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A série “Streets of Rage” foi uma das mais famosas franquias do gênero beat’m up (jogos de pancadaria 2D em que você vai lutando contra vários adversários, avançando na tela até chegar ao fim da fase e defrontar o chefe) dos anos 90, produzido pela Sega e alcançando grande sucesso no bom e velho Mega Drive (e Master System e Game Gear também). Você já conferiu aqui na Gamehall as análises de “Streets of Rage“e “Streets of Rage 2“, e agora chegou a vez da sua terceira, e última, edição.

“Streets of Rage 3” foi lançado em 1994 e passou por várias melhorias se comparado aos games anteriores, com uma trama um pouco mais complexa, múltiplos finais (são quatro no total), fases mais longas e mais interativas, jogabilidade mais rápida com novos golpes e novos personagens (inclusive alguns secretos). Infelizmente foi o último título dessa grandiosa série, que deixou uma legião de fãs e seguidores sedentos por um novo (e aguardado) capítulo (chegou a sair o Streets of Rage Remake, mas isso é outra história, que irei contar mais no final). Por isso se você viveu a época dos 16 Bits, venha relembrar desta grande obra da Sega nos videogames, e se você não viveu, não sabe o que perdeu, mas pelo menos terá um gostinho da coisa lendo a nossa nostálgica análise de hoje!

A volta de Mr X (de novo)

O grande vilão do primeiro e segundo game, está de volta novamente e nada feliz de ter tido o rabo chutado pelos nossos heróis lutadores. Mas antes de entrar em detalhes na história, saibam que a versão japonesa e americana tem várias diferenças entre si, como alguns gráficos, personagens, músicas e o enredo. Na versão japonesa a narrativa se desenvolve  centrada em um novo e letal explosivo chamado de Laxine, que foi criado por um tal Dr. Gilbert (que depois, durante o game, é revelado ser a verdadeira identidade do ciborgue Dr Zan). Essa substância foi usada para construir uma bomba nuclear que explodiu em uma cidade, matando milhares de pessoas. Ao mesmo tempo um general militar chamado Petrof (amigo de Zan e que sabe segredos da bomba) é raptado e mais tarde nossos heróis descobrem que existem outras bombas Laxine, que estão de posse de Mr X (que planejou tudo, e que agora é apenas um cérebro dentro de um laboratório) e que pretende iniciar uma guerra global. Além da história diferente, a versão japonesa também tem uma introdução com cenas a mais, como Axel amarrando sua faixa na cabeça e dando um soco na tela, quebrando-a (coisa que foi retirada dos ianques).

Axel mostrando que é machão e quebrando a tela da sua TV

Já na versão americana, todas as referências da bomba Laxine e das mortes foram censuradas retiradas, o tal general Petrov foi substituído pelo Chefe de Polícia, e a trama agora envolve um aparentemente esquema do Syndicate, organização criminosa de Mr X, para trocar oficiais e pessoas de elevados status das cidades mais importantes por clones robôs, para controlar a região. Mr X possui uma companhia robótica, que serve como disfarce para suas atividades ilegais, como a produção de um exército de robôs para controlar o mundo. Dr Zan descobre os planos de Mr X e pretende impedi-lo, e para isso procura a ajuda de Blaze Fielding, que rapidamente entra em contato com seus velhos parceiros de pancadaria, Axel Stone e Adam Hunter, para acabar de vez com o Syndicate. Axel concorda em ajudar, mas Adam está envolvido com outros trabalhos policiais (mas ele aparece nas cutscenes no meio do jogo), e então manda seu irmão Eddie “Skate” Hunter em seu lugar (isso aí, vamos mandar o irmão adolescente enfrentar uma gangue mortal de bandidos).

E já que estamos falando de diferenças entre as duas versões, os americanos mudaram a cor da roupa de Axel, Blaze e Skate dos seus trajes originais dos games anteriores, as roupas de todas as adversárias femininas foram alteradas para ficarem menos “reveladoras”, o chefe “gayzinho” Ash também foi retirado do game e algumas vozes foram trocadas, como quando Axel fala “Grand Upper” por “Bare Knuckle” (que também é o nome do game no Japão). O “Bad End” da versão nipônica mostra a imagem da cidade toda destruída, enquanto na versão americana mostra apenas um fundo preto e um texto.

  

A biba Ash e uma gostosa punk com os peitos de fora (imagem da esqueda), já na versão americana ela está com um roupa mais comportada

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Electra também não escapou da censura da Sega e usa jaquetinha e calça para esconder seus atributos

essa vai de bônus, Blaze em SoR2 no Japão (a saia está maior na versão americana)

Os Personagens

Axel Stone

O loirinho policial, primo distante do Cody de Final Fight, é um dos principais personagens da série, aparecendo em todos os três títulos lançados e considerado como o “frontman” da saga. Ele é bem forte, mas seus pulos e agilidade não são muito bons.

