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Ulala´s Swingin Report Show! Special Edition!”

A pouco tempo atrás escrevi a análise de Space Channel 5 para Dreamcast, sem esconder o quanto sou fã do conceito por trás do game e o como adoro esse game. Entretanto, sempre tive um vazio em mim por nunca ter experimentado Space Channel 5: Part 2, sequência direta de Space Channel 5.

Infelizmente, a sequência do game musical/dançante foi lançado somente para Dreamcast somente no Japão, matando assim minhas chances de experimentá-lo devidamente.

No entanto, há pouco tempo, consegui adquirir para Playstation 2 a rara versão de Space Channel 5 Special Edition, um Pack que contém os dois games da série americanos. Assim, finalmente consegui experimentar, e jogar até os dedos terem calos sobre calos, Space Channel 5: Part 2.

É sobre esse game da Sega que me proponho tratar hoje.

Ulala´s back to action!”

Em Space Channel 5: Part 2 voltamos a controlar Ulala, a fofurinha de 22 anos que conhecemos e aprendemos a amar no game original. Não espantosamente, Ulala continua a mesma fofura de sempre. Também sem espanto nenhum, Ulala continua a ser uma repórter do Space Channel 5, o “Canal Espacial 5”.

Sua missão agora é enfrentar um grupo denominado Rhythm Rogues, liderado pelo vilão Purge. Ao seu lado Purge e seu exercito de robôs, liderados por Shadow, seu comandado imediato. O intento real de Purge é fazer com que toda a galáxia dance a seu controle. Simples e estranho assim.

Sim, estranho, mas essas esquisitices fazem parte do charme da série Space Channel 5, assim como faziam parte da cultura de games japoneses, que andam perdendo muito de sua particularidade devido a forçada ocidentalização de seus games. Mas deixemos esse assunto para outra hora.

Para impedir os Rhythm Rogues, Ulala e seus aliados, que se unem a ela no decorrer do jogo, devem, assim como o esperado, derrotá-los no ritmo e no gingado. Assim como no game anterior, competições de dança e os “tiros rítmicos” voltam com força total, com algumas adições interessantes como o será mais detalhado adiante.


Up, Down, Chu!

Left, Right, Hey!”

A jogabilidade de Space Channel 5: Part 2 possui a mesma essência do game original, mas sofreu pequenas alterações e adições que deram um novo “pique” para o game, tornando-o mais variado, entretanto mais difícil de ser completado.

A base permanece inalterada. Os famosos comandos “Up”, “Right”, Left” e “Down” estão lá, da mesma forma como no primeiro game, tal como o “Shoot” que agora é tratado como “Chu”, que nada mais é do que a pronuncia japonesa para “Shoot”.

Como adição à base acima descrita, temos o comando “Hey”. Esse comando nada mais é que o “Shoot” do game anterior em momentos de resgatar humanos hipnotizados, ou seja, serve mais para ampliar o hall sonoro dos comandos base, do que adicionar algo à jogabilidade em si. Apesar disso é interessante, pois é um auxílio bem vindo, já que fica bem mais claro o momento de resgate unindo visual e som, união esse que é a proposta principal da série.

Outra adição nesse aspecto são os momentos em que temos não somente de apertar o botão correspondente ao som, mas mantê-lo pressionado por um determinado período de tempo, para depois soltá-lo e continuar com a sequência.


No decorrer dos embates do game, sejam nos momentos de tiro, sejam nos momentos de dança, o inimigo pode cantar um refrão e somente depois realizar alguma ação a ser repetida por Ulala posteriormente. Nesse caso, algum de nossos aliados cantará um refrão que terá o mesmo ritmo do refrão cantado pelo inimigo, e logo após isso, dentro do ritmo imposto pelo grupo rival, continuar com a sequência de comandos. Pode não parecer algo muito importante, mas leva algum tempo para nos habituarmos a isso e acertarmos o tempo de inicio dos comandos pós refrão. É, por certo, uma boa adição ao game.

Entretanto, a mais interessante adição ao game são os instrumentos musicais, que são inacreditavelmente simples de ser tocados e que dão um ânimo todo especial aos embates que deles se utilizam. Ulala ao longo do game toca uma guitarra, uma bateria e um teclado circular. Destaque aqui para a Guitarra, tocada no embate contra Pudding, que é um espetáculo áudio visual fascinante.

O sistema de audiência foi alterado, o que deixa o game mais justo e difícil. No primeiro game, a audiência é crescente e única para todo o game. Isso, depois que o jogador se habitua com a jogabilidade do game, o permite passar pelas fases sem sequer se preocupar com a porcentagem mínima que a fase exige para sua passagem.

Em Space Channel 5: Part 2, esse sistema foi bruscamente alterado. Agora, o índice de audiência do game é único para cada fase isoladamente, e é determinante para discriminar quantas chances de erro o jogador terá em momentos chave durante a fase. Assim sendo, se seu índice de audiência for pequeno, em embates, normalmente contra chefes ou contra Shadow, o jogador terá poucas chances de erro, e o “Game Over” ficará bem mais fácil de ser alcançado.

