Análises

Thunder Force III

Share Button

Uma das maiores séries de shooter da história

Certamente na época dos 16 Bits o Super Nintendo era imbatível com seus maravilhosos RPGs, porém havia um gênero que ele levava uma surra bonita do Mega Drive: os shooters (ou shoot’m up).

Um estilo já há bastante tempo esquecido pela revolução dos 3D (provavelmente os últimos shooters decentes saíram para Dreamcast como Giga Wings – e destaque para Gradius V para PS2) os shooters faziam a cabeça dosgamers nos anos 80 e 90.

O Mega Drive possui uma biblioteca de shooters bastante expressiva, muitos deles já clássicos na história dos videogames, como “Gaiares, “Sol-Feace e a própria série “Thunder Force, que teve três ótimos games para o console da Sega, sendo sua obra-prima o “Thunder Force IV.

O primeiro Thunder Force, feito pela saudosa TechnoSoft (que deixou de existir em 2001), saiu em 1983 para computadores japoneses e mostrava o terrível Império ORN dominando a galáxia e desafiando a Federação Galáctica, que manda seu melhor piloto na última esperança da humanidade, a nave “Fire Leo”, para localizar e destruir a base da ORN.

Em 1988 saia para os computadores japoneses X68000 (para Mega Drive saiu em 1989) o segundo capítulo, que se passa pouco tempo logo após o término do primeiro. O Império ORN não foi totalmente destruído, eles conseguem construir uma poderosa estação de batalha (alguém aí disse Estrela da Morte?), a Plealos, e começam atacar a Federação Galáctica e seus aliados, destruindo inclusive planetas inteiros. A Federação manda uma nova nave, a Fire Leo-02 “Exceliza” para destruir a Plealos.

Em 1990 então é lançado exclusivamente para o Mega Drive Thunder Force III. Bem superior ao seu antecessor, TF III fez a alegria de muitos donos de Mega Drive e fãs de shooter, usando muito bem suas capacidades gráficas e sonoras, que realmente era muito acima da média para o padrão dos jogos da época.

O sucesso foi tanto que o jogo ganhou uma versão para arcades no mesmo ano, chamada de “Thunder Force AC (em uma versão praticamente idêntica ao do console, porém com uma qualidade sonora inferior, por usar uma placa de som mais antiga), que possuía algumas poucas diferenças, como umas duas fases diferentes. Em 1991 a Toshiba lançava “Thunder Spirits” para o Super Nintendo (baseada na versão de Thunder Force AC). Apesar de graficamente idêntico às outras versões, o Super Nintendo peca por alguns slowndows e também pela trilha sonora inferior.

A História

Neste terceiro capítulo já se passaram mais de 100 anos desde que explodiu a guerra entre o Império ORN e a Federação Galáctica, passando por vários setores da galáxia. Aparentemente, apesar de suas vitórias até agora, a Federação Galáctica não está se saindo muito bem contra a batalha com o Império ORN, que instalou aparelhos de disfarce nos cinco principais planetas (Hydra, Gorgon, Seiren, Haides e Ellis) em seu território espacial onde se concentra sua base principal, dificultando assim para a Federação localizar e atacar seu quartel general.

Além disso, a ORN construiu um sistema de defesa chamado Cerberus, cuja especialidade é neutralizar e destruir grandes espaçonaves e frotas espaciais. Sabendo disso, a Federação cria o Fire Leo 3 “Styx”, uma nave de tamanho menor para que não fosse detectada por Cerberus, mas equipada com pesados armamentos de um cruzador estelar. A Federação manda Styx na missão de destruir os cinco aparelhos de disfarce, se infiltrar na base da ORN e destruir seu imperador, o bio-computador “Chaos“.

Nada muito diferente e original na história que um bom fã de shooters (ou de scifi) já não tenha visto, mas já é o suficiente para te colocar pronto para ação e pilotar a Styx em oito fases de pura adrenalina e dificuldade insana.

cuidado com os mechas

Gráficos

Thunder Force III apresenta ótimos padrões gráficos, como visuais detalhados, coloridos e bem variados. Para a época, os gráficos eram uma sensação e tanto, algo nunca visto até então (lembro de uma matéria de uma versão protótipo que saiu numa EGM da época e de como os editores estavam impressionados com o game).

Eles não são tão bonitos como o do Gaiares (que saiu seis meses depois) ou de Thunder Force IV (lançado dois anos depois), mas certamente havia muito o que apreciar nele, como vários chefes gigantescos e bem animados ou cenários de fundo marcantes, como a inesquecível fase do planeta de lava, com um visual de calor incrível atrás.

olha o tamanho das crianças, e são apenas os sub-chefes

Há vários cenários, que passam dentro de uma floresta, num planeta de gelo, fogo, água, cavernas, espaço indo até o interior da base inimiga nas últimas fases. Além de todos esses cenários, o uso do efeito parallax é muito bem usado, criando um visual bacana ao longo das oito fases.

