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Análise | Remaster de Chrono Cross decepciona muito na parte técnica e no visual

Durante as eras do Super Nintendo e do PS1, a então Squaresoft lançou alguns dos melhores RPGs já feitos, um atrás do outro, em uma era de ouro que nunca vai sair da memória de quem a vivenciou. Chrono Cross foi uma dessas joias. Lançado em 1999 para PS1, veio como uma sequência de Chrono Trigger, mas com diversas mudanças que o faziam bem único e especial.

Inexplicavelmente, nenhum outro jogo da franquia Chrono foi lançado nas últimas décadas e os fãs aguardaram bastante para ter pelo menos um relançamento de Chrono Cross e viver novamente a aventura nas plataformas atuais. O pedido foi atendido e Chrono Cross: The Radical Dreamers Edition foi lançado recentemente para PlayStation, Xbox, Switch e PC, trazendo inclusive a expansão Radical Dreamers, que originalmente só havia sido lançada no Japão. No entanto, como já dizia o gênio da lâmpada, cuidado com o que você deseja.

Foco na “Qualidade de Vida”

Chrono Cross tem um sistema de batalha bem único, que abria mão de alguns dos principais clichês dos combates por turno da época. O principal exemplo é que não há nível para os personagens. As principais batalhas do jogo garantem uma estrela que melhora alguns atributos e os confrontos convencionais apenas rendem uma pequena melhoria na vida máxima. Com o passar do tempo, a recompensa pelas batalhas convencionais diminuía bastante em importância e o jeito era ficar fugindo para acelerar a exploração.

The Radical Dreamers Edition se preocupou em corrigir ou passar por cima desses probleminhas para deixar o jogador focar na história e nos momentos divertidos. Há várias opções de trapaças, ativadas apenas com um botão do controle, que permitem melhorar a experiência do jogo. É possível bloquear as batalhas, fazendo com que nem mesmo tocar os inimigos ative uma luta, focando apenas em prosseguir na aventura. Para quem não quer nem mesmo melhorar os personagens e só curtir a história, dá para ligar um modo que deixa os seus personagens poderosos e faz com que os inimigos errem todos os golpes.

Para acelerar as idas e vindas pelo mapa há também a opção de acelerar o jogo, deixando os personagens mais velozes e as animações mais rápidas, o que ajuda bastante naqueles momentos de entrada e saída das batalhas, por exemplo.

Essas novidades, classificadas como “qualidade de vida”, são muito bem vindas em jogos que já parecem um pouco datados, principalmente os de turno, e vão ajudar os jogadores a aproveitar essa jornada fantástica em vários momentos que ficaram um pouco tediosos para os dias atuais.

Visual tem altos e baixos

Na parte visual Chrono Cross foi marcante em sua época. O jogo mudou bastante a direção de arte na mudança para o 3D após Chrono Trigger. Em vez de contar com os designs de personagens e arte de Akira Toriyama – o mesmo de Dragon Ball, Fly e Dragon Quest -, a Square optou por um estilo bem diferente, com Yasuyuki Honne. Cada um tem os seus preferidos, mas ambos são excelentes.

Para um remaster atual há uma série de desafios. A resolução dos jogos na época era baixíssima, os modelos continham poucos polígonos e os cenários dos jogos da Squaresoft eram imagens estáticas que foram renderizadas de um programa 3D. Trazer tudo isso para as TVs modernas e altas resoluções é a maior dificuldade de um remaster deste tipo e, infelizmente, há mais pontos negativos do que positivos.

Há um novo modo gráfico que modernizou algumas frentes do jogo. Os modelos são mais detalhados e a interface usa letras mais modernas, que melhoram a legibilidade dos diálogos nas resoluções maiores. Houve até um respeito muito legal com o estilo artístico dos personagens, que se parecem bastante com os originais, mas o contraste com os cenários colocou tudo a perder. Algumas cidades icônicas do jogo, como Termina, ficam muito esquisitas, com uma porção de personagens melhorados por cima de uma imagem que recebeu apenas um filtro simples e não passou por uma reconstrução mais cuidadosa. O resultado é um incomodo visual constante, que faz querer voltar para a versão original do PS1.

Até há a opção de usar os gráficos clássicos, o que é bem legal, mas eles ficam distorcidos nos televisores modernos e, pior, não tem a opção de utilizar a interface nova, o que deixa os textos difíceis de ler. Por algum motivo, os dois modos são versões totalmente separadas e não dá para utilizar a versão clássica com os menus novos.

Outra decepção é o jogo continuar na proporção 4:3 e ficar apenas quadrado na tela. O zoom permitido apenas estica a imagem, deixando um resultado horroroso na tela.

No fim das contas não existe um jeito ótimo de jogar este remaster, pois você sempre está abrindo mão de algo e será impossível para jogadores novos ou veteranos terem a mesma experiência sensacional da época em que foi lançado.

Parte técnica desastrosa

A pior parte de tudo é a performance abismal do jogo. Eu joguei no PS5, um console com capacidade exponencialmente maior que o PS1 e fiquei absolutamente em choque ao perceber que ele roda o jogo com uma taxa de quadros inferior a do jogo original.

Nas vilas e cidades, Chrono Cross roda abaixo de 20 fps, com lentidões que irritam e tomam a atenção do jogador. Ao acelerar o jogo com uma trapaça, ele fica dando saltos por conta dessas lentidões, o que também mina um dos pontos positivos do remaster.

Pela reação do público, esses problemas se estendem para todas as plataformas. Os jogadores do PC possuem a possibilidade de utilizar mods da comunidade para resolver boa parte desses problemas, já havendo inclusive algumas correções disponíveis. Agora, quem optou pelo console, vai ter que esperar a boa vontade da Square Enix, que cada vez mais parece bem distante da sua época de ouro.

Conclusão

Chrono Cross é um dos melhores JRPGs já feitos e um dos marcos da era de ouro da Squaresoft, mas um remaster para os consoles atuais precisa de muito mais do que seu nome no passado. Radical Dreamers Edition tem performance vergonhosa nos consoles e opções gráficas que sempre pedem para abrir mão de algo que é imprescindível. Por todos esses problemas, a melhor forma de jogar Chrono Cross continua sendo usar o jogo original para PS1.

Prós

  • Inclusão da expansão Radical Dreamers com legendas em inglês
  • Ainda é um dos melhores JRPGs já feitos
  • Opções de trapaças para burlar a parte datada do jogo

Contras

  • Performance desastrosa, muito abaixo dos 30 fps na maior parte do tempo
  • Opções gráficas limitadas e que sempre pedem para abrir mão de algo
  • Personagens remodelados destoam muito dos cenários que não tiveram o mesmo carinho
  • Sem opção de textos ou dublagem em português

Nota: 5.0/10.0

Uma cópia do jogo para PS4 foi fornecida pela Square Enix para a elaboração desta análise.

 

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