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Foram mais de 15 anos de espera e diversas bombas. Sonic Heroes, Shadow the Hedgehog, Sonic 2006… Unleashed melhorou um pouco, mas conceitos odiados e alguns dos mesmos erros tão criticados ainda eram cometidos. Sonic Rush fora um retorno ao mundo 2D e, ainda que tenha agradado, não era o que os fãs desejavam. Ninguém queria correria. Novos e estranhos amigos. Inimigos esquisitos. Histórias bizarras e mirabolantes.

Todo mundo queria o retorno da boa e velha batalha entre Sonic e Eggman (ou Robotnik, caso prefira). Velocidades moderadas. Plataforma. Bichos saltitando ao serem libertados dos robôs. Céu azul. Músicas de um autêntico jogo Sonic, ao invés de rocks barulhentos.

Sonic the Hedgehog 4 traz tudo o que o parágrafo acima diz. Sim, acredite. Eles conseguiram isso. E, mesmo que não seja um título tão maravilhoso quanto a série do Genesis, é um recomeço animador.

De onde Sonic & Knuckles parou?

Se você queria uma continuação direta do soberbo Sonic & Knuckles, anime-se: segundo a SEGA, você acabou de ganhá-la. Porém, isso fica apenas na descrição no iTunes, já que não há qualquer menção de enredo, como o paradeiro de Knuckles. Nem uma vírgula de diálogo ou cena introdutória – é partir para a primeira fase em diante, sem enrolação.

Como já havia sido mencionado em tantas prévias, Sonic 4 foi dividido em capítulos. Apesar de ainda não sabermos qual será a extensão disso, a primeira parte pode dar uma idéia do conteúdo total: são apenas 4 fases, cada uma com 3 atos cada, mais uma final que testará suas habilidades. Quem esperava cenários completamente diferentes ou inusitados vai se decepcionar, já que todas elas são extremamente semelhantes aos estágios de Sonic 1 e 2 – Splash Hill Zone remete a Green Hill, Casino Street a Casino Night, Lost Labyrinth a Labyrinth e, por fim, Mad Gear a Scrap Brain. Algo inesperado é a possibilidade de acessar qualquer fase após terminar a inicial. Sim, a tela de seleção de estágios já aparece, o que inclui as bônus que você já jogou.

O saudosismo está em todos os cantos. O primeiro chefe, por exemplo, é exatamente a mesma máquina lendária com a enorme bola. As tão queridas bônus também estão de volta: ao finalizar a fase com 100 argolas, uma gigantesca aparecerá. O visual, música e funcionalidade são exatamente iguais às de Sonic 1, com a diferença que você pode controlar o ouriço com o acelerômetro, virando o aparelho e levando o personagem até as esmeraldas.

Mas há espaço para novidades. Na jogabilidade, a SEGA adicionou o homing attack, movimento conhecido das versões 3D. Basta apertar o botão de ação durante um pulo para Sonic efetuar um ataque, especialmente em alvos marcados. Isso pode ser bom para quem é acostumado com os jogos de hoje, mas péssimo para quem gosta de desafio – o movimento facilita um bocado, em especial contra os chefões. Claro que a maior preocupação estava no fato do iPhone não ter botões. Felizmente, a SEGA criou um joystick virtual praticamente perfeito, mesmo não sendo tão preciso quanto um controle tradicional, vai surpreendê-lo positivamente.

A melhor notícia desta parte é o fim da correria desenfreada. Sim, você não vai mais ficar segurando para o lado e assistir Sonic correr feito louco por todo o cenário. O jogo incita a exploração, com vários caminhos alternativos, com itens secretos como vidas e o famoso escudo verde. Alguns trechos são bem automáticos, mas em menor escala do que antes.

Visualmente, Sonic 4 apresenta cenários 2D mesclados com personagens em 3D. Existem animações mais modernas, como a tela girando ao entrar em um looping ou belos efeitos de luz. O modelo de Sonic é basicamente o mesmo de Rush, o que não é ruim, mas há quem ainda lamente pelo fim do “gordinho”. Os cenários são belos, mas poderiam ter um pouco mais de movimentação. Lamentavelmente, mesmo com o iPhone 4 tendo sido lançado já há algum tempo, não há suporte a Retina Display. O Game Center também foi ignorado, mas a SEGA garante o suporte ao sistema em um update a ser lançado no próximo dia 15.

A trilha sonora, algo que é sempre destaque em Sonic, talvez seja a parte de menos brilho. Apesar do esforço em voltar a ter músicas que remetem aos tempos de 16 bits, elas não chegam perto da magnitude de antigamente e não empolgam muito – em especial a dos chefes. Neste ponto, era mais fácil assumir um posto de remake e mostrar algum remix.