Ah, Konami, minha querida… você não cansa de tentar, né? O novo Silent Hill f vai ter mais ação porque, segundo os engravatados iluminados por LED, isso agrada os “jogadores mais jovens”. Ou seja, aquele povo que acha que horror é tomar susto vendo stream com filtro de gatinho na cara.
E quem soltou essa belezura foi ninguém menos que o produtor Motoi Okamoto, que teve a ideia brilhante de deixar o jogo mais “eletrizante” desde o início do desenvolvimento. Tá certo, né? Afinal, quem precisa de clima, tensão, silêncio incômodo, metáforas sobre trauma e culpa, quando você pode ter um combatezinho com botão de dash, três barras de especial e uma skill tree?
“Terror psicológico? Nah, vamo de porradaria mística!”
Segundo o Okamoto, a NeoBards Entertainment foi escolhida pra desenvolver o jogo porque são bons em fazer jogos de ação. Legal. Só esqueceram de avisar que isso aqui é Silent Hill, e não uma DLC sombria do Devil May Cry. Mas tudo bem, tio Rumble aqui já aprendeu que, pra essa geração, se não tiver loot brilhando e dublagem no estilo anime gritando “YAMETE!”, ninguém joga.
Ainda nas palavras do produtor:
“Começamos a nos perguntar como seria se adicionássemos mais desses elementos ao jogo.”
Eu respondo pra você, irmão: vira outro jogo. Vira qualquer coisa, menos Silent Hill.
“A galera jovem gosta de jogo difícil”, diz o cara que nunca viu save scumming
Na melhor parte da entrevista, Okamoto ainda manda essa:
“Jogos de ação desafiadores estão ganhando popularidade entre os jogadores mais jovens hoje em dia.”
Olha… tio Rumble aqui já viu muito argumento ruim na vida, mas esse aí é digno de um troféu em formato de joystick quebrado. Esses “jovens” que jogam Soulslike, jogam tudo no modo fácil e com walkthrough do lado. Se pudessem, pausavam até cutscene pra respirar.
Mas tá certo, né? Se for pra vender skin neon e transformar Pyramid Head em personagem jogável com emote de dancinha, tem que agradar a galerinha do “F” no chat.
Yang e o medo de virar cover band de Silent Hill 2
O diretor AI Yang também entrou na conversa e soltou a seguinte:
“Não queríamos acabar recriando Silent Hill 2 repetidamente.”
Justo. Mas o que ele fez? Fugiu tanto disso que foi parar em outro planeta. É como se alguém dissesse “não quero mais fazer pizza de calabresa igual todo mundo faz” e resolvesse vender churros salgados com bacon e cheddar no cone. Parabéns pela coragem.
Vai ser bom? Pode até ser. Vai ser Silent Hill? Duvido muito.
Tio Rumble não é contra inovação, tá? Eu tô velho, mas ainda tenho os dois olhos e um coração cheio de ressentimento gamer. Mas se você tira o DNA da parada pra agradar fã novo, o que sobra não é reinvenção — é oportunismo com roupinha de modernidade.
Essa mania de atualizar tudo pra agradar gente que nunca ligou pra franquia, enquanto ignora quem carregou esse caixão por décadas, é o novo modo “hard” da indústria: difícil de engolir.
Silent Hill f: agora com f de “f*deu-se o terror”
Data de lançamento? 25 de setembro. Plataformas? PC, PS5 e Xbox Series X|S.
Modo terror psicológico profundo, com câmera parada e tensão crescente? Esquece.
Modo “atira primeiro, chora depois”? Tá garantido.
Modo “gameplay editada em TikTok com legenda neon”? Confirmado com sucesso.
Considerações finais do tiozão do churrasco:
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Silent Hill era sobre medo do desconhecido, agora é sobre medo de virar flop.
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Vai atrair público novo? Talvez. Vai alienar o velho? Com certeza.
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Colocar ação no lugar da tensão é tipo botar ketchup em feijoada: agrada criança, mas não é certo.
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Pelo menos não é pachinko… ainda.