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A novata Undead Labs surpreendeu muita gente em 2013 com seu ousado State of Decay. Sim, jogos de zumbis estão na moda, mas poucos conseguiram entregar um game sobre o tema realmente divertido e sólido, tanto que a maioria das abordagens sobre zumbis apareceram como um conteúdo adicional aos jogos, a exemplo de Call of Duty. Felizmente, State of Decay está na lista das ótimas surpresas de 2013, conseguindo inclusive trazer todo o clima e tensão do seriado de sucesso The Walking Dead, mesmo que não tenha nenhuma relação com o mesmo.

Imersivo

Você inicia o jogo com Marcus Campbell voltando de um acampamento de pesca com seu amigo Ed Jones e acabam descobrindo da pior maneira possível que sua terra natal está infestada de zumbis, sedentos por carne humana.

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Sim, o início já entrega os manjados clichês e a trama principal não se esforça muito para sair deles, isso porque o foco não está em um enredo complexo, mas sim nos sobreviventes. É realmente interessante ver o comportamento das pessoas remanescente do apocalipse e a forma que elas agem.

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Conforme avança no game, Marcus vai entrando em contato com mais pessoas procurando abrigo, outros grupos de sobreviventes e até mesmo aqueles que usam a situação para explorar os mais fracos. Os personagens demonstram atitudes típicas de seres humanos, como medo e ódio, cautela e dúvida, principalmente em relação a Marcus quando entrar em contato com novas pessoas.

Durante toda a campanha o jogador poderá tomar algumas decisões e conforme o nível de liderança do personagem que estiver controlando, essas decisões podem ou não serem acatadas pelo grupo. Algumas decisões, inclusive, parecem ser coisas fúteis para nós, mas em um mundo dominado por zumbis tais coisas outrora chamadas de triviais começam a ter mais peso, sendo aquele pontinho de esperança que mantém as pessoas de não cair em desespero.

Assim como no famoso seriado de TV e sucesso nos quadrinhos, a Undead Labs conseguiu transmitir toda a insegurança das pessoas, a dificuldade em manter as esperanças e sanidade em um mundo devastado, onde a única regra aparente é “matar ou morrer”. Com muitos méritos próprios, o foco nos sobreviventes mostrou-se uma decisão muito mais acertada do que tentar trazer um enredo com pompa de blockbuster e grande chances de dar errado.

 

The Valley

Todo o jogo da Undead Labs se passa em um pequeno estado chamado de Valley; que em português significa Vale, simples assim. Apesar de não ser um mapa gigantesco como de GTA V, é o suficiente para garantir um bom número de atividades para os jogadores.

O Valley presenteia ao jogador várias localidades interessantes, como o pequeno acampamento nas florestas, onde a aventura de Marcus começa. Há tudo que podemos esperar de um mundo aberto, como cidades típicas do interior americano, fazendas, pousadas ao longo da rodovia principal e grandes centros comerciais.

As várias localidades distintas fornecem um bom número de missões, tanto para a trama principal como as obrigatórias missões secundárias, que incluem buscar por recursos básicos, eliminar determinados tipos de zumbis, resgatar amigos em problemas ou prestar suporte as comunidades vizinhas.

Não só de oportunidades viverá o jogador e é preciso estar sempre atento ao quão longe você está, pois o perigo espreita em cada canto do cenário, principalmente com os zumbis especiais, duros na queda e que definitivamente vão mata-lo caso o jogador vacile.

 

Mecânicas divertidas

No que diz respeito aos controles, State of Decay é como qualquer jogo de ação em terceira pessoa básico, com comandos básicos de jogos do estilo, imortalizados curiosamente por um jogo de FPS, com movimentos do personagem controlados nas teclas A,S,D e W e a visão e mira no mouse.

No entanto, o diferencial fica para as mecânicas de jogo e no foco da jogatina. A Undead Labs deixa bem claro logo nos primeiros minutos que esse não é um novo Left 4 Dead, logo não ache que vai sair por ai matando hordas e mais hordas de zumbis. O combate aqui deve ser, sempre que possível evitado uma vez que os inimigos são persistentes, incansáveis e em grande número.

Andar agachado, usando os objetos do cenário como cobertura sempre será uma decisão mais inteligente do que usar um carro para chegar a seu destino, isso porque o barulho atrai mais dos “Zeds”, como os próprios personagens denominam os Zumbis. Dito isso, os carros viram uma opção de fuga e para atingir locais mais distantes, mas passam longe de ser uma boa opção para vasculhar os arredores de seu abrigo.

Da mesma maneira que usar um carro não é uma boa ideia o mesmo pode ser dito quanto às armas de fogo. É preciso pensar uma, duas, três vezes antes de disparar, pois ao fazer isso tenha certeza que todos os zumbis próximos irão atrás de você e isso pode ser desesperador. Seu personagem não é um soldado do exército treinado e mesmo que fosse, você só possui dois braços e os zeds atacarão sem piedade.

Lutar contra os zumbis gasta a barra de fadiga a cada ataque e ao esgota-la seu personagem ficará exausto, precisando recuperar o folego o que o deixa muito vulnerável e suscetível aos ataques dos mortos-vivos. O mesmo vale para as armas de fogo, elas podem ser devastadoras enquanto tiverem munição, mas uma hora que for necessário recarregar tenha em mente que seu personagem o fará lentamente, algo fatal na maioria das situações.