Foi abolido o índice mínimo de audiência para passagem para a próxima fase, o que dá a chance de se passar de fase com índices bem baixos de audiência. Não compreendi o porquê disso ainda, mas já digo agora que, no modo de jogo mais difícil, que pode ser habilitado após terminarmos o game uma vez, não conseguirá passar de fase com baixos índices, isso eu garanto.


Go! Go! Sexy Ulala!”

Visualmente Space Channel 5: Part 2 surpreende, tendo em vista que originalmente é um game lançado em 2002 para o Dreamcast. Isso mesmo, apesar de eu estar analisando a versão para Playstation 2, as versões não possuem diferenças visuais que não tenham origem de hardware.

Explico: O Dreamcast por possuir anti-aliasing quase não possui problemas de serrilhados em seus games, já o Playstation 2, todos sabemos que sofre com esse problema, afinal, não possui anti-aliasing. Tal diferença é refletida em Space Channel 5: Part 2, o que faz a versão para o Dreamcast, um pouco mais bela. Entretanto tal diferença é quase imperceptível.

Space Channel 5: Part 2, ao contrário do game original, conta com cenários totalmente processados em tempo real, o que garante um dinâmica muito maior ao game. Dessa forma, não temos problemas de temporização entre CGI e polígonos processados em tempo real que tínhamos na primeira versão. Outro ganho foi para com a movimentação da câmera, que agora pode se mover com muito mais liberdade e dinamismo. Sem contar que, graças a esse fator, o cenário é muito mais interativo ao longo do game.

O visual de Ulala não foi alterado, assim como Pudding, Jaguar e qualquer outro remanescente do primeiro game, entretanto, as roupas de Ulala nunca estiveram tão extravagantes, assim como o visual do game como um todo.

Os cenários são uma loucura só, um mais criativo do que o outro, cheios de cor, movimento e vida, e agora, como já dito anteriormente, são bem mais interativos, tenho inclusive, uma fase praticamente inteira, com a disputa tão somente com o “cenário”.

Destaque para a última fase do game, que mostra como o time de criação do game é criativo e “noiado” (no bom sentido). Uma experiência única realmente.

Os chefes de fase, um dos destaques do primeiro game, continuam sendo um dos inúmeros destaques desta continuação. Cada qual mais criativo e interessante que o outro. Destaque aqui para o difícil chefe da quarta fase, em que o canto do componente mais ilustre do grupo tem de cantar junto aos movimentos de dança: O rei SPACE MICHAEL!!

O clima de “anos 60 espacial” continua, o que tão somente ajuda na experiência do game. Algumas roupas e situações são extremamente sessentistas e hilárias.


Dancing Battle! Let´s Dance!”

A sonosplastia do game como um todo obviamente não poderia deixar de ser fantástica, afinal, é um game que se suporta basicamente de música.

Em Space Channel 5: Part 2 tudo o que era bom em Space Channel 5 foi maximizado. Músicas mais variadas, batidas mais empolgantes e uma melhor utilização do som strereo marcam bastante presença no game. A adição de melodias cantadas somente ajuda nesse prospecto.

As músicas em que nos utilizamos de instrumentos musicais são um espetáculo a parte, e aqui cito novamente a disputa que temos com Pudding na segunda fase do game. Nessa disputa, temos de repetir os movimentos e os sons que Pudding gera com uma guitarra. Em essência é algo bem simples, mas o som da guitarra foi muito bem trabalhado, assim como as melodias que dela se utilizam. Toda essa qualidade sonora, somada ao visual único do momento da disputa, tornam esse momento memorável.


Spaaaaace Channel 5!”

Bem medido e bem pesado, Space Channel 5: Part 2 é um upgrade do game anterior, maximizando de forma muito efetiva todos os pontos positivos do game original, e adicionando novos fatores que deixaram o game muito melhor. É estranho pensar assim, mas Space Channel 5: Part 2 tem o mesmo estilo de jogo e conceito do original, mas não parece somente uma continuação caça níquel, apesar de apenas ao assistir a um vídeo do game, termos essa impressão. Assim como no game anterior, é necessário jogar para sentir a experiência que o game tem a oferecer.

Um último destaque aqui fica por conta da presença de Michael Jackson no game, que aqui retorna como chefe geral do canal Space Channel 5. Nesse game, ainda com a alcunha de Space Michael, o Rei do Pop possui um destaque muito maior, auxiliando Ulala de maneira contundente no game. Além disso, a disputa dançante em que o resgatamos da hipnose imposta por Shadow, é um verdadeiro “ode ao rei”, com várias referências à músicas e passos de Michael. Único e fantástico!

Um game único, assim como seu predecessor e injustiçado, assim como o original. Melhor do que o game original em todos os aspectos, não posso fazer nada, além de recomendar que todos dêem uma chance ao game e que o experimentem, se possível for, de mente aberta. Acredito que não se arrependerão, apesar de ter ciência de que esse é um game que não agrada a gregos e troianos.