguindo a tradição da velha série resplandecente, você tem à sua disposição personagens bastante variados figurando combates num dos mais divertidos e sólidos sistemas de estratégia! Você planeja e executa os movimentos dos Personagens em um mapa bem simples (mas eficiente). A diversidade de Personagens e Inimigos — que variavam de magos, monstros, arqueiros, cavaleiros centauros, homens-pássaro, gosmas, esqueletos e por aí vai — constituía um dos pontos mais legais do jogo.

Hoje existem vários RPGs que seguem esse estilo estratégico, mas muito poucos têm o mesmo calibre e esplendor da série. Esse é um jogo dos mais grandiosos, com um sistema de batalha muito mais divertido que o de muitos RPGs modernos.

Durante as lutas, você ainda contava com maravilhosas seqüências animadas para figurar os ataques, oferecendo um efeito especial muito atraente, que caracterizou muito bem a série desde os tempos dos 16-bits até o Saturn — neste último, o que víamos eram seqüências 3D em tempo real. As animações de ataque de Shining Force 2 seguiam o mesmo estilo do primeiro game (Shining Force: The Legacy of Great Intention), mas com cores mais distintas e um pouco mais de animação.







Melee Ranged Magic
Guerreiros, anões, birdmen… O tipo mais comum: aqui, dois personagens entram em conflito corpo-a-corpo. Arqueiros e centauros com lanças de arremesso podem atingir oponentes à distância. O nome já diz… Magos costumam ser muito úteis nas batalhas.

Mas, sim… O Enredo!

Apesar da fórmula comum, “resgatar a donzela em apuros”, Shining Force 2 tem uma história genuína.

O argumento era bastante simples, e geralmente não apresentava nenhuma surpresa para os que já conheciam bem o gênero RPG! É aquele típico plot de resgate-à-princesa-em-apuros. Mas não se engane, esse jogo é imperdível! O ponto forte mesmo é a maneira como a história flui — é um épico, não preciso dizer mais nada. Vamos agora avaliar os principais incidentes que constituem a história do jogo. Não se preocupe caso nunca tenha jogado ainda, não contém nenhum Spoiler, pode prosseguir com o texto.

O entrecho do game seguia as seguintes linhas gerais:

Um terrível demônio é libertado com a retirada do lacre que o mantinha preso: duas jóias, a Jóia da Luz e a das Trevas, são roubadas pelo imprudente ladrão Slade. Com o “Rei dos Demônios” em liberdade, montes de monstros passam a habitar os bosques e colinas do mundo de Rune, e uma tempestade traz ao reino de Granseal o terrível sinal de mau agouro.



A igreja tinha papel fundamental no game. Com os “poderes da luz” do sacerdote, você podia salvar o jogo, ressuscitar aliados mortos, e promover seus guerreiros para novas classes.

O deus Volcanon supostamente põe fim à sua proteção do Mundo, afirmando que os humanos devem se responsabilizar pelos seus atos, e derrotar Zeon sozinhos (já que foram eles que libertaram o bicho). Zeon seqüestra a bela princesa Elis, mas não antes que o heróico Bowie (o protagonista, controlado por você) retire as jóias da Luz e das Trevas de seu poder. Estando sem as duas jóias, o terrível demônio não conseguirá recuperar o seu verdadeiro poder — ei!, ainda resta uma esperança para a humanidade! :p

Mesmo sem as jóias, Zeon é um inimigo poderoso, e controla toda a maldade e as ações dos monstros! Ah, mas não por muito tempo! Afinal, é aqui que entram os heróis =) : a nova Shining Force, carregando consigo o único vislumbre de esperança do Mundo! Controlando Bowie (ou qualquer outro nome que você prefira usar), você deve liderar sua imensa comitiva de heróis por um mundo cheio de cidades e raças que já são clássicas da série (Centauros, Birdmen, Anões, etc.)! Sua missão era se encontrar com Zeon, salvar a bela princesa e restituir a paz ao Mundo!

Bela Produção para o Mega Drive

Dando seguimento ao nosso objetivo de fazer um exame de todas as partes desse clássico, vamos agora falar da singela qualidade visual de Shining Force 2. Seguindo as normas de análise da época, os gráficos apresentavam uma qualidade decente. Personagens heróicos,  townspeople, árvores, arbustos, casas, montanhas, poços, rios e outros detalhes que não carregavam qualquer complexidade em sua composição abarrotavam o cenário com sua simplicidade e ingenuidade. Não dava pra utilizar alguns efeitos ou técnicas de programação até então nativos apenas do Super Nintendo, mas o game não decepcionava na parte técnica, e os cenários e mapas não causavam desilusão nos jogadores que curtiam explorar e sondar o ambiente. Aliás, com os metais secretos Mithryl e muitos itens secretos, os desenvolvedores do game mostraram algum interesse em premiar a exploração do cenário.

