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Início e fim de uma era…

Sega, Sega…
Que saudades de você…

Eu sei que ela ainda existe, mas não é mais a mesma. E do jeito que a coisa anda, não vai ser mais o que era. Esse comentário não tem nada a ver com esta análise em questão, mas sempre que analiso algum jogo da Sega me lembro de sua época áurea e de sua época atual. E isso sempre me dá uma tristeza…
Enfim, vamos a análise.

Uma nova geração, um “novo” ouriço

Meados do fim da “geração 32/64 bits”. Época da Nintendo ver a besteira que fez com seu N64 de cartuchos. Época de vermos o nascimento da mais nova dominadora do mundo dos games. Enfim, época de ver a derrota daquela que uma geração atrás era a maioral.

Nasce o Dreamcast. A derrotada Sega define desistir de seu Sega Saturn e investir tudo em um novo console. Um console que vinha para abalar as bases do mundo dos games, que vinha para deixar a experiência de se jogar um game próxima a de se jogar uma CG interativa. Acima de tudo, um console poderoso que tinha para si, com exclusividade, uma das franquias mais apaixonantes de todas: Sonic.

É claro que o game que ganhou mais notoriedade com o nascimento do Dreamcast foi o maravilhoso Shenmue, de Yu Suzuki. Mas seria impossível deixar de pensar que um game de Sonic viria para o mais novo console da Sega. E o melhor, em gráficos tridimensionais de cair o queixo…

E ele veio. Praticamente como um game de lançamento do console, como era de se esperar. Ele veio e mostrou ao mundo duas coisas que nunca antes um console havia mostrado de maneira tão drástica.

A primeira: um game tridimensional pode ser belo e furiosamente rápido ao mesmo tempo.

A segunda: um game tridimensional pode ter a câmera conspirando contra você sempre que mais dela se precisa.

Antes de começar a analise “técnica” deste game, gostaria de deixar claro que a farei me baseando no contexto existente naquela época e não no contexto atual.

Ele veio, e nunca esteve tão belo

Em um mundo em que efeitos de luz refletida e transparências eram uma coisa além da realidade. Em um mundo que não imaginava o que eram expressões faciais em tempo real em um game. Em um mundo que dependia de CGs para mostrar detalhes, quaisquer sejam eles, em um personagem. Sonic Adventure chocou e veio para revolucionar.

Era notado o salto fenomenal de qualidade visual entre os games mais belos de Playstation e Nintendo 64 diante de Sonic Adventure. E mais, nem mesmo os games mais belos para Arcade, que se utilizavam de placas como a Model 3, batiam este Sonic.

A primeira coisa que deixou os gamers boquiabertos foi a batalha contra Chaos. O vilão Chaos era um ser feito de água, com grandes olhos verdes fosforescentes. O efeito da água que Chaos apresentava era algo fora do comum para a época. Não apenas Chaos, mas a chuva que ocorria durante a batalha foi outro fator que deixou muitos fãs de Sonic babando.

Mas nada se comparava com o efeito criado pelos olhos de Chaos. Por serem fosforescentes e totalmente luminosos, tal luminosidade verde refletia em Sonic de maneira muito realista durante a batalha. Podem imaginar o que era isso em uma época que sequer luz era feita de maneira decente em qualquer game?
E água então?!

Mas antes mesmo de alcançarmos o primeiro chefe outra coisa já havia nos deixado animados: O fato de Sonic estar em um game em 3D que não perdeu nada em termos de velocidade. Pelo contrário, nunca antes em nenhum outro game Sonic esteve tão rápido em toda sua história. Não adianta querer comparar com Sonic 3 por exemplo, no saudoso Megadrive, a velocidade de Sonic neste jogo do Dreamcast era contagiante.

E a coisa só ia ficando mais alucinante, porque a cada fase passada, a sensação de velocidade aumentava cada vez mais. Tudo isso em cenários belíssimos.

Por falar em cenários, tudo que havia nos games anteriores estavam em Sonic Adventure. Os loopings malucos nunca estiveram tão animais como os existentes aqui. Além disso, outros elementos como as eternas “molas” de impulso e as argolas estavam de volta. Neste game também temos a oportunidade de ver Sonic correndo em cenários que se passavam em ambientes absolutamente urbanos, algo nunca antes explorado em Sonics anteriores. Por mais que nos Sonics dos 16 bits houvessem fases como em Carnival Nights, com luzes que lembravam Las Vegas, nada chegava ao “feeling” de ter Sonic em uma metrópole em 3D.

Em muitos momentos do game a velocidade de processamento do Dreamcast superava nossos olhos, ou mesmo a velocidade de Sonic, fazendo que o “d”efeito clipping desaparecesse quase que por completo. Algo que em games de progressão lenta como Tomb Raider e Star Fox 64 apresentavam aos montes.