Blaze Fielding

Blaze vem destruindo corações de gamers desde o primeiro game (ela inclusive tem uma pintinha no rosto, presente em todas as versões), e assim como Axel, marcou presença em todos os games lançados. Ela também trabalha nas forças especiais da polícia e é a mais equilibrada de todos, e na minha opinião, a melhor personagem para se jogar SoR3.

Eddie “Skate” Hunter

Irmão mais novo de Adam, apareceu pela primeira vez no segundo game. Apesar de ser um pirralho lá não muito forte, ele compensa sendo bastante ágil.

Dr Zan

Personagem inédito na série, esse velhote ciborgue é lento, mas bem forte. Trabalhava para o Mr X na fabricação das bombas, mas virou a casaca quando soube dos planos maléficos do patrão e foi procurar ajuda da Blaze.

Personagens secretos

Ash

O “viadinho” que só pode ser jogado na versão japonesa, é provavelmente o primeiro personagem gay num videogame (olha só que honra, e a maioria nem lembra que ele existe). Para “liberar” (uuii) essa biba, após derrotá-lo, aperte e mantenha pressionado o botão A no controle 1. Depois de perder todas as vidas, escolha continue e selecione Ash.

Shiva

O que Ash tem de frutinha, Shiva tem de machão. Um ninja-super-ultra-cool (apesar de aparecer apanhando na imagem), que apareceu pela primeira vez em Streets of Rage 2, como guarda-costas pessoal de Mr X (você tem que derrotá-lo antes de enfrentar o chefão). Ele é o chefão da primeira fase em SoR3 e pode aparecer como o chefão final, caso o jogador fracasse em salvar o General/Chefe de Polícia no estágio 6. Para selecionar esse cara fodão, depois de derrotá-lo no final do primeiro estágio, aperte B + Start (e mantenha os botões pressionados). Quando você perder todas as suas vidas, selecione “Continue” e escolha Shiva.

Roo

Um canguru boxeador, que aparece no game como um oponente, junto com um palhaço. Existem duas maneiras de usar esse adorável bichinho. A primeira delas é manter pressionados os botões Cima + B, e depois apertar Start na tela de início. Quando passar para a seção de seleção de Personagens, Roo estará disponível. A outra forma é não mata-lo no segundo estágio, derrubando apenas o sujeitinho do chicote (depois disso, quando você perder todas as suas vidas, selecione “Continue” e escolha Roo).

Com isso são no total sete personagens (na versão japonesa) selecionáveis, um número pra lá de excelente para um beat’m up dos anos 90, que tinham em sua maioria apenas três para escolher. Os personagens secretos, entretanto, possuem uma variedade de golpes menor, e não podem usar as armas que aparecem pelo caminho, como facas, espadas, bastões, etc.

na versão beta do jogo havia uma fase que os personagens usavam motos, mas que foi retirada na versão final

Caindo na porrada e limpando as ruas dos marginais

Logo de cara notamos que a mecânica de SoR3 é bem mais rápida e fluída do que os jogos anteriores. Os movimentos de correr e esquivar para os lados foram adicionados, e a maior parte dos ataques causa menos dano do que nos títulos antigos. O relógio foi substituído por uma barra de força que, quando cheia, permite aos jogadores usarem habilidades especiais sem que isto drene suas barras de energia. É recomendado jogar com o controle de seis botões do Mega Drive, que permite uma maior liberdade de opções de golpes. Ataques especiais em conjunto com o seu parceiro estão de volta, lá do longínquo SoR1.

Alguns golpes especiais inclusive podem subir de level, ficando mais poderosos. Ao obter um certo número de pontos sem morrer, o jogador receberá uma estrela em cima de seu nome (no máximo de até três estrelas). Essa estrela representa um novo tipo de especial, ou um upgrade daquele especial, deixando as coisas ainda mais interessantes. Se morrer, perde todos os pontos/estrelas e tem que começar tudo de novo.

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os cenários são variados, tem discoteca e até bar temático

Mas as novidades na jogabilidade não param por aí não. Cada um dos personagens principais podem utilizar as diversas armas disponíveis de uma nova forma inédita e incrível na série. Por exemplo, ao invés de apenas usar as facas como “fura-bucho” dos inimigos, dependendo do personagem que você esteja (cada um tem mais habilidades com certas armas), será possível utilizar essas armas num ataque totalmente novo. A Blaze por exemplo, dá um “shoryuken” utilizando a faca. Mas cuidado, todas as armas têm energia, e quando ela acaba, a arma se quebra e você fica sem nada na mão.

