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Prévia | Arcadegeddon traz música eletrônica e retrofuturismo em acesso antecipado

Arcadegeddon está sendo desenvolvido pela Illfonic, de Predator: Hunting Grounds e Friday the 13th: The game. O jogo ainda está em acesso antecipado, disponível apenas no PS5 e no PC, para que os jogadores possam experimentar a versão atual e ajudar no desenvolvimento com dicas e ideias para serem implementadas no futuro.

Mas será que o jogo já está redondo ou ainda precisa melhorar algumas coisas? Tive a oportunidade de testá-lo no PS5 e você pode conferir abaixo o que eu achei dele em seu estado atual.

Retrofuturismo

A história aqui não é o foco, mas não deixa de existir. O universo do Arcadegeddon é futurista mas com uma pegada retro, então imagine algo como a estética dos anos 80 em um mundo cyberpunk daqui a algumas décadas. Aliás, os gráficos vão parecer bem familiares, já que utilizam aquela pegada com poucos polígonos mas super colorida, como feito no super popular Fortnite.

Toda a ação rola em um local chamado Arcade do Gilly. Aqui há uma série de máquinas de arcade com tecnologias insanas, que teletransportam as pessoas para dentro da jogatina. O conflito da narrativa é entre uma corporação poderosa, chamada “Fun Fun CO”, e estes jogadores, com um deles sendo o seu personagem.

Aliás, a criação de personagens é bem simples, praticamente genérica. Dá para escolher pouca coisa para o seu ser extraterrestre, que lembra um ser humano apenas de longe.  A customização rola mesmo é com os itens conseguidos e comprados durante a aventura.

No momento já há vários personagens não jogáveis para interagir no Arcade do Gilly, mas nenhum grande desenvolvimento de algum deles ou da história, ao menos até aonde conseguimos chegar.

Ciclos infinitos

Mas como se joga o Arcadegeddon, você deve estar se perguntando. Bom, é praticamente uma mistura de shooter em terceira pessoa com roguelike. Há ciclos infinitos de jogabilidade, onde você tenta chegar o mais longe possível em ambientes que são refeitos toda vez que você morre ou recomeça a partida.

O seu personagem inicia apenas com um taco de beisebol e uma pistola comum. Enquanto percorre as salas que foram criadas aleatoriamente, precisa enfrentar diversos inimigos, coletar armas melhores e completar algumas missões.

À medida que você vai superando as fases, os biomas vão mudando e a dificuldade vai aumentando. A variedade de inimigos não é tão grande, mas quando o jogo fica mais difícil, aparecem variações de elite desses adversários em maior quantidade, o que vai complicando a sua vida.

Após um certo número de fases, há também chefes para enfrentar, geralmente membros da corporação malvada. O primeiro chefe, por exemplo, utiliza um escudo de energia que absorve o dano das suas armas, sendo preciso quebrá-lo várias vezes para superar o desafio.

Quando você morre, as armas não vão com você, ou seja, é preciso começar novamente. Por outro lado, dependendo da sua pontuação, você recebe uma quantidade de dinheiro virtual, que serve para trocar por roupinhas e skins de armas na loja. Algumas são bem legais, com novas aparecendo todos os dias. Há também habilidades especiais para serem desbloqueadas e recompensas legais de NPCs que ficam no Arcade do Gilly.

Por estar em fase inicial, ainda há alguns problemas que deixam o jogo meio repetitivo e não dá lá muita vontade de voltar a jogar. A inteligência artificial dos inimigos é meio fraquinha, mesmo a dos chefes, então o desafio só acontece de verdade em níveis elevados, onde o dano dos inimigos é o maior problema. As variações dos biomas também não são tão chamativas e os objetivos são bem bobos, algo como quebrar quatro quadradinhos em locais diferentes da fase.

Um ponto positivo bem legal é a variedade e criatividade das armas. É possível consegui-las em baús espalhados pelos cenários, com vários níveis de raridades. Algumas são bem bizarras e legais de utilizar, como uma que lança bolhas de eletricidade, ou outra que liga uma mangueira no adversário e o enche de ar até explodi-lo. Há ainda várias elementais, como fogo e gelo para brincar pelo cenário.

Toda a movimentação e tiroteio é bem fluida, lembrando bastante também o Fortnite, que certamente deve ter servido de inspiração.

Multiplayer completinho

Esses ciclos podem ser feitos sozinhos sem problema, mas a verdadeira diversão está no modo online. É possível jogar as missões de forma cooperativa, mas há também um modo PvP onde os jogadores duelam entre si com as armas conseguidas, para obterem prêmios e mais moedas para trocar por skins.

Dá para fazer tudo isso com amigos ou desconhecidos, já que o Arcadegeddon conta com um matchmaking bastante funcional. Durante todo o tempo jogando, não tive nenhum problema com crash ou quedas de pessoas do grupo, o que é até surpreendente para um lançamento, principalmente em acesso antecipado. O conteúdo todo, no geral, é bem redondinho.

Techno na veia

A musica eletrônica presente no jogo é outro destaque. O CEO da Illfonic, Charles Brungardt, é um vencedor de Grammy e chamou alguns nomes poderosos da musica eletrônica para compor a trilha original que rola nas fases, como Ray Volpe e Mark Rutherford.

Cada mapa conta com uma música própria e mesmo as que rolam no lobby do jogo, o Arcade do Gilly, são legais ao ponto de você decidir parar e ficar lá escutando, caso curta o gênero.

Case técnico

Outro atrativo do Arcadegeddon é o uso da tecnologia de reconstrução de imagem da AMD, o Fidelity FX Super Resolution (FSR). Em conjunto com a reconstrução do próprio motor gráfico do jogo, eles estão conseguindo melhorar a resolução e detalhes, mantendo uma taxa de quadros estável e a jogabilidade responsiva.

É o primeiro título para console a utilizar a tecnologia e os resultados são promissores, mesmo considerando que trata-se de um jogo com gráficos mais simples.

Futuro incerto

Por ser um jogo em acesso antecipado, ainda há muito o que adicionar e melhorar. As missões que os personagens passam no Arcade ainda são bem sem graça, sendo preciso melhorar esse aspecto. Inimigos precisam de mais variedade e melhor inteligência artificial, e o combate ainda é meio repetitivo.

Além disso, falta também algum charme bem autoral na dinâmica do jogo. Fora a música e estética, não há algo em Arcadegeddon que te faça ter vontade de voltar a jogar no dia seguinte. As skins e a progressão repetitiva ainda não convencem.

De qualquer forma, essa é a hora de errar e tentar novas abordagens. Com todo o feedback da galera que está jogando no PS5 e no PC, a Illfonic vai ter o necessário para trazer um jogo mais legal em 2022, quando pretendem realizar o lançamento oficial.

Uma cópia do jogo em acesso antecipado para PS5 foi fornecida pela Illfonic para elaboração desta prévia