Após toda esta exaltação com certos aspectos do game, o jogador começa a perceber mais coisas que passaram desapercebidas por ele. Em primeiro lugar, o game tinha uma história um pouco mais elaborada (nada demais na verdade),e dublagem.

Sim!
Finalmente Sonic e toda sua “gangue” havia ganhado vozes. Tendo destaque para as vozes de Robotinic e Knuckles, que se encaixaram com uma luva na personalidade dos personagens. Apesar disso, a dublagem como um todo é extremamente irritante devido a infantilidade das vozes.

Tendo vozes, para que as personalidades fossem ainda mais afloradas, era necessário que estes tivessem expressões faciais realistas e em tempo real. Coisa impossível para a época certo?
Errado!

Isso era algo impossível até Sonic Adventure, pois todos os personagens principais apresentam expressões faciais muito interessantes. Este foi mais um paradigma quebrado por este game. Infelizmente, no aspecto visual, o game contém duas falhas, que se não são graves, prejudicam seu desempenho:

A primeira foi a promessa do Sonic Team de que o game seria lançado em 60 fps. Infelizmente o game foi lançado aos regulares 30 fps habituais. Algo que não chega a ser algo tão grave, se considerarmos que até hoje, a maioria dos game de PS2 rodam a essa taxa. A segunda é o efeito clipping, que apesar de ser muito minimizado, ainda aparecia de maneira um muito evidente em certas cenas do game. Outra coisa que não deve ser considerada um pecado capital, pois ainda hoje vemos muito disso no PS2 (Cof! Cof! Sega Rally 2006, Cof!).

Sempre lembrando que a contagem de polígonos por segundo na época de Sonic Adventure era ridícula ate a chegada do Dreamcast. Ou seja, é sim possível dizer que a Sega não fez nada alem do obrigatório com o console que tinha na mão.

Entretanto, ainda assim não podemos descartar todas as revoluções que o Dreamcast, e o próprio Sonic Adventure, trouxeram ao mundo dos games.

Voltei, e estou radical!

Com o advento do poderio tridimensional, e tendo o último game regular da série lançado no idoso Mega Drive, Sonic tinha que mudar muita coisa para se adequar completamente ao mundo moderno. E foi isso que aconteceu. Em primeiro lugar o próprio layout do personagem mudou para se adequar aos novos tempos. Nada gritante, mas com certeza mudanças bem vindas. Em Sonic Adventure, Sonic não é mais tão “gordinho” como em suas versões para Mega Drive. Além disso, ele ganhou pernas levemente mais longas e mais detalhes em seu tênis, deixando-o mais moderno. Mas a principal mudança, fato esse que serviu de propaganda do game durante algum tempo, foi a mudança da coloração de seus olhos.

Em Sonic Adventure, Sonic ganhou olhos verdes e com expressão mais malandra. Tal “malandragem” pode ser percebida na maneira com que Sonic lida em certos momentos do game e na forma com o qual ele conversa. Agora ele tem toda uma gíria na fala e faz questão de fazer tudo da maneira mais tresloucada do mundo. Prova disso é em uma fase em que Sonic tem que chegar ao seu destino, pulando de folha em folha, na imensidão dos céus. Ele faz isso sempre tirando sarro da situação e pulando fazendo grancinhas mil.

O fato é que este Sonic mais moderninho é muito legal, mas satura às vezes. Esse sentido que Sonic tomou de “eu sou bom, sei disso e mostro a toda hora” cansa.

Outra coisa que serve para deixar Sonic com toda uma pinta de radical é sua velocidade no game. Isso, somado aos outros fatores aqui citados, o deixa muito radical.

Agora o negócio é Rock!

Com todo este esforço da Sega de tornar Sonic um personagem mais descolado, um outro fator que teve de ser alterado em relação aos Sonics clássicos foi a música. Não mais ouviremos músicas calmas e tranquilas como a eterna trilha do game Sonic the Hedgehog. Ao invés disso Sonic ataca com rock. E rock de boa qualidade.

Com uma música forte e potente, o tema musical de Sonic Adventure com certeza se encaixa como uma luva ao game. Criada especialmente para o ogo, e interpretada pela banda Crush 40, a musica “Open Your Heart” é provavelmente, junto com as musicas “Live and Learn” (Sonic Adventure 2) e “Metal Overload” (Sonic Heroes), a melhor composição de uma música para um game de Sonic e uma das melhores composições para um game da Sega.

Jogabilidade: é revelado o mal que parece ser eterno

A jogabilidade de Sonic Adventure pode ser analisada de duas formas, ou melhor, de três. A primeira é compará-la com todos os outros games tridimensionais e de Sonic posteriores a esse. Se for assim, Sonic Adventure é o nirvana. A segunda seria dizer que o game tentou inovar o gênero Adventure, introduzindo pela primeira vez uma velocidade insana em um game 3D. Se for assim, este game além de pioneiro é extremamente competente no que faz. A terceira é a verdade imparcial. Se for assim temos picos para o bem e para o mal.

