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Valkyrie Profile: A história que quanto mais complica, mais legal fica | Opinião

Uma análise diferente das que você já viu por aí

Diferente do que muitos pensam, o autor deste texto tem um jogo favorito que não se trata de um game do Sonic, mas sim um RPG que, em muito pouco, se parece com o azulão. Valkyrie Profile do primeiro PlayStation (depois relançado para PSP e dispositivos móveis) marcou minha vida e, sem medo de exagerar, é o jogo mais profundo que joguei. Cada vez que revisito este game, percebo detalhes que apenas a maturidade o faz. A partir daqui falarei livremente sobre o game, então caso não tenha jogado e não queira spoilers, é bom parar por aqui.

O game, mesmo com belos efeitos (para a época, claro) e usando de um visual em 2D bastante bonito, não é para todos. Pelo contrário, Valkyrie Profile é mais indicado para os amantes de JRPG, em especial os nerds bem “nerds” que adoram evoluir o personagem, ficar horas treinando, procurar detalhes aqui e acolá e acompanhar uma história bastante longa, com planos sequências lentos e com muito diálogo (MUUUITO diálogo).

Além disso, para fazer o final verdadeiro, o jogador precisará de um detonado ou perceber todas as mensagens indiretas que o game propõe. Isso mesmo, se você fizer tudo que o jogo te manda fazer com maestria, você pega o final “B”, mas se você tiver um olhar crítico e perceber que tem alguma coisa errada e mudar um pouco seu destino, pegarás o final “A”, que é o canônico.

O prólogo dura 11 minutos de puro diálogo

Particularmente, o que mais me chama a atenção é justamente a linguagem indireta para determinadas situações e, aqueles que não tinham conhecimento prévio da mitologia nórdica (como eu), têm uma visão muito simplória de como tudo funciona: Nós somos a valquíria Lenneth que serve ao bondoso deus Odin e sua fiel braço direito Freya, e ao longo do game encontramos um pessoal que não segue as ordens dos deuses e, portanto, são os vilões da história. Simples, maniqueísta e o que vemos em todos os games, certo? Errado!

Os vilões que desafiam os deuses, por mais que tenham severas falhas de caráter e demonstrem arrogância em muitos momentos, também trazem questionamentos bem interessantes, pois tanto Odin, Freya e os deuses de Valhalla possuem falhas grotescas de personalidade. O próprio deus dos mortos, Brahms, inimigo de Odin (uma espécie de “Diabo”) parece ter um caráter mais bacana que o Odin em alguns momentos.

Além disso, toda a guerra que acontece e o fim do mundo, Ragnarok (equivalente ao “Apocalipse” dos cristãos) se dá pelas motivações do Odin em se tornar o líder dos deuses.  Fora que durante a reta final, há um diálogo entre a protagonista Lenneth e a Freya que “buga” nossa mente, já essa última é falsa e manipuladora, ao mesmo tempo que tem motivações pertinentes para fazer o que fez com a protagonista. É aquele momento que você fica pensando “ok…ela está certa ou errada aqui?!”.

É realmente interessante que nenhum personagem é “necessariamente bom” ou “necessariamente mal” e todos têm pontos positivos e negativos em suas personalidades. Justamente pela complexidade, a gente fica meio “perdido”, já que ninguém é confiável. A própria protagonista, que tem uma postura de “psicóloga” ao longo do game com sua voz serena e calma, nos momentos finais entra em desequilíbrio emocional, com direitos a choros intensos e uma voz bem firme.

Talvez por tudo isso, esse seja um dos games (dos que joguei, é claro) mais próximos da realidade em termos de desenvolvimento dos personagens. Não há vilões ou mocinhos. Eles são movidos mais pelas circunstâncias do que pela “pureza” de suas intenções. Um enredo maduro, complexo, indireto e muito detalhado, sendo um dos jogos mais profundos que tive a oportunidade de experimentar.

E é claro, tirando isso, ele tem os outros pontos de um bom RPG: gráficos legais, uma boa dublagem (parece curso de inglês!), trilha sonora ótima, personagens carismáticos etc. Pode ser chato para alguns com um olhar mais distante (e talvez seja mesmo), mas pra quem curte um game de profundidade ímpar, definitivamente deve testá-lo. Valkyrie Profile é um clássico da Enix. Aqueles que quiserem ler uma review mais sobre o game em si, clique aqui.

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