Em contrapartida, toda vez que seu personagem entrar em combate, correr grandes distâncias e usar armas de fogo acabará ganhando pontos de experiência, evoluindo atributos como resistência, habilidades de lutas corpo-a-corpo, habilidades em usar armas de fogo e assim por diante, como manda a cartilha de todo RPG.

Outra mecânica muito divertida em State of Decay é a coleta de recursos, que é feita vasculhando casas, restaurantes, delegacias e várias outras construções espalhadas por todo o Valley. O jogo possui ao todo cinco tipos de recursos básicos, que são eles: Alimento, Medicamento, Munição, Materiais e Combustível.

Cada um desses recursos é usado para algo e todos eles têm uma média de consumo diário, ou seja, sempre será necessário sair de seu abrigo para coletar mais recursos. Os abrigos também possuem limites e utilidades, como o espaço para levantar novas construções que garantem bônus e importantes novidades, como melhorar o equipamento para uso dos residentes, melhorar condicionamento físico de todos ou até mesmo criar uma pequena plantação para fornecer comida diariamente.

Caso sua comunidade cresça muito será necessário buscar uma nova casa para abrigar a todos e respeitar o limite de pessoas que determinada construção pode abrigar é essencial, afinal de contas, ter o número de camas suficientes para todos é importante para manter o bem estar e moral de todo mundo em alta; é possível aumentar o número de pessoas suportadas ao construir dormitórios.

O jogo ainda possui muitas outras mecânicas divertidas e úteis, como pedir para Lily, a operadora de rádio, perguntar para as comunidades vizinhas por suprimentos e até mesmo tentar contatar novos grupos de sobreviventes e pessoas que desejam se juntar ao grupo do jogador.

 

Deslizes

O jogo possui alguns deslizes incômodos, como dirigir os veículos disponíveis, que são “duros” e desconfortáveis de guiar. A colisão dos carros com objetos do cenário também é ruim e por vezes é possível bater nas “quinas invisíveis” de pontes, postes e assim por diante. Há alguns bugs aqui e acolá, algo comum em jogos de mundo aberto, sendo que o mais grave foi quando não consegui mais interagir com objetos do cenário, como abrir o “baú” onde ficam os itens de cura e armas, nada que reiniciar o jogo não resolvesse.

Porém o maior erro é a falta de um tutorial para explicar as mecânicas básicas, porém altamente necessárias para o sucesso no jogo. Nada é explicado ao jogador e quando o é acaba sendo mal feito e nada intuitivo.

Quer fazer um posto avançado para destruir as hordas de zumbis e coletar suprimentos automaticamente? Ok há várias construções em Valley, escolha uma e boa sorte. Sua casa está pequena para sua comunidade? Sem problemas, suba em um ponto alto de uma das localidades de Valley, verifique na área por possíveis abrigos e novamente boa sorte.

Em resumo, tudo que você precisar fazer será preciso aprender na raça, apertando várias teclas do teclado – ou botões do controle – até que alguma coisa aconteça, procurar dicas nas opções de controle no menu ou ir em buscas de soluções na internet.

Sim, os jogos antigamente também não tinham tutoriais, mas convenhamos, as funções e número de botões eram bem menores do que nos jogos atuais, principalmente em State of Decay, que conta com várias funcionalidades importantes que sequer são citadas.

 

Gráficos na média

Tecnicamente falando, State of Decay é um jogo bonito com suas limitações bem visíveis, o que não é algo negativo. A Undead Labs parece ter entendido o limite da engine usada, do tempo para desenvolvimento e experiência de seus profissionais, e soube trabalhar dentro desses limites.

As texturas dos cenários são boas assim como as modelagens, e na medida do possível cada localidade é bem povoada, com vários prédios, carros destruídos, árvores, postes e tudo mais que uma cidade tem direito.

O clima de apocalipse zumbi é muito bem representado, com muitos locais abandonados, saqueados ou tomados pelos mortos, além dos vestígios deixados pelo caos que ali ocorrerá, deixando pistas das situações que as pessoas ali viveram.

Os efeitos de sangue e de pedaços de zumbis que voam ao explodir a cabeça de um deles é bacana e algo que é muito bem representado é a escuridão, de noite mal é possível enxergar a poucos metros a sua frente mesmo com as lanternas ligadas, deixando a exploração noturna muito mais arriscada e perigosa.

Os objetos dos cenários são bem modelados e os personagens são ricos em detalhes, tais quais os zumbis especiais, que possuem um visual característico além de sons próprios.

A parte sonora também é boa, com vários efeitos sonoros bem reproduzidos, como efeitos de tiros, ronco dos carros, o abrir de portas ou gritos de dor dos personagens quando atacados pelos monstros, mas há seus deslizes, como alguns efeitos sonoros que somem quando o jogador está controlando os veículos; sim, sempre eles os problemáticos. A trilha sonora é incidental, porém de qualidade, com algumas músicas gostosas de ouvir e que casam bem com a situação apresentada na telinha.

Os maiores defeitos ficam por conta das animações que entregam uma movimentação truncada aos personagens e os efeitos de física, que passam longe de impressionar.