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Sendo o primeiro multiplataforma da série Sonic após a saída da SEGA do ramo de consoles, Sonic Heroes foi um dos projetos mais desafiadores da desenvolvedora Sonic Team! Ele não só tinha que agradar aos fãs de longa data que acompanhavam o mascote desde a época do Mega Drive, como também tinha a missão de apresentar aos novos públicos “o que é Sonic”, e de quebra, havia pressão do público e da mídia para saber se ela conseguiria manter a qualidade dos títulos anteriores, já que ela saiu do ramo de consoles.

Para atingir os novos jogadores, o diretor Takashi Iizuka decidiu que ia fazer o jogo “o mais Sonic possível”, e, portanto, colocou todos os clichês da série como as fases tropicais e de cassino, o retorno dos Special Stages da época do Mega Drive, e uma história simplória. Já para atingir os fãs de longa data, foi incluído um grande número de personagens jogáveis (12 no total), e o retorno de três bem obscuros conhecidos pelos fãs mais hardcores: Espio, Vector e Charmy.

VISUAL

Se aproximando dos jogos do Mega Drive, o realismo gráfico “sai de cena” para dar lugar ao estilo surreal típico dos jogos 2D do Sonic. Ou seja, não há mais fases que homenageiam a cidade de São Francisco (Sonic Adventure 2), ou cenários que remetam Nova Iorque (Sonic Adventure 1), mas sim lugares mais imaginativos, e porque não, “malucos”.

O que impressiona é a riqueza de elementos: há detalhes trabalhados dentro dos loopings, texturas em alta resolução, portas com símbolos, e praticamente qualquer parte do ambiente você verá o cuidado na produção. Além disso, as fases são gigantes, sendo facilmente as maiores da série Sonic com duração de até 10 minutos, o que valoriza ainda mais este ponto. De quebra, o jogo roda a 60 frames por segundo.

Seasidehill

Se por um lado os cenários são bem caprichados, o mesmo não se pode dizer do modelo dos personagens. Considerando que o mundo 3D “pede” o realismo gráfico para melhor efeito visual (o que explica os cenários realistas em muitos jogos 3D do Sonic), os personagens parecem ter regredido em detalhes comparado aos Adventures, com cores mais “chapadas”, e aspecto visual mais “plastificado” e menos bonito. No entanto, todos eles são mais “redondos” comparado aos jogos do mascote no Dreamcast, e possuem grande número de animações.

Vale dizer que a versão do Playstation 2 tem a pior performance comparado aos outros lançamentos. O framerate fica em 30FPS, as cores do cenário são menos vivas, além de você ver a fase sendo “construída ao fundo”, algo que não existe nas outras versões.

JOGABILIDADE

São quatro equipes com três membros, sendo que todas compartilham do mesmo gameplay e passam pelas mesmas fases. Há um personagem de corrida, feito para utilizar habilidades como Wall Jumping, Homing Attack (Pulo Teleguiado), e correr mais rapidamente pelo cenário; um de voo, para alcançar plataformas mais altas; e um de força para destruir objetos pesados e liberar passagem.

As equipes são: Team Sonic (Sonic,Tails e Knuckles), Team Dark (Shadow, Rouge e Omega), Team Rose (Amy Rose, Cream, Big) e Team Chaotix (Espio, Vector e Charmy). A diferença entre as equipes é o nível de dificuldade, sendo respectivamente: Normal, Difícil, Fácil e Alternativo, já que com os Chaotix você completará missões que dão uma nova “roupagem” para uma mesma fase.

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A decisão de ter três membros simultaneamente foi excelente para explorar a variedade do level design. Em muitos momentos você terá a opção de escolher se quer usar o personagem de voo, de força, ou o veloz para seguir em frente na fase, e cada uma delas traz uma dinâmica diferente, e também aumenta o fator replay. Além disso, o ritmo das fases é intenso como um bom jogo do mascote deve ser: sempre haverá inimigos, correrias e armadilhas bem posicionadas. E é claro, após duas fases há uma luta contra o Dr.Eggman em suas criações malucas, com chefes bem divertidos.

Como dito anteriormente, os Special Stages voltam e para destravá-los é necessário encontrar uma chave no meio da fase e chegar ao final dela sem levar nenhum dano. Caso consiga numa fase de número ímpar, você poderá coletar vidas, enquanto as de número par você corre atrás da esmeralda no melhor estilo “Sonic 2”. Coletando todas e zerando com as quatro equipes, o verdadeiro final é destravado, levando ao último chefe, unindo todos os personagens numa única grande batalha. Vale dizer que muitos consideram esta uma das lutas mais épicas de toda a série do mascote.

Além disso, os personagens conversam entre eles durante as fases, dando dicas ao jogador do que se deve fazer, e o interessante é que os diálogos também exploram as personalidades de cada um, enriquecendo ainda mais a experiência.

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No entanto, há algumas considerações que afastam o gameplay da nota 10. O principal deles é o fato do jogo ser bem repetitivo, pois como dito anteriormente, todas as equipes são praticamente idênticas, mudando somente o nível de dificuldade. Além disso, dentro de um mesmo time você enfrentará três chefes, e os próximos três serão reedições dos três primeiros, o que potencializa mais ainda a sensação de “deja vú”.

Também há problemas de câmera que volta e meia atrapalham, e bugs que levam a mortes inesperadas e injustas, em especial na fase “Bingo Highway”. Ambos os pontos evoluíram dos jogos de Sonic Adventure, e não chegam a atrapalhar tanto a experiência, mas descontam da nota final. Por fim, novamente a versão do Playstation 2 tem pior desempenho, já que o controle DualShock é mais difícil de se acostumar, além de que esta versão conta com maior número de bugs.

ORIGINALIDADE

A jogabilidade é a principal inovação de Sonic Heroes graças ao sistema de equipes, dando a possibilidade de jogar com três personagens simultâneos, algo que não havia acontecido antes dentro da franquia, alterando toda a dinâmica da aventura. Do resto, ele continua tendo “a cara” dos jogos do Sonic, explorando todos os elementos que deram sucesso a série.

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TRILHA SONORA

Contando com a guitarra de Jun Senoue, todas as músicas combinam perfeitamente com o cenário, além de entreterem pelo valor artístico delas. Destaque para os temas cantados representando cada uma das equipes, e também a música da batalha final: What I´m Made Of, que é a favorita do guitarrista.

REPLAY

Coisas a fazer não faltam em Sonic Heroes. Além de zerar com as quatro equipes, também há uma missão alternativa em cada fase que te dão novos emblemas, sendo que a cada 20 coletados você destrava uma nova modalidade para o multiplayer. Além disso, você é avaliado no final da fase com um rank que vai desde o “E” sendo o pior, até o “A” sendo o melhor, estimulando você a voltar na fase para melhorar seu desempenho para conseguir a nota máxima. E como dito anteriormente, a maior parte das fases apresentam diversos caminhos alternativos para você chegar ao final.