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Yu Yu Hakusho: Tokubetsu Hen

Yu Yu Hakusho é uma série de mangá de grande sucesso e que ganhou uma adaptação em anime, que apesar de ter sido corrido no final e não ter explorado por completo o universo apresentado no mangá, fez muito sucesso no Japão e outros países, principalmente no Brasil, no final dos anos 90 na extinta Manchete e em 2004, pelo canal pago Cartoon Network.

Como de praxe, algumas obras que fazem muito sucesso ganham muito material extra, como artbooks (livros com ilustrações e informações da série), camisetas, bonecos e jogos. Yu Yu Hakusho: Tokubetsu Hen para Super Nintendo é um dos muitos jogos que a série japonesa ganhou e foi um dos melhores, apesar de deixar escapar algumas boas oportunidades.

Sistema de luta diferente e criativo

Tokubetsu Hen é um jogo de luta, porém apresenta uma mecânica bem diferente do que estamos acostumados a ver em um jogo do gênero. A tela é divida em duas, do lado esquerdo mostra seu personagem e seus respectivos marcadores e do outro o adversário como também seus marcadores. Os marcadores são uma barra de vida, uma barra que se enche à medida que você segura o direcional para qualquer direção (a nomearei como barra 1, para facilitar a explicação), uma barra já cheia na cor azul magenta e uma barra com pequenos pauzinhos na vertical. Há ainda, na parte inferior no centro da tela um círculo onde pequenas bolas de energia ficam girando, e cada personagem têm ainda mais dois marcadores, um em forma de losango e outro em forma de elipse, além é claro, como já disse antes, um quadro em cada canto da tela onde aparecem os personagens, na esquerda o seu e na direita o de seu adversário.

Diferentemente dos jogos de lutas clássicos, aqui você não lutará diretamente com seu adversário, mas sim dará comandos a seu personagem para que ele use suas diferentes habilidades, seja ela um soco ou simplesmente pular a usar ataques de energia espiritual, como o famoso leigan de Yusuke. Para tal, é preciso sempre estar atento a alguns marcadores, o primeiro deles o marcador que se enche conforme segura o direcional para um lado. Quanto mais encher essa barra melhor já que a habilidade usada terá mais efeito, por exemplo, se segurar para baixo você usará as principais habilidades ofensivas de seu personagem, então, no caso de Yusuke, segurando direcional para baixo e apertando o botão X fará com que Yusuke lance seu leigan no adversário e quanto mais cheia estiver a barra 1 mais forte será seu ataque. Cada direção que segurar o direcional (esquerda, direita, cima e baixo) faz com que seu personagem possa usar diferentes habilidades, como esquivas, concentrar energia, dar socos normais e usar suas habilidades especiais, e cada uma delas é mapeada nos botões A, B, Y e X, bastando escolher que tipo de ação deseja tomar (esquivas ou poderes de suporte) e pressionar o botão referente à habilidade que deseja usar.

A segunda barra, a que esta na cor azul magenta, define duas coisas. A primeira, quanto mais cheia estiver à barra, nas disputas de poderes, seu personagem levará vantagem. Por exemplo, o leigan de Yusuke contra o leigan da mestra Genkai, se nenhum dos personagens tiver usado uma habilidade de suporte (essas habilidades de suporte variam, mas sempre possuem ao menos uma para aumentar a força do personagem), o leigan que vencerá ao se chocarem será o do personagem que estiver com a barra de energia azul mais completa, e caso as duas estejam cheias, normalmente ocorrerá um empate técnico, com os dois poderes se destruindo no choque. Essa barra azul também tem outra utilidade, caso ela se esgote o personagem desmaiará, dando uma vantagem significativa para o adversário.

A terceira barra (a com os pauzinhos na vertical) é a barra de energia espiritual e você precisará mantê-la sempre cheia, na medida do possível, isso porque essa barra é responsável para que você possa usar a maioria das habilidades de seu personagem. Por exemplo, se for soltar um leigan, um determinado número de marcadores (os pauzinhos) deverá ser usado esvaziando a barra de energia e isso se repete para maioria das habilidades, excluindo algumas como socos normais (direcional para direita e qualquer um dos botões de ação) e esquivas (direcional para traz e botões de ação). Você se lembra do circulo no centro da tela com bolinhas de energia que falei anteriormente? Pois é, eles são prêmios e são divididos entre os personagens conforme os resultados das habilidades que usa, por exemplo, usar um leigan e acerta-lo no adversário lhe renderá mais dessas bolinhas de energia enquanto seu adversário ganhará apenas uma como prêmio de consolação e assim por diante. Essas “bolinhas” nada mais são que a energia espiritual de seu personagem, que enche a barra de energia para que possa continuar usando seus poderes especiais. Por vezes os prêmios são itens, que podem ser usados para encher sua barra de vida (que, logicamente, se chegar ao final seu personagem perde), encher a barra azul ou encher sua barra de energia espiritual; esses itens ficam dentro do marcador em forma de elipse.

Esse sistema de luta pode parecer confuso e difícil de manejar no início e de fato realmente é há principio, ainda mais quando não se tem muitas explicações de seu funcionamento, porém uma vez que o jogador se familiarize com tudo o game se tornará extremamente divertido e estratégico, obrigando sempre que o jogador tenha muita atenção a suas respectivas barras para saber qual melhor habilidade para usar. Apesar de serem poucos personagens (dezessete ao todo), cada um deles possuem habilidades distintas e que possibilita estratégias diferentes, sendo que alguns possibilitam abordagens únicas que obrigam seus adversários a terem mais cuidado. Por exemplo a Mestra Genkai, que consegue rebater as habilidades de seus adversários contra eles mesmos além de absorver parte da energia do ataque para si, ficando com aparência jovem; no anime e mangá, conforme eleva sua energia espiritual, a velha mestra Genkai fica com aparência jovem.

A diversão fica completa ao ver os personagens executando os golpes de forma muito fiel ao que é visto no anime o que mostra um cuidado especial por parte da Namco para tentar deixar o game mais próximo e parecido possível com o anime e mesmo os golpes que tiveram de ser adaptados ou os golpes novos (que não aparecem no anime) foram muito bem feitos. Esse sistema de lutas “cinematográfico” e os gráficos de ponta fazem o jogador realmente se sentir dentro do universo de Yu Yu Hakusho, algo muito importante para a proposta do game. Nesse quesito temos de tirar o chapéu para Namco, que além de criativa, a mecânica de jogo traz muitas alternativas para quem está atrás dos controles sem tirar a diversão das partidas, sejam elas contra máquina ou multiplayer para até duas pessoas.

Oportunidades desperdiçadas

É uma pena que a Namco não tenha ousado mais, como com um modo campanha que seguisse a linha de história apresentada no anime. Também não há nenhum tipo de enciclopédia com dados dos personagens do game e a quantidade de modos de jogos é bem reduzida, limitando-se a poucas escolhas, com um modo torneio básico com todos personagens, partidas de um contra um ou sua variação onde cada jogador escolhe três personagens e por fim, um modo de jogo onde você escolhe um personagem e deve enfrentar vários adversários em sequência, algo parecido com o clássico modo Survivor; há de se lamentar também a falta de um tutorial. A falta de tais elementos não prejudica o game, mas diminuem bastante a vida útil do mesmo, que apesar de ser divertido e criativo, depois de certo tempo, enjoa por não apresentar muito conteúdo.

Gráficos nota 10 e efeitos sonoros competentes

Os gráficos de Yu Yu Hakusho: Tokubetsu Hen são excelentes. Cada personagem foi minuciosamente representado no game, com todos seus detalhes, até mesmo as expressões faciais são feitas de forma fiel ao que é visto no anime. As animações dos golpes e movimentos dos personagens estão excelentes também e surpreendem pela variedade e até complexidade para época, exigindo muito do modesto hardware do Super Nintendo. Esse nível de detalhes cobra seu preço nas arenas, que se resumem a apenas quatro no total e sem muitos detalhes, porém sem destoar negativamente. Em resumo, você nunca se incomodará com os cenários, mas também nunca vai parar para elogia-los, já que todos eles são bem simples.

A parte sonora também teve cuidado especial da Namco. Os sons dos poderes e habilidades são muito bem feitos e os personagens receberam cuidado especial, principalmente na hora de falar o nome de seus poderes, com dublagens bem feitas e fieis ao anime, apesar de aqui a qualidade não ser tão alta devido à clara limitação do console da Nintendo. A trilha sonora também é bem feita e varia com músicas mais lentas e algumas mais agitadas, todas encaixando muito bem com a proposta do game.

Em resumo, nota 10 para trabalho da Namco nos gráficos e sons.