Além disso há uma grande variedade de inimigos, de todas as formas, tipos e tamanhos. Desde pequeninas flores, insetos e pássaros de fogo a robôs e máquinas de diversos tamanhos, passando inclusive por um gigantesco cruzador estelar.

Destaque para os chefes de fase, que geralmente ocupam metade da tela, como o lagarto robô gigante que cospe fogo da primeira fase. Todos são bem bolados e impressionam pelo tamanho, e acreditem, vão dar muito trabalho. Veja abaixo as fases do jogo.

Stage 1 – Hydra: Um planeta cercado por florestas selvagens e inimigos tanto biológicos (como plantas e animais) como mecânicos. Fique esperto.

 

flores nada amigáveis, o chefão da primeira fase é bem fácil

Stage 2 – Gorgon: Um planeta de fogo com um belo visual. Aqui os inimigos virão em grande velocidade, cuidado extremo com as lavas que saem do fogo para cima de sua nave.

 

os efeitos do fogo são geniais, apesar de dificultar as coisas. Esse boss é bem difícil

Stage 3 – Seiren: Esta fase se passa debaixo da água, aqui inimigos virão de todas as direções imagináveis. Não fique parado em um só lugar, movimente-se sempre.

 

com o wave shot fica mais fácil. Tá vendo a lagosta aí, é o boss

Stage 4 – Haides: Este planeta é marcado pelas suas cavernas e grande depressões. Aqui além dos inimigos, você tem que se preocupar com o chão e teto que se movimentam em grandes terremotos e que podem te esmagar.

 

cuidado com esse “minhocão” e com as paredes que tentam te esmagar. No final mais um chefe pentelho

Stage 5 – Ellis: A ação neste planeta gélido começa pela diagonal em caminhos bem torturosos. Depois ainda tem ação vertical e horizontal.

 

esta fase é o bicho, vários caminhos estreitos para você passar. No final um boss grandão, mas fácil de se matar com a arma certa

Stage 6 – Cruzador Estelar: Agora que você destruiu os aparelhos de disfarce inimigos nos cinco planetas, você vai para o espaço de encontro a um gigantesco cruzador estelar. Você irá voar em volta dela e deve destruir todo o seu armamento.

cuidado com os propulsores, detone-os e depois voe em volta do cruzador e destrua suas armas. No final você terá que entrar no cruzador e destrui-lo de dentro

Stage 7: Você vai entrar na base inimiga. Fase bastante dificil, com inimigos pipocando em toda parte. Está quase no final.

se você achou o caminho até aqui fácil, espere até ver esta fase. No final, além de se preocupar em acertar o boss, você precisa se desviar dessas caixas flutuantes

Stage 8: Finalmente a última fase. Aqui um sub-chefe te aquece para enfrentar o chefão final, o bio-computador Chaos, que vai atacar em duas formas.

 

chegue com os power-ups que tudo acaba rápido. O último boss tem duas formas

Músicas

A trilha sonora também faz bonito, não é perfeita como a do quarto game, mas é uma evolução do segundo (que também já possuía excelentes temas quando lançado). Belas composições que realmente combinam com a ação rolando na telinha. Uma mistura de rock e sintetizadores pop. Desde a curta música de abertura até as músicas dos chefes teremos temas memoráveis como um bom shooter que se preze merece.

Todas as músicas possuem batidas pesadas com um ritmo nervoso, com guitarras e contrabaixos que podem ser nitidamente ouvidos e apreciados. Pessoal que gosta de “tirar” músicas de games com guitarra, com certeza vai fazer a festa com este jogo. As músicas são bem altas, em comparação aos efeitos especiais e outros sons, o que acaba se tornando um fator de extrema importância na hora de jogar, dando aquela atmosfera que um shooter necessita. Um shooter com músicas ruins não dá pra jogar, mesmo que o resto dele seja bom. Quando isso acontecia, eu colocava um CD de música e abaixava o som do videogame. Mas com Thunder Force III isso não será necessário. O game ainda possui umas 20 músicas, que variam dos cenários onde você se encontra aos temas dos chefes (cada um deles possui um tema musical!!).

Os efeitos especiais são os já clássicos de qualquer shooter, explosões, tiros e aquela barulhada toda. Estão num volume mais baixo do que a música, bem discretos, então não se preocupem que não irão machucar os ouvidos ou fazer a mãe pensar que está havendo uma guerra dentro do seu quarto. Há também uma bela voz feminina digitalizada, mas as vezes é meio difícil entender o que ela fala.

