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Para além das celebradas peças que a indústria de entretenimento produz regularmente ano a ano, as premiações do ramo são alguns dos eventos mais esperados tanto por fãs que querem ver seus artistas reconhecidos pelo mundo quanto pelos artistas que querem receber os maiores troféus do mercado. Essas premiações, além de poderem servir como um impulsionador em vendas do artista premiado, são também uma forma de criar e reconhecer legados construídos no presente e no passado.

É por isso que até hoje as atenções se viram para as grandes premiações do mundo do entretenimento sempre que estas ocorrem. Grammy, Oscar, BAFTA e tantos outros continuam batendo recordes de audiência, aprendendo a interagir com o público das gerações mais recentes por meio do reconhecimento dos videogames e integrando a forma mais tradicional dos bailes de gala com a modernidade trazida pela internet.

No âmbito dos esportes estes eventos também têm grande valor. Ainda que a premiação de melhor jogador de futebol do mundo tenha sido dominada pelo português Cristiano Ronaldo e pelo argentino Lionel Messi desde a década passada, fãs do esporte continuam a acompanhar o evento transmitido ao vivo para todo o mundo. Afinal, nunca se sabe qual dos dois será o agraciado da vez na edição atual do prêmio.

O “irmão menor” dos esportes físicos, os chamados esportes eletrônicos, mais conhecidos como eSports, também tem sua própria premiação. Seguindo a linha do resto da indústria do entretenimento, o eSports Awards reconhece e premia veteranos do ramo, revelações, narradores e até jornalistas. Todos eles, afinal, colaboram para o exponencial crescimento dessa indústria, que virou uma febre nos últimos anos, com mais de 65% dos gamers brasileiros tendo conhecimento a respeito do setor.

Premiação mistura painel especializado e comunidade para oferecer troféus

O eSports Awards é um prêmio celebrado desde 2016, com a sua primeira edição tendo o nome de eSports Industry Awards. Desde o seu princípio, o ideal da premiação era reconhecer não só os artistas, streamers e outros talentos que estampam as notícias da indústria, mas também aqueles que trabalham no background para fazer com que tudo funcione nos trinques.

A compilação de indicados públicos é feita na metade do ano, e um painel seleto com várias personalidades da indústria – incluindo a apresentadora da Riot Games, Eefje “sjokz” Depoortere, e o comentarista de Counter-Strike, Duncan “Thorin” Shields – escolhem os finalistas de cada categoria da premiação. Estas são divididas em cinco grupos: prêmios da comunidade, prêmios da indústria, prêmios criativos, prêmios para talentos “on air” (como apresentadores e comentaristas) e prêmios para jogadores e técnicos profissionais.

Os prêmios da comunidade, que incluem streamer e criador de conteúdo do ano – para os quais brasileiros já foram indicados – são escolhidos inteiramente pela comunidade de eSports, que pode votar nos indicados. Já os outros prêmios e suas respectivas categorias têm uma divisão 75%-25% entre o painel e a comunidade, respectivamente.

Brasileiros finalistas, mas não ganhadores

A edição de 2020 do eSports Awards foi realizada no eSports Stadium na cidade de Arlington, no estado do Texas, nos Estados Unidos, com transmissão feita pela plataforma de streaming Twitch. Um dos destaques foi a presença marcante de grandes marcas como patrocinadoras do evento, como a companhia de automóveis Lexus e a gigante de telecomunicações Verizon.

Isto pode ser surpresa para quem não acompanha a indústria de perto, mas os fãs já estão acostumados a ver grandes marcas apoiando jogadores e times há alguns anos. De fato, um dos times mais celebrados do Brasil, a MiBR, atuante no cenário de CS:GO, conta com o patrocínio de grandes empresas, sendo algumas delas o aplicativo de relacionamentos Tinder e o site de esports bets da Betway, que é também apoiadora de outros times da indústria, como o Ninjas in Pyjamas. No eSports Awards deste ano, a equipe brasileira, que é também apoiada pela fabricante de luvas Ironclad, foi representada por Gabriel “FalleN” Toledo. O veterano de Counter-Strike foi finalista das categorias Jogada do Ano e Personalidade do Ano, mas não trouxe para casa nenhum troféu, caso bem raro em sua premiada carreira.

Outros finalistas brasileiros da premiação foram o técnico de CS:GO Zews, o jogador de Free Fire Nobru, que ficou com o segundo lugar na categoria Jogador de Jogo Mobile do Ano, e a apresentadora Ana Xisdê. Infelizmente, nenhum deles trouxe para a casa o troféu do eSports Awards deste ano.

Um futuro promissor para a premiação e para a indústria

Apesar de os brasileiros não terem sido bem-sucedidos nesta edição da premiação, eles são presença garantida nas listas de finalistas. Não é por menos que o jogador de Rainbow Six: Siege Thiago “SexyCake” foi premiado no ano passado pela categoria Melhor Jogada do Ano. Esse reconhecimento vem por conta da força que a indústria de eSports tem no Brasil, com o país sendo um dos maiores mercados do ramo no mundo tanto em audiência quanto em receitas arrecadadas através de fãs e jogadores das modalidades que compõem os esportes eletrônicos.

No entanto, para além dos prospectos de brasileiros trazerem para casa um prêmio da indústria, é importante destacar como a premiação tem ganhado validação fora do âmbito dos eSports. Algo que inclui os grandes patrocínios já mencionados, os 1,5 milhões de espectadores na transmissão do prêmio deste ano e a reprodução dos resultados em portais especializados e em websites de notícias gerais.

Mesmo que o evento ainda não carregue a grandeza de um Grammy ou de um Oscar, a evolução da indústria que cresce a uma taxa de dois dígitos a cada ano traz prospectos altamente positivos. Agora é esperar e ver se as expectativas de termos eSports “rivalizando” com esportes tradicionais e outros ramos do entretenimento em um futuro próximo se concretizará, sendo essa possibilidade algo que depende dos talentos da indústria continuarem a conquistar cada vez mais fãs por onde quer que passem.