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Ubisoft demite 19 da Red Storm — legado de Tom Clancy substituído por corte de custos e VR que ninguém jogou

Estúdio fundado pelo mestre dos thrillers táticos agora serve de exemplo de como matar uma herança em slow motion corporativo

🧠 Por RumbleTech – RH não autorizado da indústria gamer!

Parabéns, Ubisoft. Você conseguiu de novo. A empresa que já foi sinônimo de inovação (ok, talvez por uns cinco minutos em 2007) agora segue firme no seu verdadeiro gênero: simulador de corte orçamentário com elementos de gestão de cinismo.

A vítima da vez foi a Red Storm Entertainment, aquele estúdio fundado pelo próprio Tom Clancysim, aquele mesmo que inspirou Rainbow Six, Ghost Recon, Splinter Cell e seu primo distante que não deu certo, XDefiant. O time perdeu 19 funcionários em mais uma daquelas “reestruturações estratégicas” que na prática significam: “alguém lá em cima errou e quem paga é o chão de fábrica”.

A declaração da Ubisoft, claro, veio no clássico dialeto do corporativês otimista com cheiro de café requentado:

“Embora não tenha sido uma decisão fácil, foi necessária, dadas as nossas prioridades operacionais.”

Ou seja: não sobrou orçamento nem pra enrolar no discurso. Demitimos, sim. Por quê? Porque os números pedem. E você aí achando que jogo era arte.

Red Storm: de elite tática a peão de reestruturação

Lembra quando a Red Storm era referência em tática, narrativa e tensão militar realista? Pois é, a Ubisoft lembra também — mas só quando vai escrever release.
Hoje, o estúdio virou puxadinho de suporte pra VR e codificador de sonho cancelado. Trabalhou em:

  • Werewolves Within (aquele VR party game que ninguém sabia que existia)

  • Star Trek: Bridge Crew (jogo legal… por 3 minutos)

  • Assassin’s Creed Nexus VR (pra quem sempre sonhou em escalar uma parede em realidade virtual e vomitar logo em seguida)

E os projetos principais?
Splinter Cell VR? Cancelado.
The Division Heartland? Cancelado.
XDefiant? Cancelado por jogadores antes mesmo da Ubisoft desligar os servidores.

Mas ei, pelo menos receberam “pacotes de rescisão abrangentes”, o que é o novo “obrigado por tudo, agora some do Slack até as 18h”.

Ubisoft: um estúdio entra, outro sai

A Ubisoft também deixou claro que nenhum outro estúdio foi impactado pelas demissões. Ufa, né? Porque já tava difícil acompanhar qual time ainda respira e qual já virou item no LinkedIn com o status “aberto a oportunidades”.

Mas vamos lá:

Quantas pessoas ainda trabalham na Red Storm? Ninguém sabe.
Quais projetos seguem vivos? Também ninguém sabe.
Existe algum plano real além de “gastar menos”? Pergunta difícil. Mas se a resposta fosse “sim”, talvez não estivessem desligando estúdios como quem limpa histórico de pesquisa antes de emprestar o celular.

E o legado de Tom Clancy?

Sabe aquele negócio chamado “Tom Clancy’s”? A marca que foi sinônimo de inteligência, estratégia, táticas militares e storytelling tenso, agora virou um selo colado em qualquer coisa com drone, mira holográfica e um plot twist genérico sobre uma arma biológica no metrô de Nova York.

A Red Storm, que nasceu da mente do autor, virou uma ferramenta nas mãos da Ubi para entregar conteúdo que parece feito por inteligência artificial treinada com trailers de Call of Duty. Quando não estavam fazendo VR que ninguém pediu, estavam ajudando nos sistemas de matchmaking de jogos live service com data de validade inferior à de Yakult.

Demita a esperança

A Ubisoft diz que está “comprometida em apoiar os afetados”. Traduzindo: “Desejamos sorte em suas futuras batalhas no LinkedIn Premium”.

A Red Storm, que já criou lendas táticas, virou refém de reuniões de PowerPoint com diretores que nunca jogaram Ghost Recon original, mas falam “engajamento” 7 vezes por minuto.

Se demitir 19 pessoas é “estratégico”, imagina o que vai acontecer quando alguém na Ubisoft perceber que quase nenhum projeto está dando certo?

Spoiler: vão demitir mais, cortar estúdios, anunciar três jogos novos pra esconder os cadáveres dos antigos e fingir que Assassin’s Creed no Japão vai salvar o trimestre.

E no meio disso tudo, o legado de Tom Clancy? Bem, pelo visto, já foi reativado, alvejado e desconectado.

Zeca "RumbleTech" Rabelo

Zeca é o cara que joga tudo, reclama de quase tudo, mas só porque ama demais. Analisa jogos com um olho clínico de quem viveu a ascensão do 16-bits, sobreviveu aos gráficos do PS1 e agora exige 60 FPS até pra abrir o menu. Sarcástico, nostálgico e PC Master Race até a alma.
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