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A série Turrican marcou época durante os anos 80/90 com o estilo Run ‘n Gun (correr e atirar), que tinha como maiores representantes “Contra”, “Gunstar Heroes” e “Metal Slug”, nos arcades e consoles domésticos.

Turrican fez grande sucesso no computador Amiga com três belos games, mas ele também ganhou versões nos consoles. Em 1993 a produtora Factor 5 (famosa por Star Wars: Rogue Squadron) desenvolvia para o Mega Drive “Mega Turrican“, o terceiro jogo da série (melhor inclusive que a versão do Amiga – leia análise aqui).

Ao mesmo tempo, ela também fazia uma versão para o Super Nintendo, o “Super Turrican“, que era um compacto dos três jogos. Apesar de ser um jogo bacana e bonito, “Super Turrican” não apresentava nada de extraordinário, afinal, era o primeiro jogo da Factor 5 no console (que estava mais acostumada com a engine do Amiga, que por sua vez era muito semelhante ao Mega Drive). Mas deu para a empresa conhecer o sistema e “brincar” com o seu engine.

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Em 1995, plena época de declínio dos 16 Bits e ascensão do Saturn e PlayStation, a Factor 5 lançou “Super Turrican 2” (último da série), um dos games de plataforma (não o considero Run ‘n Gun por ser muito lento) mais bonitos que já apareceu no Super Nintendo. Ele é um jogo que leva o SNES aos seus limites e que impressiona qualquer um que o jogar.

O jogo conta com uma narrativa bem básica, que pode inclusive se encaixar como uma sequência de Mega Turrican/Turrican 3, apesar do título “Super Turrican 2”. O vilão já conhecido dos jogos anteriores, The Machine, está de volta com o desejo de dominar a galáxia e escravizar a humanidade. Cabe a um herói, não identificado, usar a poderosa armadura Turrican e salvar a humanidade.

Graficamente, “Super Turrican 2” é um dos mais belos jogos que já apareceu no SNES. Acho que nunca vi um jogo usar tão bem a palheta de cores do console como nesse título. Os cenários são muito bem construídos, o uso das cores é belíssimo, os efeitos de zoom, rotação e Mode 7 são frequentemente usados e tem até uma fase que lembra o shoot ‘m upAxelay“, clássico do SNES.

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A Factor 5 era uma produtora alemã e ela deu uma aula, em seu segundo jogo para o aparelho, de como aproveitar ao máximo os recursos de um console (coisa que ela também fez com o Mega Drive), para produtoras japonesas consagradas, como Capcom e Konami – nenhuma delas fez um jogo tão completo que aproveitasse os limites do aparelho como “Super Turrican 2”.

No entanto, entre todos os jogos da série, incluindo o primeiro “Super Turrican”, este aqui é o mais linear de todos, que se resume andar da esquerda para direita. Os cenários continuam longos e com algumas áreas secretas, mas sem aquelas grandes zonas de labirintos e enfoque na exploração como nos antecessores – uma das marcas registradas da séries.

Em comparação ao “Mega Turrican” do Mega Drive, sua ação é bem mais lenta, afinal o processador do SNES era bem inferior ao do rival, então quem está acostumado com Run ‘n Guns velozes, talvez se irrite com a “câmera lenta” de “Super Turrican 2”. Como um jogo de plataforma 2D, porém, ele funciona muito bem, inclusive apresenta fases com vários inimigos na tela, sem lags ou slowdowns – um problema que era recorrente no SNES.

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O arsenal oferece as tradicionais três armas básicas, porém com a adição de mísseis e bombas especiais (com um belo efeito na tela). Temos também uma arma paralisante, que facilita e muito as coisas, assim como a corda/gancho que apareceu pela primeira vez em “Mega Turrican”. Além disso, o personagem pode se transformar em uma bola, como a Morph Ball da série Metroid, mas praticamente inútil, já que o jogo segue uma linha linear de plataforma e não apresenta cenários para uso exclusivo na forma de bola.

A trilha sonora conta com temas musicais que aproveitam muito bem a capacidade sonora do SNES, com músicas orquestradas – provavelmente uma das melhores trilhas sonoras do console, em termos técnicos. Porém, eu prefiro as músicas do “Super Turrican“, que são versões da trilha sonora do “Mega Turrican” e para mim são composições mais épicas e inesquecíveis, com um “feeling” que “Super Turrican 2” não possui.

Por fim, o único defeito de “Super Turrican 2” é a batalha com o chefão final, um vilão nanico menor que o seu personagem. Depois da cabeça gigante e de corpo 3 vezes maior que o seu personagem em “Mega Turrican”, eu esperava uma batalha final épica e apoteótica com o The Machine em “Super Turrican 2”, o que não acontece. É bem frustrante para um capítulo final da série. Mas fora isso, o jogo é perfeito.

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