🕶️🥃 RumbleTech acende o cigarro imaginário, encosta na parede de Kamurocho e manda a real:
Yakuza Kiwami é aquele jogo que te dá um soco na cara… e depois te paga uma bebida pra pedir desculpa. E mesmo rodando hoje em PS5, PC e Xbox Series, ele continua sendo exatamente isso: bruto, dramático, exagerado, japonês até o osso — e maravilhoso por causa disso.
Essa aqui é uma análise definitiva de Yakuza Kiwami na geração atual, misturando o que o jogo sempre foi com o que ele se tornou tecnicamente. E já aviso:
👉 sou fã da série,
👉 sei onde ela tropeça,
👉 mas também sei reconhecer quando um remake envelhece melhor que muito jogo novo.
No fim, a nota é 8/10. E explico tim-tim por tim-tim, do jeito que o Google gosta… e o leitor também.
O começo de tudo (e o peso disso)
Lançado originalmente em 2006 no PlayStation 2, Yakuza Kiwami é o remake do primeiro Yakuza, aquele que apresentou ao mundo Kazuma Kiryu, o dragão mais educado da história do crime organizado.
A história continua sendo uma das mais fortes da franquia:
Kiryu assume a culpa por um assassinato que não cometeu para proteger seu melhor amigo, Nishiki. Passa 10 anos na cadeia. Sai…
E descobre que:
-
o melhor amigo virou outra pessoa
-
a mulher que ele ama sumiu
-
e 10 bilhões de ienes desapareceram da Tojo Clan
Tranquilo, né? Um domingo comum em Kamurocho.
O maior acerto do remake: Nishiki finalmente faz sentido
Aqui entra um dos melhores acertos de Kiwami em relação ao jogo original.
O remake adiciona novas cenas focadas em Nishiki, mostrando sua queda, sua frustração e o processo psicológico que o transforma no antagonista que conhecemos.
👉 Isso muda TUDO.
No original, Nishiki parecia “vilão porque sim”. Em Kiwami, ele vira:
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trágico
-
humano
-
compreensível
Você não concorda com ele… mas entende.
E isso eleva o impacto emocional da história como um todo.
Dublagem japonesa: agora sim, do jeito que tem que ser
O remake remove o antigo dub em inglês do PS2 (que tinha nomes famosos, mas… né) e coloca a dublagem japonesa padrão da franquia.
Resultado?
-
interpretação mais contida
-
diálogos mais naturais
-
tom dramático mais consistente
É aquele caso clássico de:
“Não estava errado antes…
mas agora está certo.”
Kamurocho: pequeno no mapa, gigante na alma
Vamos falar do cenário.
Kamurocho é uma área relativamente pequena, ainda mais se comparada aos mundos abertos gigantescos da geração atual.
Mas aqui vai a verdade que muito jogo moderno odeia ouvir:
👉 densidade é mais importante que tamanho.
Kamurocho é:
-
viva
-
detalhada
-
cheia de lojas, bares, becos e atividades
-
um personagem por si só
Cada esquina tem alguma coisa acontecendo. Cada rua parece habitada.
Mesmo hoje, rodando em PS5, Xbox Series ou PC, o mapa continua sendo uma aula de design urbano compacto.
Visual e desempenho na geração atual
Aqui entra o lado mais técnico da coisa.
🎮 PS5 / Xbox Series
-
resolução mais limpa
-
framerate estável
-
loadings praticamente inexistentes
-
animações mais suaves
Não é um remake “next-gen”, mas roda redondinho, sem engasgos, sem quedas, sem dor de cabeça.
🖥️ PC
No PC, Kiwami brilha do jeito clássico da PC Master Race educada:
-
suporte a resoluções altas
-
opções gráficas decentes
-
framerate desbloqueado
-
desempenho sólido até em máquinas medianas
Sim, em Ultra ele pode pesar dependendo da GPU, mas:
👉 ajustando para Alto, o jogo roda melhor que no PS4 original
👉 com qualidade visual superior
E sim, dá pra jogar no teclado e mouse…
mas o próprio jogo avisa:
“Um yakuza de verdade usa um controle.”
E ele está certo.
Combate: velho conhecido, mas bem rejuvenescido
O combate em Kiwami foi totalmente retrabalhado, bebendo direto da fonte de Yakuza 0.
Kiryu tem quatro estilos de luta:
-
Brawler
-
Rush
-
Beast
-
Dragon (o clássico)
O sistema de progressão é simples:
-
luta
-
ganha XP
-
desbloqueia habilidades
Nada de árvore de skills confusa.