Os gráficos e visuais se apresentam muito bem na tela, com fases longas, cenários cheios de detalhes, cores e animações, que dão bastante “vida” ao universo do game, não sendo aquela imagem estática, comum em outros games do gênero. Porém, os sprites dos personagens estão menores do que em SoR2, mas nada que possa ser considerado negativo, o jogo compensa isso com cenários de fundo bem mais detalhados do que os jogos anteriores. São no total sete estágios, e os ambientes são bem diversificados, passando pelas clássicas ruas violentas, até por passagens subterrâneas, discoteca, bar, hotéis luxuosos e fábricas de montagem de robôs (com direito à cientista louco e tudo). Além disso, os cenários ainda oferecem diversas interações em formas de armadilhas, como barris caindo em sua direção, carrinhos em trilhos de trens, esteiras que te arrastam para buracos, plataformas móveis, elevadores e até um mortal trator que persegue nossos heróis. Sem dúvida, um trabalho primoroso do designer de fases da Sega, digno de parabéns.

quebre os muros para poder avançar e escapar do trator assassino

Claro que todas essas coisas elevaram bastante a dificuldade do game. Curiosamente, a versão americana é bem mais difícil do que a japonesa, e lá pela quarta fase você vai notar o bicho pegando, com dezenas de inimigos na tela com barras de energia gigantesca, e claro, tirando um bom pedaço da sua barra de energia a cada golpe (por isso, se puder escolher, fique com a versão japonesa, que se desenrola de maneira mais agradável). A inteligência artificial dos oponentes foi expandida para que mais inimigos possam pegar armas, bloquear ataques, se unirem para fazer ataques cooperativos, e até mesmo roubar itens de comida para recuperarem sua energia.

E falando em adversários, vários deles retornam dos games anteriores, para levar mais porrada de nossos amigos policiais. Punks e marginais, retirados diretos do túnel do tempo dos anos 90, com suas roupas couro, trajes coloridos e penteados duvidosos. Temos também novos capangas, só esperando pra levar aquela surra homérica. Alguns chefões até retornam dos games anteriores, como o cara do jato nas costas, o famoso Shiva, o ninja Yamato (que precisa ser derrotado três vezes), e aquelas duas vadias “clones” de Blaze em SoR1, Mona e Lisa (e não, aqui elas não têm a mesma aparência da Blaze). A variedade de oponentes é boa, mesmo assim eles utilizam aquela “técnica” de mudar a cor da roupa deles, sinalizando que estão mais fortes e perigosos.

  

E assim chegamos à trilha sonora, novamente assinada pelo talentoso Yuzo Koshiro, que nos presenteou com duas obra-primas sonoras sensacionais nos antecessores. Infelizmente o mesmo não ocorreu em SoR3, Koshiro experimentou uma nova técnica de composição e o resultado ficou esquisitíssimo, e pelo menos para mim, bem abaixo dos seus trabalhos anteriores (mas alguns temas são até bacaninhas, escute aqui a inesquecível música tema da série, que toca nesta terceira edição). Até mesmo alguns efeitos sonoros soam estranhos, não tendo aquela nitidez de SoR2, o mesmo ocorre com as vozes.

Infelizmente “Streets of Rage 3″ foi o último game da série, a Sega engavetou os personagens e eles estão lá até hoje, aguardando algum dia pelo seu retorno glorioso. Na era do PS1 a Sega tentou uma parceria com a Core Designs para um SoR4, mas não deu muito certo e a Core acabou lançando o game de luta 3D “Fighting Force” (bem bacaninha até). Em 1999 a Sega tentou novamente criar um novo game, juntamente com a Ancient (empresa de Yuzo Koshiro) para o Dreamcast, mas acabou não dando certo também.

Mas pelo menos nós tivemos um projeto que deu certo, o excelente “Streets of Rage Remake”, feito por um grupo de fãs apaixonados, que levou quase 10 anos para ser completado, e que basicamente combina toda a série num game só, e com dezenas de conteúdos extras, novos cenários, etc. Nem a Sega faria melhor se tivesse tentado, tanto que a própria ficou com “ciúmes” do sucesso que o game estava fazendo online e mandou que ele fosse retirado do ar, mesmo ele sendo distribuído gratuitamente e de ter dado o seu aval quando os seus criadores entraram em contato com ela. Sacanagem com os caras heim Sega, fala sério! Mas se você fuçar por aí, você encontra ele fácil fácil (e eu mais que recomendo que baixem, o jogo é sensacional!).

essa imagem acima (versão japonesa) também recebeu “retoques” na versão americana (o seu bikini ficou mais em evidência)

a bela imagem final do game

 

“Hello sweetie”