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Após dois ports fantásticos para Switch – Rocket League e Doom – a Panic Button foi incumbida de adaptar Wolfenstein II: The New Colossus para o híbrido da Nintendo. Mesmo com a experiência adquirida, a tarefa não seria nada fácil, visto que Wolfenstein II utiliza muito mais processamento e recursos gráficos que os ports anteriores. Como diz o Capitão Nascimento, “missão dada é missão cumprida”, e a Panic Button realizou outro milagre no Switch a pedido da gigante Bethesda.

O jogo chega 8 meses após o lançamento para PlayStation 4, Xbox One e PC, e o conteúdo permanece intacto. Todas as fases foram integralmente adaptadas para o Switch, preservando a experiência original. Diferentemente de Wolfenstein: The New Order, que possui ambientes limitados e progressão linear, Wolfenstein II dá mais liberdade ao jogador com grandes cenários e novas formas de abordar os inimigos. Você vai participar de muitos combates épicos em campo aberto, onde a movimentação rápida define a sobrevivência do jogador. A mídia digital ocupa aproximadamente 21.8GB de espaço no Switch e quem optar por comprar a mídia física terá que baixar 13GB adicionais antes de começar a jogar.

Wolfenstein acontece em um universo paralelo onde os nazistas venceram a 2ª Guerra Mundial e dominaram o planeta. Essa vitória não foi por acaso, já que eles tiveram acesso a uma tecnologia muito avançada dos judeus chamada Da’at Yichud, e por meio dela criaram verdadeiras máquinas de guerra futuristas. A única esperança da humanidade é a Resistência, um seleto grupo de sobreviventes de diversos países que tentam acabar com a supremacia nazista e contam com a ajuda do soldado americano William “B.J.” Blazkowicz, protagonista da série.

A história de New Colossus começa no exato momento em que o excelente Wolfenstein: The New Order termina, com uma breve recapitulação dos eventos vistos no jogo anterior. Este resumo serve mais como lembrança para antigos jogadores do que uma explicação para os novatos. Após uma tensa batalha contra “Deathshead”, o cientista maluco de Hitler que criou as poderosas armas nazistas, o vilão surpreende Blazkowicz com uma granada segundos antes de ser executado, atingindo ambos. Deathshead literalmente perde a cabeça, enquanto Blazkowicz fica à beira da morte. O soldado é resgatado pelos seus amigos da Resistência e, assim como no primeiro jogo, entra em coma devido aos ferimentos. Isso possibilita uma das mais tensas e divertidas sequências de introdução já vistas nos games, pois após acordar do coma, temos que enfrentar uma invasão inimiga com pouco life e em cima de uma cadeira de rodas!

A mandante da invasão e antagonista de Wolfenstein II é uma velha conhecida, Irene Angel, que teve seu rosto desfigurado e seu grande amor assassinado por Blazkowicz durante o primeiro game. Agora como general do exército nazista nomeada pelo próprio Hitler e nutrindo um ódio mortal pelo herói, Angel caça a Resistência a todo custo. Em meio a perseguições, reviravoltas e mortes de personagens queridos, o roteiro de Wolfenstein II amplia o universo da saga abordando temas importantes como preconceito racial e de gênero. Essa mudança na narrativa, aliada à execução técnica perfeita (sem esquecer da diversão) rendeu notas altíssimas da crítica e do público, bem como prêmios de “Melhor Jogo de Ação” no The Game Awards 2017, e indicações para “Melhor Narrativa”, “Melhor Direção” e “Melhor Performance”, além de outras premiações importantes.

A jogabilidade de Wolfenstein II mantém a qualidade original, na qual o ritmo frenético pede respostas rápidas do controle, mas com um porém. Senti que os analógicos dos Joy-Cons são menos precisos, um pouco mais duros que os de um controle convencional – nada que um Pro Controller não resolva para aqueles que jogam na tela da TV.  Se acostumar com os controles é apenas um detalhe, pois detonar um jogo da magnitude de Wolfenstein II em qualquer lugar só é possível no Switch!

Na parte gráfica, a Panic Button tirou leite de pedra e fez o impossível para que o game rodasse no Switch sem perdas significativas. Wolfenstein II possui uma resolução dinâmica, da mesma forma que Doom, a qual muda de acordo com a quantidade de elementos na tela. A resolução varia dos 720p (1280×720), podendo chegar até a 640x360p. O frame-rate é estável em 30fps, caindo apenas em cenas críticas, com muita coisa acontecendo na tela. Além da resolução, é visível a queda na qualidade das texturas, obrigando a desenvolvedora a abusar do anti-aliasing. Isso dá um aspecto “embaçado” ao jogo, que incomoda menos no modo portátil. Mesmo assim, a versão para Switch de Wolfenstein II é graficamente fantástica, principalmente para aqueles que nunca jogaram as versões mais parrudas. Jogando na TV, os cortes visuais são mais visíveis e podem incomodar os exigentes.

A parte sonora evoluiu muito perto do que foi feito em Doom. Na aventura infernal em Marte, tanto a trilha como os efeitos sonoros eram baixos e abafados no modo portátil, exigindo que o jogador colocasse um fone de ouvido ou jogasse na TV para um áudio mais limpo. Em Wolfenstein II, a Panic Button mixou o som com maestria e é possível ouvir os gritos de dor e ódio dos nazistas com clareza, tanto na TV como no portátil. A trilha sonora do jogo é um show à parte, alternando composições épicas orquestradas com um heavy metal bem marcado que acompanha o ritmo da ação.

Uma cópia do game para Nintendo Switch foi fornecida pela Bethesda para elaboração desta análise.