Aqui é soco, chute e evolução clara.
E sim…
bater em alguém usando uma bicicleta ainda é uma das coisas mais satisfatórias da história dos videogames.
Majima Everywhere: genial… e meio esquizofrênico
A mecânica Majima Everywhere é ao mesmo tempo:
-
brilhante
-
engraçada
-
e um pouco fora de tom narrativo
Goro Majima aparece do nada:
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em becos
-
em lojas
-
vestido de policial
-
fantasiado
-
surgindo do chão
Tudo pra te enfrentar e te deixar mais forte.
É hilário.
É divertido.
Mas às vezes quebra a seriedade da história, já que Majima aqui mistura:
-
o louco carismático dos jogos posteriores
-
com o personagem mais contido da narrativa original
Funciona como gameplay.
Nem sempre como narrativa.
Conteúdo: absurdo, como manda a tradição
Além da campanha principal, Kiwami continua sendo uma festa de conteúdo secundário:
-
sinuca
-
dardos
-
karaokê
-
pocket racing
-
minigames completamente sem noção
Destaque especial para MesuKing, que basicamente é:
Pedra, papel e tesoura
com mulheres fantasiadas de inseto
Não pergunte.
Só aceite.
Onde o jogo mostra a idade (e não esconde)
Agora, vamos ser honestos.
Mesmo rodando na geração atual, Kiwami ainda carrega:
-
limitações estruturais
-
mapa único
-
menos liberdade que jogos posteriores
-
lip-sync fraco em alguns momentos
Essas coisas não quebram o jogo,
mas lembram o tempo todo que:
👉 isso é um remake de um jogo de 2006.
E tudo bem.
Legendas em português: demorou, mas chegou (e funciona!)
Depois de anos de sofrimento lendo legenda em inglês no meio de briga com 15 yakuzas, finalmente a SEGA fez o favor de incluir legendas em português do Brasil nas versões mais recentes de Yakuza Kiwami para PS5, PC e Xbox Series.
E olha… não é aquele português “Google Tradutor bêbado às 3 da manhã”, não. A localização é competente, clara e respeita o tom da série, conseguindo traduzir tanto o drama pesado da história quanto as piadas absurdas, xingamentos criativos e diálogos cheios de gíria japonesa sem matar o contexto.
Isso muda completamente a experiência para o público brasileiro, principalmente para quem está conhecendo a franquia agora ou quer revisitar Kamurocho sem precisar fazer malabarismo mental entre soco, esquiva e interpretação de texto em inglês.
É aquele caso clássico de “demorou 15 anos, mas antes tarde do que nunca” — e sim, isso torna o jogo muito mais acessível e prazeroso de jogar hoje.
Prós:
- História forte e bem escrita, com drama digno de novela japonesa das boas
- Expansão narrativa de Nishiki, que transforma o antagonista em um personagem trágico e memorável
- Dublagem japonesa excelente, muito mais coerente com o tom da série
- Kamurocho extremamente viva e detalhada, mesmo sendo um mapa compacto
- Combate divertido e visceral, herdado e refinado a partir de Yakuza 0
- Majima Everywhere é hilário e marcante, adicionando desafio e personalidade
- Conteúdo secundário absurdo e variado, com minigames que vão do mundano ao completamente insano
- Desempenho sólido na geração atual, com framerate estável no PS5 e Xbox Series
- Versão de PC bem otimizada, com boas opções gráficas e suporte a altas resoluções
- Preço acessível, especialmente considerando o volume de conteúdo
Contras:
- Mapa limitado a Kamurocho, sem outras cidades para explorar
- Estrutura de jogo antiga, herdada diretamente do título original de 2006
- Algumas melhorias de jogos posteriores não estão presentes
- Lip-sync inconsistente em determinadas cenas
- Majima Everywhere pode quebrar o tom da narrativa em momentos mais sérios
- Não chega a aproveitar recursos “next-gen” de forma significativa
Nota Final: 8/10
Yakuza Kiwami não é o melhor Yakuza. Mas é um dos mais importantes. Ele: estabelece a base da franquia, conta uma história forte, melhora personagens-chave, roda muito bem na geração atual e continua absurdamente divertido. Para novatos, é porta de entrada perfeita. Para fãs, é revisitar Kamurocho com respeito. Kiwami não tenta ser moderno demais. Ele tenta ser fiel. E às vezes, isso vale mais do que reinventar tudo. Agora dá licença… que eu preciso resolver uns assuntos na Tojo Clan. 🥃🐉