Escute abaixo algumas músicas dessa trilha sonora, que eu recomendo:

abra caminho mandando bala nos inimigos

Jogabilidade

Jogabilidade simples e perfeita, com resposta rápida e precisa aos seus comandos. Mudou um pouco do seu antecessor (que possuia ação com visão lateral e superior da nave – este é apenas o clássico lateral). Você controla a nave com o direcional, com um dos botões muda a velocidade (ideal para passar por lugares mais perigosos), com o outro atira e o terceiro muda a arma.

Ponto forte do jogo é a variedade de armamento que ele lhe oferece, com vários tipos de armas. são cinco no total, que podem ganhar ganhar power ups te dando mais opções. Você começa com as armas básicas Twin Shot e a Back Shot. Veja abaixo os tipos de armas que você pode pegar durante o jogo:

Claw: Esta paradinha aqui será seu pequeno companheiro de viagem, que irá lhe socorrer nas horas mais difíceis. Com ele você ganha dois satélites que ficarão girando ao redor de sua nave aumentando seu poder de tiro.

Twin Shot: Arma básica que você tem já no início do game. Dispara dois tiros frontais. Com o upgrade atira lasers. Ideal para enfrentar chefes e sub-chefes.

Back Shot: Outra arma básica. Dispara um tiro frontal e outro atrás da nave. Com o upgrade é apenas disparo atrás, mas bem mais poderoso.

Wave Shot: Dispara um raio de ondas, com o upgrade atinge uma área maior. Ideal para inimigos pequenos e de grande quantidade. Não é muito poderoso.

Missiles: Dispara um tiro frontal e mísseis laterais que percorrem as paredes. Com o upgrade os misseis ficam mais poderosos e atingem uma área maior. Bastante forte.

Hunter: Dispara “bolinhas” que perseguem os inimigos. Perfeita para os “franguinhos” (brincadeira, ela é bem útil). Não é muito poderosa, mas você não precisa se preocupar em ficar mirando.

Fique esperto que, ao morrer você perde a arma que estiver usando (exceto as básicas), powerups e o Claw. E pode se preparar para perder muitas vezes, pois a dificuldade do jogo é INSANA! Extremamente difícil, se você for “franguinho“, passe longe dessa bomba atômica voadora. Mas se gosta de desafios, aqui você vai encontrar um belo adversário. Centenas de inimigos voando em sua direção, disparos de armas inimigas, mechas, cruzadores e até mesmo animais e plantas estarão contra você. E para ajudar alguns cenários são bem coloridos e detalhados, exatamente para dificultar sua visibilidade para enxergar os inimigos ou disparos. Reflexos e agilidade velozes serão de muita ajuda.

e agora José?

Falando em velocidade, o jogo é MUIIITO VELOZ, usando a potência do processador do Mega Drive, e o melhor de tudo, sem um pingo de slowdown! Em algumas partes do jogo a tela ficará lotada de inimigos, então velocidade é muito importante aqui. Uma dica, não fique parado em um só lugar, fique sempre se movimentando, pois os inimigos surgem de todos os cantos possíveis e imagináveis. Troque constantemente suas armas, para cada inmigo há uma arma certa. Se ficar apenas em uma, com certeza não irá muito longe.

As fases foram muito bem desenvolvidas e pensadas, mostrando com perfeição o brilhantismo atrás do desenvolvimento de um game. Isso aqui não é um simples “tiro-a-alvo” qualquer, em que você apenas se preocupa em acertar os inimigos que aparecem todos marchando em linhas enfileiradas. Aqui você tem que se preocupar com a velocidade, com o tipo de arma, com os cenários, saber aonde e quando atirar. A Tecnosoft fez, e muito bem, seu trabalho.

escolha o planeta e veja análise dos chefes

Você pode escolher a sequência das primeiras cinco fases, que são baseados na floresta, fogo, água, terra e gelo. Como eu já disse antes, os chefes de fase merecem destaque. São muito bem bolados, com um design bacana que geralmente ocupa bom tamanho da tela. Alguns bem dificeis de se matar, outros nem tanto. preste atenção na tela inicial da fase, ela lhe indicará o ponto fraco do chefe. E não adianta acertar em outro lugar, tem que ser exatamente naquele ponto, senão a desgraça não morre e vai ficar te aporrinhando.

Starfighter Fire Leo 3 “Styx” is now ready for the mission

Márcio Pacheco

Márcio Alexsandro Pacheco - Jornalista de games, cultura pop e nerdices em geral. Me add no Facebook: https://www.facebook.com/marcio.pacheco

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo