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Análise | LEGO Star Wars: A Saga Skywalker manda bem no conteúdo e na jogabilidade

Após alguns adiamentos e um desenvolvimento que pareceu, até certo ponto, conturbado, Lego Star Wars: A Saga Skywalker finalmente foi lançado para Switch, PC, PS4, PS5, Xbox One e, ufa, Xbox Series S/X. E a espera valeu a pena! Com todas as três trilogias de filmes Star Wars para vivenciar em cerca de 45 missões, uma porção de planetas para explorar e novidades na jogabilidade, é uma experiência praticamente imperdível tanto para fãs de LEGO quanto para os amantes dos filmes da família Skywalker.

Conteúdo impressiona

Há vários pontos para se destacar no novo lançamento licenciado da TT Games, mas o principal é definitivamente o conteúdo.

O jogador começa podendo escolher o primeiro filme de qualquer uma das três trilogias Star Wars para vivenciar na campanha e a partir daí vai liberando todas as histórias que marcaram diversas gerações nos cinemas.

O escopo impressiona bastante, já que a campanha é interligada por um mapa do universo onde é possível viajar para diversos planetas que ficaram famosos na saga, como o clássico mundo de Tatooine. Longe da linearidade – que bem verdade já vinha sendo deixada de lado nos últimos jogos da franquia -, é possível explorar cada um destes mapas e solucionar quebra-cabeças, completar missões secundárias e liberar mais personagens, sendo ao todo 380 deles.

Como acontece nos jogos anteriores da franquia, primeiro é preciso ir completando as missões com os personagens originais da história, mas depois é possível voltar, no chamado Modo Livre e escolher outros ícones da saga para ajudar a resolver uma série de tarefas com as suas habilidades únicas.

Cansou de explorar e acumular colecionáveis e itens? Basta voltar para a linha principal e participar da missão seguinte, que vai te levar para algum momento marcante do filme que está sendo jogado e recontar a aventura com aquela pegada cômica padrão dos jogos LEGO. Ver o General Grievous participando de um duelo de dança contra o Obi-Wan, por exemplo, é um dos momentos comuns que vão arrancar algumas risadas gostosas dos jogadores.

Obviamente que ter tanto conteúdo para abordar acaba deixando algumas coisas de cada filme de fora da campanha e nem mesmo os três anos de desenvolvimento – algo raro para um jogo LEGO – e suas 45 missões conseguem evitar que em alguns momentos a historinha fique apressada e confusa, principalmente se o jogador não tiver visto todos os filmes. Algumas campanhas chegam a durar no máximo uma hora e podem deixar o gostinho de quero mais. No entanto, quando se olha o todo, o resultado é bem acima da média e do que eu esperava, com as melhoras batalhas, momentos e falas definitivamente presentes aqui.

Além da exploração dos planetas, há ainda um mini espaço para explorar acima de cada um deles, com mais missões e a possibilidade de batalhas espaciais com as principais naves da saga (falarei disso mais adiante). Com tanta variedade e qualidade do conteúdo, fica difícil lembrar de outro jogo licenciado de Star Wars que seja tão completo quanto A Saga Skywalker.

Jogabilidade Refinada

Esse tempo a mais de desenvolvimento permitiu com que a TT Games experimentasse bastante com a jogabilidade, havendo várias adições que a incrementam.

No combate há duas novidades que tornam esse o LEGO mais legal de se jogar até o momento da publicação desta análise. A primeira é a possibilidade de pegar cobertura atrás de paredes e elementos do cenário e atirar nos inimigos de forma segura, como se estivesse jogando Uncharted ou Gears of War. Obviamente que é um LEGO e você pode nem ligar para isso e passar tranquilamente por todas as fases, mas essa adição traz uma camada a mais para a jogabilidade, principalmente dos personagens que não têm a sorte de contar com um sabre de luz para resolver no combate corpo a corpo.

A segunda novidade são os combos. Em vez de pressionar apenas um botão três vezes como única forma de atacar, agora é possível fazer combos mais complexos utilizando três botões diferentes. A novidade engrandece bastante a jogabilidade dos Jedi, principalmente, permitindo incorporar força, pulos e diversos movimentos com o sabre de luz entre os seus ataques.

O que cai como uma luva em tudo isso e de forma muito legal é o sistema de classes. Ele já existia nos jogos anteriores, mas era feito de forma mais escondida. Agora há uma pequena árvore de habilidades para cada uma das classes dos personagens, que variam de vilões a droides, indo até os famosos Jedi e Sith. Os upgrades não são extremamente criativos, mas melhoram a performance dos seus personagens favoritos em combate. Além disso, as classes também regem boa parte da exploração, já que alguns obstáculos só podem ser superados com um personagem de uma classe específica.

Some toda essa jogabilidade base legal com as batalhas espaciais com nave de algumas missões – que embora simples entreteem bastante – e o resultado é diversão variada e menos cansativa para dezenas de horas.

Co-op poderia ser melhor

Como é tradição na franquia, há a possibilidade de jogar LEGO Star Wars em modo cooperativo. Foi assim que joguei a maior parte da saga por aqui. No entanto, ainda há várias arestas para aparar.

O primeiro ponto é que o número de bugs que tive em modo cooperativo foi muito maior do que nos momentos em que joguei sozinho. Várias lutas com chefes se tornam frustrantes por precisarem ser reiniciadas por conta de congelamento de um jogador ou do próprio chefe, muito provavelmente por não saber em quem deve focar.

Além disso, há os problemas com o próprio balanceamento do modo. Em várias missões, o segundo jogador é praticamente negligenciado e tem papel muito limitado na ação. Na luta épica entre Han Solo e Anakin no terceiro filme da trilogia, há um momento em que eu tive que ficar simplesmente parado em uma plataforma esperando a parte da luta acabar. Em outras situações, o jogo deixa os dois jogadores brincarem à vontade, mas aí a dificuldade fica sem nenhum desafio. Com ambos batendo em qualquer chefe, derretendo a barra de vida deles em segundos, algumas lutas acabam perdendo a graça. Valeria ter obtido algumas referências com o Jogo do Ano de 2021, It Takes Two, para solucionar alguns destes problemas, embora dê para entender que sem focar especificamente no modo cooperativo fica difícil desenvolver algo legal e voltado só para uma minoria que vai jogar assim.

Outra defasagem deste modo é não permitir que os jogadores se juntem online, limitando-se à tela dividida. É ótimo ter essa opção, mas muita gente não tem com quem jogar em casa e poderia se reunir com amigos online para jogar a campanha ou, o mais divertido, explorar os planetinhas em conjunto. Quem sabe no próximo jogo.

Conclusão

LEGO Star Wars: A Saga Skywalker faz bonito ao adicionar conteúdo de todas as três trilogias principais do cinema e ainda permitir a exploração de diversos planetas icônicos da saga. As novidades na jogabilidade fazem deste o LEGO mais divertido de se jogar e uma experiência quase que definitiva e imperdível tanto para a franquia quanto para Star Wars.

Prós

  • Dezenas de missões bem humoradas que recontam as três trilogias de Star Wars do cinema
  • Variedade enorme de personagens, divididos em diversas classes
  • Jogabilidade renovada com sistema de cobertura, combos e batalhas espaciais bem feitas
  • Planetas podem ser explorados livremente com mais de mil quebra-cabeças e missões para serem resolvidos

Contras

  • Performance no PS5 deixa um pouco a desejar, com resolução abaixo da esperada
  • Modo Co-op é limitado ao Local e tem problemas de balanceamento
  • Em alguns momentos a história fica sem pé nem cabeça por ser conta de forma rápida

Nota: 8.0/10.0

Uma cópia do jogo para PS5 foi fornecida pela Warner Bros. Games para a elaboração desta análise.

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