É verdade que a Sega foi audaciosa em fazer a inclusão do fator velocidade num formato 3D, mas tal inclusão casou muito bem com o gênero Adventure, além de ser necessário em Sonic. Os controles também são bons. Não são muito escorregadios como os horríveis controles de Sonic Heroes, e são mais estáveis que os de Sonic Adventure 2.

Entretanto, Sonic Adventure foi o game que mostrou, em escalas gigantescas, o grande vilão de TODOS os games de aventura 3D da história: A câmera.

A câmera de Sonic Adventure é exatamente como a de Sonic Heroes e isso, pode ter certeza, é desesperador. Ela está sempre muito próxima do personagem, o que atrapalha muito na visualização do que estiver à frente na tela. Para um game que tem a ação e a velocidade como tônica é algo grave.

Outro problema da câmera de Sonic Adventure se dá quando o personagem está em ambientes muito fechados. Nesses instantes a câmera se aproxima ainda mais do personagem, o que impossibilita a visão à frente. Além disso, em locais fechados a câmera nunca consegue estabilizar seu foco, o que faz com que o jogador tenha de tentar sair daquele local às cegas. Isso pode ocasionar mortes certas, sejam provindas de golpes de inimigos, sejam mortes provindas da queda em um buraco que o jogador nem viu que existia.

Enfim, o fato é: a câmera ruim, apesar de hoje em dia parecer ser algo histórico e inevitável, não tem desculpa. E se não tem desculpa “ontem”, não tem “hoje”. É uma vergonha que ainda não exista solução para este problema tão antigo. Pelo o amor de Deus senhoras produtoras, vamos tentar mudar isso, vamos?!

Todo mundo tem sua vez!

Outra jogada bacana da Sega em Sonic Adventure é o sistema de seleção de personagens. Após terminar o game com Sonic é possível escolher entre outros cinco personagens para passar por fases próprias para os mesmos. Isso é algo bom, porque é a prova de que a Sega tentou aumentar ao máximo o efeito replay do game. Afinal, seria uma maneira de o jogador jogar seis vezes o game, no mínimo.

Entretanto, isso se torna frustrante, pois os outros personagens não são nada interessantes no aspecto jogabilidade. Além disso, a frustração aumenta quando se descobre que é preciso finalizar o game com todo mundo para que se possa jogar o verdadeiro final. Mas vamos por partes. Primeiro vejamos o que os outros personagens tem de ruim.

Tails: Com ele exploramos suas fases tendo a possibilidade de voar por elas. Mas isso não é nada legal depois de termos feito isso a 700Km/h com Sonic, acaba se tornando um experiência boba e vazia.

Knuckles: Junto com Big the Cat, é o pior do game. Com ele exploramos as fases buscando por fragmentos da Esmeradal Mestre e dando socos em tudo que se mexer. Buscamos os fragmentos com a ajuda de um “radar” pouco preciso. Monotonia completa.

Amy: Suposta noiva de Sonic, assim ela gostaria. Suas passagens são, pra variar, ruins. Além de lentas, ela carrega um martelo muito bizarro que é maior do que ela própria e o usa como forma de ataque.

Big the Cat: Com ele ficamos pescando peixes no cenário…

E-102: Com ele a coisa é um pouco menos ruim, Além da capacidade de planar, este ciborgue atira nos inimigos usando um sistema de mira bem interessante, mas muito fácil, acabando com qualquer desafio.

Bom…
Já podem imaginar o martírio que se deve passar certo?
Mas e daí?
O que acontece depois que passamos por tudo isso?
Qual é o final?!

O que acontece é…

(…) que na tela de seleção de personagens podemos escolher o aclamado e poderoso Super Sonic. É somente uma fase, mas que, no conjunto da obra, é um brilho. Como o poderoso Super Sonic enfrentamos a verdadeira e mais fodona versão de Chaos, ao som de “Open Your Heart”.

É uma sensação que somente as batalhas envolvendo Super Sonic em Sonic Adventure 2 e Sonic Heroes podem transmitir ao jogador. Acredite, você vai ficar arrepiado (ou já ficou, sei lá…).

A verdade é que toda a monotonia e chateação que se enfrenta jogando com Knucles e os outros vale a pena somente pelo fato de se controlar Super Sonic. Em especial para os fãs do ouriço da Sega.

Finalizando!

Ainda temos extras como criar os pequenos Chaos usando também o VMU do Dreamcast, algo parecido com Pokémon, mas isso não deve agradar a todos. No fim das contas, Sonic Adventure é um game que atualmente sofre com a franca evolução que o mundo dos videogames teve, mas que para sua época foi algo revolucionário.