Os campos de batalha nos quais sua comitiva pelejava contra hordas de criaturas eram bastante variados: você e sua tropa resplandecente caminhavam por florestas, desertos, montanhas, cidades, castelos, rios, torres, etc. — e tudo era bem trabalhado. Um pequeno defeito é notável no sentido de que alguns personagens e monstros possuíam sprites repetidos, mudando apenas algumas cores aqui e ali. Mas se avaliado em sua maior parte, tínhamos aqui um grande trabalho do pessoal da Sega!

A composição musical do jogo era muito boa — as músicas das batalhas, por exemplo, eram muito marcantes. Um belo trabalho do compositor Motoaki Takenouchi, autor de músicas de outros grandes RPGs da velha guarda da Sega como Landstalker, Shining Force I, Shining Force Gaiden (1, 2 e 3), Shining Force CD, etc.

Apesar das óbvias limitações de um videogame de 16-bits, o compositor até consegue combinar os sons de modo agradável ao ouvido. Mesmo que você seja muito exigente, acho que não vai chegar a enjoar de nenhuma das músicas do jogo. Eu particularmente adoro aquela que toca nas cidades! =)

 

Shining Force Qualquer um Manja!

Quanto a sua dificuldade, pode-se dizer que este game era acessível tanto para os jogadores mais desatentos e casuais quanto para os que curtem passar horas na frente da TV — havia até um sistema de dificuldade, embora nunca se tenha sentido qualquer diferença entre os modos mais difíceis e o “Normal”. As batalhas do jogo não apresentavam nenhuma situação crítica ou excessivamente custosa ao jogador! À exceção de umas e outras batalhas do jogo (algumas eram um pouco difíceis, verdade seja dita), você não encontrava muitas dificuldades para fechar o game — Shining Force 2 era bem light. Claro que as batalhas mais importantes (contra chefes) são um pouco árduas, mas no geral os obstáculos não são muito difíceis de superar.

Shining Force 2 leva vantagem porque é um game com uma história de proporções épicas, mas não deixa de ter uma dificuldade mediana e acessível, levando jogadores desatentos de encontro a uma aventura na qual possam ser bem-sucedidos sem muitos custos ou tentativas de vitória repetidas e extenuantes. Existe, porém, um efeito colateral óbvio em toda essa simplicidade e acessibilidade – e, porque não, ingenuidade — do sistema de batalha: jogadores mais afeitos a uma dificuldade mais hardcore, que anseiam por games abundantes em desafios, ficarão profundamente insatisfeitos. Portanto, se você vibrou com a dificuldade de Hoshigami: Ruining Blue Earth, é melhor não ter muitas expectativas de desafios no singelo Shining Force 2.

Seria injusto, também, não falar da eficácia dos controles e da jogabilidade desse game. A simplicidade dos comandos básicos e a eficiência da jogabilidade conseguiram, sem objeções ou incertezas, produzir em toda a série Shining Force o efeito objetivado pela equipe da Sega: criar “O RPG ESTRATÉGICO” do Mega Drive.

Simples e eficiente, o gameplay de Shining Force 2 deixa muitos outros games do mesmo gênero no chinelo — mesmo os RPGs mais modernos. Os controles são ótimos, respondem rápido, os personagens se movem sem nenhuma lentidão e o domínio sobre seus movimentos era bem simples. Os textos de diálogo se movem depressa; os menus aparecem e saem “deslizando” na tela com eficiente rapidez. Enfim, a jogabilidade não decepciona, fazendo com que o jogador possa servir-se melhor (e sem qualquer tipo de desconforto nos controles) das qualidades e atributos nostálgicos e atemporais do game — qualidades estas das quais geralmente só se pode tirar proveito nos RPGs de outrora (salvo algumas exceções raras, claro, como o fantástico Dragon Quest VIII da Square-Enix).


 

Replay Infinito?

Pelo menos para mim, o Shining Force 2 é um daqueles RPGs que você joga, joga, joga, e ele NUNCA fica chato… Conheço gente que já fechou ele várias vezes e continua com o mesmo conceito que tinha na primeira vez que o jogou. A história não oferece múltiplas escolhas ou possibilidades diferentes de alcançar o final. O fim do jogo é um só, e, querendo ou não, pra fechar o jogo você sempre vai ter que passar pelos mesmos lugares.

O valor de Replay do Shining Force 2 é alto por uma outra razão. Primeiro, ele sempre é divertido de jogar — é um daqueles que mantêm você distraído por bastante tempo. Depois, como existem muitos Personagens à disposição, você sempre pode recomeçar com um outro tipo de grupo. E ainda têm os Promotion Items, com os quais você pode promover alguns Personagens para classes diferentes…

“May the Powers of Light be always with you!”

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